Divulgação: UMA ANTROPOLOGIA DO CIBERESPAÇO E NO CIBERESPAÇO

Recebi a informação e estou repassando para contribuir com essa visão de que a antropologia oferece ótimas ferramentas para se pesquisar e para se analisar a internet.
Solicitamos divulgação, junto a seus colegas e alunos, do chamado para o GT sobre Antropologia da Cibercultura na próxima RAM, Reunião de Antropologia do Mercosul, a realizar-se de 10 a 13 de Julho na UFPR, em Curitiba, no Paraná.
As inscrições de resumos devem ser realizadas somente através do site da RAM: http://www.ram2011.org/
Coordenadoras: Dra. Eliane Tânia Freitas (UFRN) y Dra. Marian Moya (Univ. de Buenos Aires) A antropologia do Ciberespaço, da Cibercultura e do Consumo de Tecnologias Digitais no mundo contemporâneo começou a ocupar um lugar central no nosso campo disciplinar. Este protagonismo, sem dúvida, caminha junto com a importância das novas tecnologias na vida cotidiana das pessoas, em todos os setores sociais, políticos e culturais. A reflexão proposta por este GT não somente quer problematizar a epistemologia, a dimensão conceitual vinculada às TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação), mas também explorar as potencialidades e limites do trabalho de campo “online” e da chamada “experiência etnográfica virtual”: em contraste, comparação e complementariedade com a etnografia presencial. Por outro lado, neste GT esperamos discutir em dois níveis, diferentes mas complementares: os aspectos e as experiências do ciberespaço e no ciberespaço. No primeiro caso, serão enfatizados os aspectos operacionais, tecnológicos e cognitivos do consumo das diversas plataformas de redes sociais. As seguintes perguntas orientarão nossas discussões: de onde vem o desejo ou a necessidade de criar e manter um perfil no Facebook, Twitter, Orkut, Linkedin, etc.? Para quê investir tempo, esforço, criatividade em um blog? Por que algumas plataformas são mais populares do que outras? Qual o fator preponderante na hora de optar por um site ou outro: necessidades específicas, acessibilidade (disponibilidade material e de capacidades simbólicas para operar online), praticidade? No segundo nível, discutiremos a modalidade e características próprias das interações sociais que cada uma dessas plataformas propõe e promove, as possibilidades, os novos valores, a construção de novas sociabilidades, as limitações e os efeitos (políticos, ideológicos, socioculturais) que as novas tecnologias possam estar trazendo para a vida social. Em suma, o GT propõe uma reflexão, um debate e problematização do repertório teórico-metodológico dos temas vinculados à antropologia no e do ciberespaço, da relevância das TIC’s na vida cotidiana, da construção de outras modalidades de relacionamento social a partir das redes sociais e das vantagens e dificuldades apresentadas pela etnografia virtual ou “online”. Naturalmente, esta proposta não esgota o espectro de tópicos de interesse possíveis nesta subárea disciplinar relativamente nova. Por isso, outros pontos de vista, enfoques, perguntas etc. que estejam além dos propostos aqui serão também bem vindos em nosso grupo.

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As motivações diferentes de quem copia e compartilha livros ilegalmente na Internet

Há diferenças marcantes na maneira como a tecnologia digital está afetando a indúsitra do livro em relação a como o mesmo aconteceu para músicas e filmes.

- Dá trabalho: está cada vez mais fácil digitalizar um livro em casa, mas mesmo assim o esforço é muito maior do que o de copiar um CD ou um filme. Isso quer dizer que o produto que será compartilhado pela internet será diferente.

O livro a ser copiado não é o mais popular, não é o bestseller, mas o mais necessário.

Um estudante anglo-americano se dá ao trabalho de digitalizar um livro porque vai precisar muito dele e não pode ou não quer gastar os tubos para comprá-lo.

Estamos falando de manuais de referência caros e livros relacionados nas listas bibliográficas dos cursos universitários.

