Por que você compra livros? (versão resumida)

A maior parte dos livros a gente só lê uma vez, quando lê. Daí a gente guarda porque, afinal, custaram caro.

Não consigo pensar em outro objeto com as mesmas características. Mesmo o supérfluo é utilizado continuamente até acabar ou ser passado adiante.

O livro não: a gente estoca e usa como uma espécie de decoração de paredes.

Um pequeno acervo privado ocupa espaço e é difícil de ser transportado porque pesa muito.

É uma matemática esquisita: o produto tem condições de ter uma vida útil, ser lido por muitas pessoas, mas fique recluso.

Pense, por exemplo, em todos os livros que os moradores do mesmo prédio poderiam juntar para fazer uma sala de leitura e isso não acontece.

Cada um quer ter o seu. E depois de servir para transmitir cultura, o livro se torna objeto de decoração de parede.

(Veja: não estou me referindo àqueles 30 livros do coração, mas os outros, menos importantes.)

Se a gente em geral lê o livro uma vez só e se ele pode ser reutilizado muitas vezes, deduz-se que seu "habitat natural" seja a biblioteca pública.

Essa reflexão me ocorreu depois de me matricular na biblioteca pública do meu bairro e de encontrar lá uma coleção muito boa.

O fato de ser um bairro de classe média talvez explique por que a coleção seja boa, mas não justifica que a comunidade aparentemente continue comprando livros em vez de aproveitar o equipamento público.

A ida à biblioteca me fez perceber o mercado de livros como algo induzido e não como algo necessário. A gente faz sem precisar porque acha que é vantajoso.

Daí, fui um passo adiante: se o livro é algo que funciona melhor como um item de circulação pública, por que restringir sua digitalização para ele ser "emprestado" pela rede?

Esse é o resumo da argumentação. Se você tiver tempo e quiser entender melhor o contexto que estimulou esta reflexão, pode ler o post anterior.