If a Tree Falls: fiquei com um documentário entelado na garganta

Ontem à noite assisti um documentário que mexeu comigo por vários motivos. Veja o trailer abaixo e, se quiser, leia esse registro que eu precisei fazer - como um desabafo, mesmo - mas que saiu na forma de impressões soltas.

A constatação de como o Estado aprendeu a lidar com protestos não-violentos. Em vez de tiros e cassetetes, spray de pimenta espalhado pelo corpo – não só no rosto – de quem protesta.

Noventa e cinco por cento da floresta nativa dos Estados Unidos já foi cortada. O grupo defende a preservação do que sobrou.

As indústrias atuam na política, ganham direitos à exploração. A polícia chega para fazer valer a vontade do Estado. A defesa da produtividade a qualquer custo.

O pano de fundo do 11 de setembro. Os veículos de comunicação apelidam de “eco-terrorismo” ataques sem vítimas. Uma oportunidade de perceber: o heroísmo para uns é o terrorismo para outros.

O testemunho do agente da polícia. Sua felicidade ao “quebrar” o grupo de ativistas fazendo uns se virarem contra os outros. Orgulho sereno de ser cão de guarda.

A beleza discreta de quem escolheu preservar a própria consciência contra o terrorismo de Estado. O veneno na alma de quem escolheu colaborar com o inimigo. Calçar as sandálias de Judas.

Resultado: amanhã tudo voltará ao normal. Mas do olho do furacão veio a notícia: o documentário foi indicado ao Oscar.