As opções dele são: A. Investir para tê-los em casa; B. Depender do exemplar disponível na biblioteca; C. Gastar uma tarde para escanear, página a página, o conteúdo para o formato digital e poder: 1. ter o material à disposição, 2. sem peso físico para transporte, 3. e com a possibilidade de fazer busca direta de conteúdo.

Depois de digitalizado, a cópia passa a ter as mesmas propriedades de qualquer outro arquivo digital: pode ser copiado com mínimo esforço e sem prejuízo de qualidade em quantidade ilimitada.

O próximo passo desse arquivo, portanto, pode ser ele ser distribuído nas redes de colegas de curso. De lá, dependendo de sua importância, ele chega a sites de compartilhamento abertos e o conteúdo passa a ser facilmente encontrável.

Quanto maior for a importância desse título para estudantes, mais ele será distribuído e copiado.

- "Motivo nobre": A justificativa principal de quem baixa ilegalmente um livro é mais nobre do que a das pessoas que baixam música e filme. O livro, no caso, não será usado para diversão, mas será um auxiliar precioso para a melhora da performance acadêmica do estudante.

Ele ou ela baixam o livro porque querem estudar, porque têm interesse, porque querem ser melhores profissionais, porque são pressionados para disputar lugar no mercado de trabalho, porque querem ter as citações corretas e completas em suas pesquisas.

É difícil argumentar para o estudante que mora onde não existem bibliotecas públicas de qualidade e que tem pouco poder de compra que ele não pode ter acesso a livros que os ajudariam a prosperar.

Ele ou ela podem inclusive responder para você que, ao baixar livros grátis, está se investindo no crescimento do mercado consumidor porque, melhor formadas, essas pessoas terão mais poder de compra.

A indústria do livro é mais identificada com idealismo e amor à arte do que gravadoras e grandes estúdios de cinema, vistos como empresas comuns interessadas apenas em fazer dinheiro. Mas o cálculo que o usuário faz é: como eu já não ia comprar, ninguém terá prejuízo se eu baixar a obra.

Esse raciocínio pode não ser verdade para editoras universitárias e editoras de menor porte que publicam obras contando com a demanda de compra do público universitário. Livros acadêmicos e pesquisas com menor apelo comercial poderão deixar de ser disponibilizadas ao público dessa forma.

Boca a boca - Parece que existe um receio, por parte do usuário, pela fragilidade dos espaços online para o compartilhamento ilegal de livros. Parece que os usuários preferem tirar proveito desses serviços e falar sobre isso apenas dentro de seus círculos de relacionamento, para reduzir o risco do espaço em questão ganhar notoriedade, seus organizadores começarem a ser investigados e a fonte secar.

Mas o fato é que as ferramentas de digitalização de livros estão disponíveis para usuários comuns e que o volume de obras disponíveis pela internet tende a crescer, favorecido pela disponibilidade de serviços anônimos de compartilhamento de arquivos, muitos deles usados e aprovados por representantes de outra indústria, a da pornografia, acostumada a existir nos cantos escuros da internet.

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8 dicas para encarar a carga de leitura da pós-graduação

Aprender é uma coisa. Outra coisa é aprender a aprender. Não basta saber ler e sentar em sala de aula. Existe um intermediário na relação entre você e o conhecimento, o seu corpo, e tenho a impressão que isso às vezes não é considerado.

Segue, então, algumas dicas para quem está pensando em voltar a estudar ou já voltou e ainda está procurando seu ritmo, principalmente em relação à prática da leitura:

1. ler para um curso não é o mesmo que ler por prazer, os temas são impostos a partir da proposta do curso e pode acontecer de eles não terem a ver com os seus interesses. Isso quer dizer que você precisará de mais concentração para chegar ao final.

2. as revistas científicas impõem limite de tamanho para aceitar os artigos submetidos. Isso quer dizer que o autor vai espremer dentro daquele espaço o máximo que puder. Isso significa usar referências em vez de explicar assuntos paralelos ao tema e também subtrair exemplos desnecessários. Resultado: dá mais trabalho ler.

