Library.nu foi o Napster dos livros? (Catch me if you can: o ciclo de vida da informação na rede) #RIP

Desde que fiquei sabendo do fechamento do site alemão library.nu, a imagem que tenho cabeça é a de um cogumelo que, ao secar, libera seus esporos na atmosfera e isso faz brotar centenas de fungos semelhantes. O fim não é o ponto final, mas o momento de renovação.

Para quem não ouviu falar ou não conheceu, o Library.nu cumpriu, mais do que outros similares até o momento, uma função para os livros como a que o Napster teve para a música. Imagine uma espécie de Amazon.com com 400 mil arquivos de livros em formato digital disponíveis gratuitamente para quem quisesse baixar e ler. Era isso.

Não ouvi jornais comentando sobre o fim desse projeto. Em parte, possivelmente, porque a comunidade de usuários agia com discrição para não precipitar o encerramento do projeto. Mas imagino que as dezessete empresas do ramo editorial responsáveis pelo fim do Library.nu também tenham sido instruídas para evitar dar publicidade ao caso.

Se os veículos não ficaram sabendo ou escolheram não promover a pauta, a rede está falando do mesmo jeito. Encoste o ouvido no Twitter por esses dias e você acompanhará o lamento passando como uma procissão ou um velório, de boca em boca, nas mais diversas línguas. A sensação repetida é que o fim do Library.nu corresponde, em prejuízo para a humanidade, a um segundo incêndio da Biblioteca de Alexandria. Isso porque muitos dos títulos disponíveis ou não existem comercialmente em formato digital ou, por questões contratuais, não podem ser vendidos para determinadas regiões do planeta.

Com a notícia do passamento do Library.nu, se espalha também o conceito a partir do qual o site funcionava e que é simples. Tratava-se de um ponto de encontro onde se publicava o link para arquivos armazenados em sites especializados como o Ifiled.it. A mistura dessas duas plataformas é poderosa porque junta a possibilidade de arquivamento para fins pessoais com o compartilhamento não do arquivo em si, mas do link para o download. Assim fica ainda mais difícil juridicamente combater a disseminação.

O problema (em termos*) para a indústria editorial é que a multiplicação desses arquivos leva à formação de acervos privados que circulam dentro de bolsões controlados como grupos de estudo ou alunos de um determinado curso. A disseminação dos arquivos, por sua vez, facilita a reconstituição dos espaços abertos para a circulação de livros como era a Library.nu.

* E, finalmente, digo que esse é um problema em termos para a indústria do livro porque: 1) uma boa parte dos arquivos trocados circulam entre pessoas que não podem ter acesso ao livro de outra forma; 2) a circulação do livro também funciona como maneira de promover a venda entre as pessoas que têm a oportunidade de conhecer a obra e decidem adquirir o volume impresso.