De ônibus para o Rio e de chofer para a Bienal

Ontem foi um dia inusual. (Existe essa palavra em português?) Acordo 4 am, chego à rodoviária 5:40. Ônibus sai às 6:20 para o Rio. Estou à caminho da minha primeira participação em uma Bienal do Livro como autor.

Depois de uma soneca providencial, trabalhei um pouco. Também conheci uma porção de gente sem ter trocado palavra com elas. Todos ou quase todos falamos pelo celular ao longo da viagem. Estranho.

A buraqueira da Dutra me convenceu que era hora de me concentrar na minha condição humana. Enjôo. A descida da serra acentuou esse sentimento de pertencer a um corpo.

Chegamos à Rodoviária. Alguém deveria estar me esperando. E estava! Era 12:30 pm. Seo Bráulio, devidamente trajado, me esperava na área de desembarque empunhando uma plaqueta com meu nome. (Acho que foi a primeira vez que vi meu nome escrito em uma plaqueta.)

Palavras dele: - Estou à sua disposição.

Fomos até o hotel dos escritores na Barra da Tijuca. Chegamos às 14h. A participação na Arena Jovem estava marcada para as 16h. Banho relaxante, não exatamente rápido. Saída do hotel às 15h, chegada ao Rio Centro, local do evento, às 15:30h.

Parêntese: eu não fazia idéia do quanto de cidade havia ainda no Rio depois da Zona Sul clássica. Para mim, Tijuca e Barra da Tijuca eram a mesma coisa ou pelo menos lugares próximos. Nada a ver.

A Barra é um bairro planejado, com condomínios caros, e muitos shopping centers. A paisagem me lembrou muito Miami e isso me deixou um pouco melancólico. Sei lá, divagações. Depois talvez eu escreva mais sobre isso. Fecha parêntese.

No centro de convenções, o carro parou nos fundos. Recebi na entrada um crachá e me levaram para uma sala reservada aos convidados.

Conheci ali a Silvana Gontijo, já sabia que eu ia gostar dela. E o Evandro Berlesi, um gaúcho divertidíssimo que escreveu e publicou por conta própria o romance Eu odeio o Orkut. Nós três éramos os convidados da Arena Jovem para uma conversa a partir do mote: E você, já deixou o seu scrap hoje?

Conversamos rápidamente e logo nos chamaram para ir para a Arena.

Fomos de carrinho, tipo carrinho de golfe. Constrangedor. Íamos cortando caminho pelos visitantes da Bienal, que tentam reconhecer entre nós algum astro de TV. Disfarsei falando com o Evandro e fugindo dos olhares. (Como se aquilo fosse suuuuper natural na minha vida.)

Passei os últimos dias mentalizando coisas boas para ficar tranquilo e para que o evento corresse bem. E foi ótimo.

A Arena é um espaço com a cara da Web. Chamara arena porque o público fica sentado ao redor. A Lúcia, curadora do evento, fez duas perguntas para animar o pessoal e a partir daí as coisas aconteceram por conta própria.

Muitas perguntas, mais do que pudemos responder. Perguntas honestas de questões vindas de quem está envolvido com o assunto. Pessoas comuns, usuários (ou mães preocupadas de usuários) da web. Falamos sobre vício da internet, questões jurídicas, alter-egos online, respondendo a pais, professores e fundamentalmente jovens.

Houve uma liga bacana entre Silvana, Evendro e eu. Fiquei admirado vendo a Silvana interagir com a audiência. Parecia que ela estava em uma mesa de bar, tranquilíssima. Ela respondia primeiro. Daí eu falava, concordando ou discordando dela. E o Evandro, o mais novo de nós três, fazia o pessoal rir com suas respostas ultra-escancaradas e honestas.

Terminada a sessão, foi a vez de encontrar o pessoal da Zahar, sendo que eu só tinha conhecido pessoalmente o Luciano Castro, responsável pelo Marketing, na Bienal de São Paulo um ano antes. Foi bacana finalmente preencher com rostos o relacionamento que já durava seis meses e só existia por email e telefone.

Conversamos bastante. Fui apresentado a outras pessoas da editora, também muito queridas.

Quando a fome bateu, era tipo 18:30h, voltei para a sala dos autores e pude tomar um vinho excelente conversando com o Evandro, que ainda estava por lá e nem sabia direito onde iria dormir. Ele está na luta para divulgar seu livro e vai de uma cidade a outra participando de lançamentos divulgados principalmente pelo próprio Orkut. (Mas tudo indica que o livro logo vai ser republicado por uma editora forte, que saberá tirar proveito dele e da personalidade divertida de seu autor.)

Outras pessoas estavam na sala dos autores. Mas eu não reconheci ninguém. Me senti meio intimidado naquele espaço vip para celebridades.

21:30h o dia terminou para mim. A emoção, as conversas, as pessoas, aquele dia tão cheio, que começou na Rodoviária da Barra Funda em São Paulo.

A van dos convidados me deixou no hotel e depois de um banho quente, estava dormindo.




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