3. quando for estudar, antes de começar a ler, dê uma geral nas suas obrigações do dia e da semana. Isso inclui ver quantos textos você tem para ler, quantos você acha que conseguirá ler no dia e que ordem vai seguir de maneira a mesclar os textos mais difíceis com os mais leves.

4. na hora de começar a leitura de um texto, antes de mergulhar nos parágrafos, dê uma passeada pelo conteúdo. Passe página a página, leia com cuidado os títulos e subtítulos já tentando advinhar a lógica do argumento do autor.

5. não comece a ler um texto sabendo que terá que interromper a leitura. Quando eu fiz isso, fiquei com a sensação de ter concluído físicamente a tarefa sem ter concluído a experiência, sem ter extraído o que eu deveria desse esforço, e isso traz frustração porque é tempo desperdiçado.

6. na hora que você terminar a leitura, produza um resumo de até dois parágrafos explicando (para você mesmo) o que você apreendeu do texto. Esse momento é fundamental porque nesse esforço de explicar e sintetizar ideias, a gente introjeta o conhecimento.

7. inclua, na sua programação de estudo, tempo para descansar a cabeça. Apesar de não ter músculos no cérebro, a cabeça também cansa e perde rendimento. Eu sei que isso está acontecendo quando perco a capacidade de acompanhar o raciocínio do autor. Tome uma água, dê um tempo. Insistir na leitura significa acumular frustração.

8. considere que para tudo existe uma curva de aprendizado e que o começo costuma ser frustrante, por mais que você esteja interessado no curso e no assunto das aulas.

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Sobre o nhé-nhé-nhé corporativo em relação a direitos autorais

