Globo supostamente ignorou a exposição Star Wars em SP

Ontem estivemos na abertura da exposição sobre a saga Star Wars. Não faltaram jornalistas para cobrir esta que é a exposição mais badalada do momento na cidade - no nível da do Corpo Humano e com valor compatível: o ingresso inteiro custa R$ 30.

O ator Anthony Daniels, que "enlatou" o personagem C3PO e é o embaixador oficial do evento, disse que esta era a melhor montagem que ele já tinha visto, e explicou que nos outros países, as montagens aconteceram em museus, o que quebra o clima. Em Sampa, as maquetes, pedaços de cenário, roupas, fantasias, fotos e objetos de todos os tipos estão no Porão das Artes do prédio da Bienal do Ibirapuera. É um espaço literalmente underground, sem janelas, que em si já lembra um ambiente futurista. Imagine ele decorado, paredes geométricas em relevo, ambientes escuros - veja algumas fotos publicadas no Terra.

Eu dizia no começo que a imprensa apareceu em peso. Apenas uma falta foi registrada, a da Rede Globo. O motivo, segundo me explicou uma assessora, é que Record e SBT detém os direitos de apresentação dos filmes Star Wars no Brasil. Para não promover a programação alheia, a Globo teria ignorado o evento.

Eu não pretendia escrever sobre isso, mas me ocorreu que ele exemplifica o que Yochai Benkler diz em The Wealth of Networks, e que eu repito com frequência. As empresas que controlam a esfera pública decidindo o assunto que as pessoas falarão usam esse poder em benefício próprio ou vendem pelo melhor preço. Quando não dá para se fazer uma coisa ou outra, essas empresas esvaziam a notícia de conteúdo mobilizador e ela passa a ser entretenimento.

Nesse caso, se a informação da assessora for correta, os fãs do Star Wars que escolheram a Globo para receber notícias, não ficarão sabendo da exposição. É justamente a notícia que eles esperam receber e o veículo que eles elegeram decidiu, por um conflito de interesses empresarial, negar-lhes o serviço. A motivação para se decidir o que vai ou não ao ar não é o interesse da audiência, mas a disputa pelo mercado.

Mas ainda não é isso o que me motivou a escrever sobre esse assunto. Que os veículos de comunicação não são isentos como eles gostam de dizer que são, todo mundo sabe ou suspeita. O que existe de diferente é que há vinte anos essa informação morreria ali e hoje ela pode circular para uma audiência potencialmente maior do que a própria Rede Globo - que, diga-se, não é melhor e nem pior que sua concorrência.




Comments

Deter o poder das massas , decidir por elas, infelizmente , esse é o jogo que essas redes fazem.Nesse sentido, não devemos negar que a sociedade brasileira só dá crédito ao que a mídia quer , nessa falácia democrática , somos apenas vítimas de um sistema perverso de jogo idológico, mas o que fazer??

May the force be with you!!!

Caro Marcelo, penso que as coisas estão um pouco diferentes agora que a internet permite que as pessoas conversem dentro da sociedade, independente de distância, tempo e laços afetivos. não acha?

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