Campus Party: trocar arquivos é como trocar figurinhas

Engraçado: às vezes a gente só percebe que tem um assunto interessante para contar quando conversa distraidamente com outra pessoa.

No caminho para cá hoje, jogando conversa fora com o Dória, contei a ele do meu jantar ontem com dois campuseros no refeitório do prédio. Eles estavam empolgadíssimos com a banda de acesso à internet - 5 giga. Acho que um deles falou que tinha conseguido mais de um mega por segundo de velocidade de download. (Não sei exatamente quanto, mas era uma cifra estupida para o que estamos acostumados.)

Contei para eles do primeiro capítulo do livro The Big Switch, em que o autor compara o desenvolvimento da eletricidade ao do acesso à internet, especulando que logo a oferta de acesso será parecida com a distribuição de eletricidade. Internet saindo da tomada, quanto você quiser e puder consumir... Isso me deixou pensando nesse horizonte menos óbvio em relação a como deveremos em poucos anos viver trocando milhares de terabites por segundo.

Que tanta informação será essa? O que faremos com ela?

Mas voltando à conversa de ontem com os campuseros, eles relataram ter visto a farra do download. (Eu já tinha ouvido falar que a possibilidade de baixar coisas da internet era um dos principais atrativos, junto com a oportunidade de jogar, de eventos como o CP.) Viram um pessoal com dezenas de DVDs virgens, gravando quilos de todo tipo de informação.

Contei isso pro Dória e ele fez uma comparação interessante. Eu me perguntava sobre a função desse conteúdo todo. O que fazer com tanto filme, tanta música, tantos livros e capítulos de seriados, tantos programas? E ele respondeu: eles trocam, esses arquivos são como as figurinhas que a gente colecionava e trocava as repetidas para completar o album.

A diferença é que este é um álbum interminável.




Comments

excelente reflexão. nada mais pós-moderno do que colecionar informação. deixei anotado aqui. :)

É uma questão interessante. Eu mesma estava animadíssima nos primeiros dias, tirando screenshot de taxas de download que eu nunca tinha visto antes. Saí do evento com muito conteúdo gravado em DVD, mas o que está realmente me mantendo acordada agora é o conteúdo que não está disponível para download, como as conversas, as idéias, os projetos que nasceram no evento.

No fim das contas, foram as pessoas que fizeram a Campus Party e são as pessoas que vão dar um jeito de absorver e usar toda essa disponibilidade de informação. Nem que seja para filtrar a maior parte e guardar o que mais importa a cada um.

Oi Helena, acho que esse é o espírito do CP, tornar presencial os relacionamentos primordialmente mediados pela tela do computador. O melhor do evento sao as pessoas.

Muito boa sacada! Mais do que objeto de posse e objeto de troca, todo este caudaloso conteúdo é também a água desta espécie de rio onde navegamos o tempo todo em nossas relações dentro e fora da rede. Somos criaturas de (excesso caleidoscópico) de informação. Mesmo que ela nos afaste de nós mesmos (e, afinal, quem somos nós?), ela também nos aproxima de alguma forma. Se é bom ou ruim, é matéria de discussão. O que importa é que é.

Abraços do Verde.

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