Um amigo que trabalha para uma empresa fundada no comércio de conteúdo informacional - e que, consequentemente, depende da existência de leis de direitos autorais para ganhar dinheiro - tem me provocado de forma amigável para debater a legitimidade ou não do download de material proprietário.
O argumento dele ecoa o de muitos outros que representam os mesmos interesses: a não remuneração lesa e desestimula aqueles que dedicam tempo e criatividade para produzir esse conteúdo, seja ele um programa, um filme ou uma música. A consequência disso seria, segundo essa visão, prejudicial para a sociedade na medida em que quem hoje produz tenderá a deixar de fazê-lo.
Clay Shirky é um dos comentaristas do assunto que colocou esse problema em perspectiva referindo-se a uma situação parecida vivida na Europa durante os séculos 15 e 16. O advento da tecnologia de publicação com tipos móveis inventada por Guttenberg tornou obsoleto o trabalho - até então absolutamente necessário - dos chamados monges copistas. Argumentos parecidos foram usados para defender a permanência do sistema anterior, mas o novo modelo prevaleceu.
A Internet, como muitos estão cansados de saber, trouxe, a baixo custo, a possibilidade de acesso a um canal para a comunicação grupal de alcance massivo. Isso representou uma mudança inesperada na forma como se joga o jogo da comunicação em função da entrada de novas regras, entre elas, a de que um produto digital pode ser copiado e distribuído infinitamente a preço (quase) insignificante, de forma rápida e sem perda de qualidade.
Geralmente fala-se mais concretamente dos prejuízos da indústria pela disputa sobre o modelo de distribuição de conteúdo. Como meu amigo lembra sempre, como é possível estimular o esforço se não há remuneração? Vou registrar, então, um caso - infelizmente pessoal - de consumidor lesado em função dessa disputa.
O exemplo clássico é o do dono do IPod que não pode baixar pelas vias oficiais as músicas que tem dentro do equipamento. É uma decisão do fabricante - a Apple - para, levando em conta antecipadamente a possibilidade de uso ilícito por alguns consumidores, impedir o compartilhamento do conteúdo. Essa situação, apesar de ser relativamente comum, dá margem para defesa: o dono do IPod tem os CDs ou, se comprou, pode baixar o conteúdo do site sem pagar. Mas como fazer quando esse mesma mesma armadilha prejudica o trabalho criativo de quem usa o equipamento?
Por exemplo: ontem à noite fui fazer a atualização do sistema operacional do meu IPad. (Esclareço que sou um “cidadão exemplar” no que concerne à maneira como utilizo esse equipamento. Respeito sem reclamar as travas na arquitetura do produto, pago todos os aplicativos que considero úteis e confiava que receberia o mesmo tratamento da Apple.) A atualização não deu certo, o equipamento travou, a única solução indicada pelo fabricante era reinstalar o sistema operacional - o que implicava em apagar tudo o que tinha dentro. Aceitei a solução confiando que poderia restaurar a configuração anterior usando essa funcionalidade do próprio ITunes. Mas nada disso funcionou.
O que eu faço? Processo a Apple por um conteúdo que não existe mais? Qual é a perspectiva que eu tenho de vencer uma disputa judicial contra uma empresa desse tamanho sendo que mesmo os meus recursos de tempo são limitados. E como provar o valor do que estava ali dentro e como quantificar esse valor?
Já adianto a resposta: o que eu perdi não tem valor porque não pode ser ressarcido. Foram embora os PDFs anotados de duas disciplinas e dois grupos de estudo do meu curso de mestrado. Os PDFs eu tenho guardados, mas os sublinhados, os comentários no canto das centenas de páginas lidas nos últimos dois meses, isso desapareceu para sempre. Mais do que o valor abstrato que esse conteúdo parece ter, essas marcações teriam a função prática e objetiva de facilitar o meu acesso a determinados trechos de informação e a reflexões para a produção, por exemplo, das avaliações das disciplinas que estou cursando e também da dissertação que vou escrever. Que preço tem isso? 
Não vou dizer que vou vender o IPad. Acho que ele continua sendo um produto útil. E, sim, vou tomar mais cuidado da próxima vez, mas também da próxima vez vou levar em consideração, na hora de escolher um tablet, se o equipamento trava ou facilita o backup de conteúdo. Porque o IPad, pela forma como está configurado, força ou comanda o usuário - particularmente o com menos conhecimento técnico - a depender do ITunes para fazer backup. Uma tarefa relativamente fácil, que seria copiar para um lugar seguro os meus preciosos PDFs comentados, se torna complexa e dá margem a esse tipo de efeito colateral.
Se a empresa não é capaz de garantir o bom funcionamento do produto nas condições que ela estabelece e se a empresa encherga seus interesses como sendo contrários aos de seus consumidores, não deve exigir o “bom funcionamento” do consumidor em relação à tomada de atitude para defender os interesses deles.

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Apesar do IPad, continuo consumindo livros de papel

Vira e mexe encontro textos defendendo o livro de papel. Me parece assunto oco. Não me pergunto se o livro de papel continuará existindo ou se será substituído pelo ebook reader. Nessa órbita de assuntos, os problemas interessantes são:

-  Qual é o grau de controle que o leitor terá do produto que comprar?

- Qual será a nova função a ser desempenhada pelas editoras no momento em que coordenar impressão e distribuição deixa de ser necessário?

- E ainda: o conceito de livro enquanto artefato para a transmissão de cultura sobreviverá ou se transmutará, por exemplo, em algo parecido com jogos ou quebra-cabeças narrativos, pela aplicação da interatividade e da animação?

O problema de ter o texto impresso em papel, o carinho pelo objeto físico, é compensado por outras vantagens: ter dicionário integrado para consultar instantâneamente, poder ajustar o contraste da página e - difícil de conceber -ter sempre a própria biblioteca a tiracolo.

Li recentemente anúncios da Amazon e da Pearson sobre crescimento expressivo na venda de ebooks, mas, ao contrário de trazer estabilidade, a mudança de plataforma de papel para digital deve aumentar a instabilidade no setor. É uma opinião fundada em experiência direta.

Um dos estímulos para comprar o IPad foi para fazer esse salto e, para a minha surpresa, depois de um mês, ainda não comprei nenhum ebook contra quatro novas aquisições impressas.

