O lucrativo começa a se mostrar não-lucrativo

Sigo aproveitando os comentários deixados neste artigo sobre a dificuldade dos portais de fomentar a participação de sua audiência.

O arquiteto de informação Lex Blagus, daqui de Sampa, disse o seguinte:

Ainda estou em processo de formação de opinião sobre isso tudo, mas o pouco que concluí é que dar atenção aos veículos de notícias tradicionais, tanto em papel quanto online, é perda de tempo.

Além da citada manipulação de informações (pelo dossiê Veja e os apontados neste post) essas “grandes corporações” ainda não pegaram o espítrito da web. Porque a web é muito mais humana e muito menos business.

Não que eu ache business algo ruim — muito pelo contrário — mas business somente visando lucros é algo que pouco a pouco começa a se mostar paradoxalmente não-lucrativo.

Outro dia divagava que estamos na era da informação e muito em breve vamos entrar na era do processamento da informação. Me explico: hoje consumimos muita informação, somente pelo seu consumo e produzimos poucas conclusões. A era de processamento da informação é muito menos importante a quantidade dessa, e sim a relevância e as conclusões a serem tiradas. Então, levar à sério veículos com Veja, G1, iG, UOL ou Terra na minha humilde opinião é perda de tempo.

Ah, um comentário adicional, para não dizer que apenas reclamei: grandes dinossauros do business, como o Carrefour se flexibilizam e lançam pequenas marcas como o supermercado Dia para atender um público que o grande mercado não consegue atingir e para “experimentar” se esse pequeno nicho é viável. Seria muito bom ter outros dinossauros ao menos fazendo experimentos em suas áreas, como os jornais e as gravadoras. Iriam descobrir coisas muito interessantes…

Fico me perguntando se o pessoal da Blockbuster nunca se questionou se seu modelo de negócios não estava fadado ao fracasso caso não houvesse inovação... para mim isso é tão claro.

Interessante esse comentário ter, aparentemente por intuição, reproduzido um dos pontos centrais da argumentação do Yochai Benkler, o autor do The Wealth of Networks, que talvez seja o livro mais importante sobre os impactos da rede na economia e na sociedade.

Benkler deixa claro que não tem nada contra o lucro, mas que no processo de industrialização, começou-se a empacotar informação, que é por natureza um produto não-escasso. Para ele a web está trazendo a informação de volta à sua condição original - quem cobra para dar uma informação na rua? para trocar idéias em um bar? - oferecendo maneiras mais eficientes de produção, que não são estimuladas pelo dinheiro.

Com relação ao Carrefour e seu experimento com O Dia, é intrigante que os grandes veículos não estejam apostando em modelos novos e experimentando pela combinação de propostas que já existem e fazem sucesso no exterior. Parece que a todo custo eles querem manter o controle da produção e distribuição da informação.




Comments

Acho essa postura um pouco radical.

Concordo em parte por entender que as agências de notícias, especialmente as globais, determinam a pauta do que é produzido de conteúdo no jornalismo. Mas creio que a notícia produzida por grandes veículos ainda é relevante, sobretudo enquanto eu, como leitor, ainda levo cada um deles em determinado grau de credibilidade (uns mais, outros menos --mas o filtro é meu). O que importa, de fato, é que temos uma benéfica pluralidade na produção de informação. Tenho minhas dúvidas se os generosos (mesmo!, sem ironias) produtores de conteúdo serão o centro de produção de notícias de forma sistematizada. Como processo, isso pode chegar lá, mas também pode não ocorrer.

renato, às vezes também acho que o debate fica "politizado" demais, no sentido de as pessoas raciocinarem mais em função da posição que ocupam que a partir do que consideram ser o melhor para a sociedade. Também acho que não existe crime na indústria da informação e nem em qualquer empreendimento comercial. A busca pela remuneração é um grande catalizador de esforço e estimulante da inovação. É só curioso observar alguns veículos que trabalham por seus leitores, como é o caso da revista Economist. É uma publicação que sempre problematiza, sempre convida à reflexão. E paralelamente observar um noticiário qualquer da TV e se perguntar: por que esse espectáculo todo? A quem interessa dar tanta atenção ao caso da menina que caiu do prédio? Será que estamos fazendo bem à família? Que pesadelo alguns deles devem estar vivendo? E por qual motivo? Percebe?... De todo modo, concordo contigo. Existem jornalistas que dariam excelentes blogueiros e blogueiros que poderiam estar nas redações desses noticiários sensacionalistas. E vice versa. ;-)

Olá! Esta é minha segunda tentativa de publicar o comentário, espero que desta vez chegue. Minha contribuição era só para comentar que essa discussão de que a web é não lucrativa eu já havia iniciado em 2001 em um artigo que escrevi. Envio o link e espero que gostem!

Linkania e o religare: http://tzatziki.wordpress.com/linkania/

abraços do estraviz

oi estraviz, li o post. eu só acrescentaria que não é o fato de nao ter dinheiro envolvido que não exista interesse na mobilização. a colaboração altruista acontece, mas existem outros fatos, geralmente relacionados a uma contra-partida.

valeu pelo comentário!

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