Como ajustei o Twitter para não ficar maluco (nem desencanar de vez)

Reduzi pela metade o número de pessoas que estou seguindo no Twitter. Já faz tempo que estou batendo cabeça, tentando me adaptar a um mecanismo que a cada dez ou vinte segundos traz uma mensagem muitas vezes irrelevante para mim, de uma pessoa que eu não conheço.

Outro dia a @Rosana Hermann saiu perguntando pelo Twitter como as pessoas decidiam a quem seguir. Minha fórmula era a seguinte: abria cada email de notificação e observava duas coisas, se a pessoa tinha blog (fundamental) e se o assunto era do meu interesse.

Outra coisa que prejudicava: desde o começo eu usava o GTalk como cliente. É prático: o Twitter se torna mais um contato. Mas ele não separa os diferentes tipos de informação. Ou você acompanha tudo ou não fica sabendo das conversas e comentários que te envolvem. Isso gera ruído demais.

Imagino que muita gente tenha desistido de usar o Twitter porque não conseguiu ou não teve paciência para ajustar a sintonia. Aqui vai o resumo desta minha última tentativa de domesticar o canal.

1) Não sei quem me disse isso, mas ficou na cabeça: manter como seguidores apenas as pessoas que a gente conhece. Isso não quer dizer que você não pode passar a conhecê-la via Twitter, mas ao invés de decidir isso checando o perfil da pessoa, faz mais sentido adicioná-la depois de travar algum contato, participar de uma conversa.

2) Adotei o Twhirl, um cliente que reúne os feeds do Twitter e também do Friendfeed. O mais bacana dele, para mim, é que ele automaticamente separa a informação dirigida a você. (Fiquei até chateado por encontrar respostas a perguntas que eu fiz via Twitter e que nunca recebi porque o canal estava escancarado.) Além disso, o Twhirl facilita algumas ações como reenviar uma mensagem interessante ou definir quem são os seus contatos mais próximos.

3) Desassinei o serviço do Twitterfeed, que retransmitia automaticamente os posts no blog para os meus seguidores no Twitter. Senti que isso fez cair sensivelmente o retorno de visitas, em grande parte porque a informação entra com cara de conteúdo frio, empacotado, que não pede interação e Twitter é conversa. E também em parte porque me tira o controle sobre quando lançar o link. Geralmente eu post fora do horário comercial e quem não está conectado na hora, deixa de ver.

Também tomei algumas atitudes em relação ao Friendfeed, que apesar de não ter sido adotado no Brasil da mesma forma como o Twitter, está disputando nariz a nariz com o Twitter a preferência dos norte-americanos hiperconectados.

O Friendfeed também precisa ser ajustado para funcionar. Para quem não conhece, ele reúne tudo o que voê faz online - as suas fotos, os links que você registrou, posts no seu blog, etc. Mas não dá para seguir todo mundo e nem receber tudo das pessoas que você está seguindo. Eu fiz o seguinte:

1) Aprendi a usar a função Hide, que de cara não é muito óbvia, para parar de receber o resumo das tuitadas das pessoas que eu conheço. Isso reduziu bastante o ruído.

2) Parei de seguir pessoas que eu não conheço. Quase todas, na verdade, as mais "barulhentas" tipo Robert Scoble. É um cara que usa loucamente o Twitter, que tem uma carrada de conhecidos que sabem usar muito bem a ferramenta. E o Friendfeed, a menos que você diga que não, te manda também o conteúdo dos amigos dos amigos.

3) E para não ficar dependendo só do que circula dentro do meu círculo social, assinei os feeds do Twitlinks, que eu ainda preciso aprender a ajustar (espero que dê porque vem coisa demais). Mas pelo menos aí vem mais sinal do que ruído. O simpático slogan deles é: "Tweets for busy peeps". O serviço faz uma seleção do conteúdo de blogueiros bacanas e distribui junto com resumos de três linhas. Ontem fiz uma triagem do que chegou e deu para aproveitar bastante coisa. (E aproveitei para desassinar RSS redundantes, como o do Techmeme, que já chega via Twitlinks.)

4) Inseri no browser o botão de postagem do Friendfeed, um produto semelhante ao del.icio.us, para compartilhamento de páginas interessantes na Web. Ainda não sei se vai ser útil porque já uso o del.icio.us.

E ainda pretendo explorar mais a possibilidade de abrir discussões dentro do Friendfeed (e também pelo Twitter). É um troço bacana: o Friendfeed permite que se comente todo o conteúdo que ele reúne e apesar disso tirar os comentários da página do blog, ao mesmo tempo dá mais visibilidade à conversa.

Bom, é isso por agora. E se alguém tiver alguma coisa a dizer, manda ver que estou na escuta.




Comments

Oi Juliano, eu comecei a usar o Twhirl e minha vida tuiteira ficou mais interessante porque eu simplesmente não olhava as mensagens (no gtalk, apenas recebia mensagens diretas). Mas tem uma coisa legal de conhecer pessoas via Twitter, enquanto a ferramenta ainda não explodiu para as massas como o Orkut. Acredito que um dia o twitter ficará inviável.

Oi Juliano,

venho acompanhando sua inquietação com o overload. Para mim a dica de hoje é preciosa. Entendo que as personalizações no "social follow" são realmente personalizações. Ou seja, o indivíduo e suas relações com seu mundo.

Para quem lida com o assunto mídias sociais a coisa tem uma outra dimensão. Sou newbie na área, mas colocando as coisas em função da pessoa, suas inquietações, seus interesses, sua visão de mundo etc
fico pensando se há uma hora em que vc deixa de ser um early adopter da tecnologia por prazer, interesse, conhecimento e passa a ser por obrigação, ou não?

bah, completamente honrado em ter SOBREVIVIDO à sua limpa =)

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