Movido pelo desejo de comprar livros automaticamente a partir de uma (supostamente) quase infinita variedade de opções, investi algumas horas nos últimos 30 dias tentando encontrar algo para ler no catálogo de ebooks da Amazon. E nada.

Uma parte do problema tem a ver com preço. O livro de papel tem um componente físico que aparentemente faz com que o preço dos itens seja parecido, digamos: algo entre US$15 e US$25. Já o ebook varia de grátis, passando pelos bem baratos - em torno de US$1 - por serem conhecidos e com copyright vencido, até os que valem mais de US$10.

Isso prejudica o sistema de avaliação que é uma das vantagens oferecidas pela Amazon. Livros grátis e quase grátis tendem a ser muito mais adquiridos, mas, nesse caso, “mais vendido” não é um indicativo preciso de novidade interessante.

Há outro elemento que dificulta a experiência de compra: no mercado americano, o livro é disponibilizado em dois momentos, primeiro como capa-dura, que é mais caro, e meses depois como capa-mole. E parece que o ebook só fica disponível junto com a edição mais batata.

O resultado é que a publicidade para o lançamento do livro não serve para alavancar a venda dos ebooks, que neste ponto ainda não estão disponíveis. Quando eles finalmente aparecem, a ferramenta de busca por avaliação, pelo motivo descrito acima, não serve para diferenciar as novidades bacanas dos muitos outros volumes com preços variáveis.

Já a experiência de ir a uma livraria tem sido um tormento, mas pelo motivo oposto: há estantes, os livros mais novos e interessantes estão em destaque e após uma passagem de olhos já estou fisgado. Em minutos descubro coisas que passaram a fazer falta quando eu descobri sua existência.

A aceleração do crescimento da venda de livros se deu APESAR da indisponibilidade de prateleiras digitais eficientes.

Fico me perguntando como está o cotidiano das pessoas que tem vivido esse processo, cada vez mais levados à beira do abismo de ter que mudar a hierarquia do produto, transformando o ebook em prioridade.

Milhares de livros disponibilizados a baixo custo, em formato digital, e seus produtores tendo que sobreviver comercialmente frente a possibilidade de popularização de softwares para quebrar a proteção desses arquivos e disponibilizá-los nas redes abertas de compartilhamento.

Enfim, talvez o livro deixe de ser a galinha de ovos das editoras e se torne a isca “freemium” para algum outro modelo de negócio que envolva, por exemplo, algum tipo de curso online. Por que não?

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O que é que o IPad tem?

Eu não fui com a cara do IPad de princípio, mas pessoas muito inteligentes e espertas que eu conheço compraram e ouvi de uma delas que considerava-o um produto revolucionário.

A oportunidade apareceu para eu comprar um desses “IPhones tamanho família”, como escutei alguém explicar do que se tratava o IPad para o amigo do lado.

Sim, ele é ergonomicamente feito para ser usado em movimento. Você já tentou usar um laptop enquanto espera em uma fila de banco?

Sim, o monitor é sensível e tudo é ajustado e comandado segundo o contexto do programa que está sendo usado.

E sim, ele funciona bem para quem quer ler material em PDF ou consumir ebooks.

Mas esses não são, para mim, o que está na raiz da inovação trazida pelo IPad. (Aliás, é um produto que geralmente passa a fazer mais sentido a partir do uso cotidiano. É difícil “sacar” o IPad sem explorá-lo no dia-a-dia.)

A grande mudança trazida pelo IPad - e isso talvez seja lugar comum para usuários de IPhone - é a transformação do conceito de “programa” - o que é e para que serve.

Para o usuário comum de computador, o programa tem pelo menos duas características: é um arquivo pesado e é caro. Logo, comprar (ou baixar) e instalar um programa requer um grau de expertise no manuseio da máquina.

Nos acostumamos a tratar programas como uma espécie de louça cara e que deve ser mexida (instalada ou desinstalada) com atenção.

