Coisas que acontecem quando você publica um livro

Há dois dias recebi uma mensagem da editora. Uma pessoa - aparentemente um senhor de mais idade - tinha ligado para pedir meu telefone... Eu não soube o que pensar na hora. Dar o meu telefone assim? Quem era essa pessoa que não podia me mandar um email? (Email é mais impessoal. A gente pode priorizar, responder depois ou eventualmente nem responder, "esquecer".) Mas acabou que eu mandei o número.

Cinco minutos depois o telefone tocava. Do outro lado da linha, o seo Ariovaldo, um senhor possivelmente na casa dos 60 anos - ele tem filhos da minha idade -, simpático e articulado, disse que havia lido o meu livro, e dado exemplares de presenta para seus filhos, para o pároco da igreja de seu bairro e talvez para mais alguém que eu não me lembro agora.

Ou seja, um senhor que não tem nem email, leu meu livro e está fazendo a maior propaganda(!)

O motivo do telefonema era que ele, como católico praticante, tinha pressentido na rede a oportunidade de evangelizar, e queria saber se eu me interessaria por apoiar um projeto dessa natureza, para marcar uma conversa entre mim e o pároco (da Igreja de Nossa Senhora da Salete, aqui no bairro de Santana, perto da Cantareira, na zona Norte de São Paulo.)

Coincidentemente venho pensando, sim, em um site ecumênico, sem vínculo com denominação específica, para prestar um serviço no estilo do que o CVV - Centro de Valorização da Vida - faz por telefone: atender pessoas com dificuldades, geralmente desejo de cometer suicídio, ou apenas querendo desabafar. Inclusive esses dias rascunhei alguma coisa sobre o funcionamento. A idéia é abrir um canal para pessoas pedirem ou oferecerem uma palavra amiga.

Compartilhei a idéia com o meu novo leitor, que achou-a ótima. E me disse: - Se outros não quiserem, pelo menos estou fazendo a minha parte, seguindo o meu coração...

O resultado dessa conversa é que somos duas pessoas interessadas em colocar isso em funcionamento. É mais do que eu tinha na semana passada. E a ajuda apareceu espontaneamente.

Combinamos que voltaríamos a conversar em outubro, para ver se o padre Idelfonso lerá o livro e se ele vai se sentir motivado.

Enquanto isso, registro a história aqui e me compromento a dar novos informes na medida em que as coisas forem caminhando.




Comments

Pois é, Juliano...
Aquilo que a gente conversava nos tempos de LL. A internet não afasta as pessoas. Ela aglutina pessoas com os interesses em comum.

Abs
Lemp

Impressionante como é verdade Lemp, a internet não isola as pessoas como é senso comum imaginar. Eu até encontrei minha cara metade pela internet!

Mas encontrar gente com os mesmos interesses é a coisa mais fascinante para mim.

Lemp, estou lendo o "The cult of the amateour", e apesar de achar que o livro é ruim (ainda devo escrever mais), ele tem me ajudar a perder ou pelo menos perceber o deslumbre pela Web. Mas pelo menos para mim, a Web tem sido uma incrível oportunidade de aprender e descobrir. Abração

Professor Luis Eduardo, seu blog é muito bacana. Fico sempre contente ao encontrar mais indícios de blogosfera rica e diversa. Parabéns!

Teologia conectada??

Pois é, Juliano, mas há um problemão que ele não previu: a Internet cria certos conflitos teológicos sobre o representante da palavra de Deus. A Igreja ainda não resolveu essa questão do muitos para muitos, só tem bem delimitadas as relações de um para um e um para muitos. Sei de alguém que está bem próximo dessa questão, em contato com bispos discutindo esse assunto (posso passar o contato).

Obrigado, é muito motivante receber elogios. Estou começando a pouco tempo e ainda tenho poucos leitores. Obrigado mesmo pela motivação e boa sorte com o livro.

Renato, vou esperar essa semente brotar antes de me envolver em mais um projeto. De todo modo, é bom saber que já existe uma discussão encaminhada. Voce, como sempre, conectadíssimo. Nada como ter um engenheiro criado na História. ;-) Abraço!

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