O IPhone e agora o IPad re-significaram essa ideia simplificando radicalmente o processo de buscar, instalar, testar e depois comprar um programa. E eles deixaram de ser coisas grandes e caras que fazem dezenas de coisas para, a um preço acessível, se tornar pequenos resolvedores de problemas pontuais.

Um estudante universitário vai encontrar várias alternativas que sirvam para ajudalo naquilo que é peculiar à sua rotina e hábitos. Um engenheiro terá outros aplicativos à disposição, e assim por diante.

Por muito pouco, o IPad não substitui o computador. Pode substituir, mas faz falta uma saída USB. E em muitos outros aspectos, o que ele entrega para o usuário é superior ao que mesmo um laptop pode fazer.

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protoantropologia 02: como ler um livro?

o argumento do autor é que há livros que não precisam ser lidos do começo ao fim. “a gente nunca vai entender absolutamente tudo, certo?” - ele argumenta.
vou resumir a técnica dele a seguir, mas fica o registro, nao sei se por costume - ou preguiça, moralismo ou, sei lá, rebeldia, virtude - mas uma parte de mim resiste a essa proposta.
parece que estamos no fastfood do mundo acadêmico. devore a maior quantidade possível de informação ou seja devorado. e a história do movimento slow? apesar de eu ser super ansioso e agitado, talvez neste caso eu ainda não tenha entrado na onda.
é utópico querer desfrutar do que se faz? se essa dinâmica é um dado de realidade, por isso temos que aceitar essa realidade? ou a realidade está doente? [fim do desabafo]
basicamente, a proposta do autor é que a leitura seja feita de forma objetiva de maneira a se chegar ao conteúdo desejado/necessário. algumas dicas são:
- fazer tres leituras: a. recolhendo informações gerais, sacando o texto; b. (a mais demorada) refletindo sobre o assunto; c. escrevendo o que se entendeu para fixar o conteúdo e poder encontrá-lo facilmente depois.
- definir metas para terminar a leitura segundo o seu tempo disponível. ele tem como tempo standard para leitura 5 horas para um livro de 250 páginas, incluindo as três partes do processo.
- ele defende a leitura integral do livro, mas dando mais atenção a partes de concentração de conteúdo como introdução, conclusão, começo e fim dos capítulos, ilustrações.
é mais ou menos assim. voce pode ver o texto todo, que tem menos de dez páginas, aqui.

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protoantropologia 01: etnografia do velho novo estudante

de volta à escola. levo na mochila um laptop e um caderno de notas. ainda terei a perspectiva de optar entre um ebook reader e cópias impressas dos textos semanais. e a dúvida é recorrente, em aula ou na biblioteca, e ela é: onde anotar? o costume antigo é anotar no caderno e nas bordas dos livros e das cópias. mas isso invariavelmente encontrará o caminho para o registro digital. e nao se perder, se misturar, sumir, sujar entre agora e o tempo que isso for necessário. também há o tema do retrabalho: para que fazer as coisas duas vezes? por outro lado, me desconcentro fazendo anotaçoes no teclado durante as classes. ps. ah, e ainda vou fazendo anotações em áudio.

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Twitter + Ficha Limpa = ?

Acompanhei via internet ontem e hoje madrugada a dentro, junto com muitas outras pessoas, o debate dos ministros do Supremo sobre o Ficha Limpa - artigo na Wikipedia e site oficial. Não me lembro de ter visto outro caso parecido na história da internet no Brasil: graças ao Twitter, a audiência sabia de si mesma. O tuiteiro e Professor de Direito Penal da UFMG, Tulio Vianna, postou, entre suas muitas mensagens, que "Nunca antes na história deste país tanta gente assistiu a um julgamento do STF. Democrático pra caramba a galera dando seu pitaco jurídico."

O que aconteceu ontem de extraordinário para a Internet -na minha modesta opinião - foi um acontecimento apresentado pelo @cshirky no Here Comes Everybody. Ele fala do contexto que propicia ou facilita ou favorece as insurgências sociais. Uma coisa é eu saber que estou insatisfeito com a corrupção, outra é quando eu sei que os outros se sentem da mesma forma. E outra - e é aí que a situação se transforma - é quando "eu sei que você sabe que eu sei", ou seja, quando existe uma consciência coletiva de que todos pensam da mesma forma, o que nos estimula a agir confiando na proteção do coletivo.

Sabe quando o professor ou o técnico de futebol perde o respeito da turma ou da equipe? As pessoas, mesmo sendo individualmente menos poderosas, passam a funcionar coletivamente, mesmo sem a necessidade de discutir ou organizar acordos ou procedimentos. Elas funcionam como grupo, agem coletivamente. É isso, segundo o Shirky, que produziu o efeito em cadeia que levou à queda do Muro de Berlim.

Foi isso o que eu experimentei ontem de uma forma sem precendentes. Centenas, talvez milhares de pessoas, oferecendo voluntariamente seu tempo de sono na madrugada para assistir o desdobramento da votação do Ficha Limpa no Supremo. E eu sei que eram muitas pessoas porque me lembro de ter visto que, dos dez temas destacados no Trending Topics, a metade ou algo próximo disso dizia respeito ao evento. E as pessoas não estavam apenas falando, elas conversavam. Acompanhar o que os ministros falavam era literalmente tão instrutivo ou mais do que assistir a transmissão pela TV ou rádio. Havia uma mistura muito densa e rica de informação e opinião, descrição e análise. E isso continuou até o fim da sessão, quase às 2 da manhã.

É isso que já se nota acontecendo em conferências quando o público, antes "condenado" ao silêncio da audiência, passa a ter um meio de se expressar e medir a temperatura e as intenções de seus vizinhos. Este é foi um caso clássico. Foi a primeira vez que eu senti isso acontecendo motivado por um tema de interesse coletivo - a outra vez que eu vi no Brasil uma mobilização parecida a ignição foi o último apagão.

Até onde eu entendi, a expectativa é que a sessão seja retomada na quarta ou quinta da semana que vem - é isso, mesmo? Se for, fiquei imaginando a tensão envolvendo esse evento. Será uma final de Copa do Mundo com pessoas comuns - entre elas, advogados, estudantes de direito, juristas - registrando, analisando, dissecando cada fala, cada argumento dos dez ministros do STF, de forma a ajudar e dar munição para a sociedade civil e também os jornalistas para entenderem e criticarem as decisões expressas. Ontem o clima foi quase esse, imagina quando estivermos a três dias da eleição? E ainda com a quantidade de notícia e mobilização que a sessão de ontem já produziu. (No momento em que estou escrevendo, 12 horas depois do encerramento da discussão, "Supremo Tribunal Federal" é o primeiro tópico no Trending Topics, "Gilmar Mendes" e "#fichalimpa" também estão entre os dez assuntos mais falados.

Não consigo antever um cenário de o que vai acontecer na semana que vem, se a sessão realmente acontecer na véspera da eleição, mas acho que os efeitos dessa mobilização serão muito mais notadas e reconhecidas do que a mobilização em si. Uma coisa notável, ainda, em relação à mobilização no Twitter ontem foi o fato de os "oponentes" tucanos, petistas e verdes, para ficar entre os mais numerosos, não brigavam, não se atacavam, ao contrário, agiam como um bloco compacto defendendo a aprovação do Ficha Limpa. Imagina a força disso...

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Download grátis do Para Entender a Internet, Manual do Twitter e parte do Conectado

Estou envergonhado com a bagunça pública que está este blog. Não tenho podido escrever, por um motivo ou outro, depois explico. Esta notinha é só para dizer que em breve pretendo retomar o uso deste espaço para compartilhar ideias, conversar. Por agora, tenho recebido emails de pessoas dizendo que não estão conseguindo baixar o manual do Twitter e o Para entender. Aproveito, então, para republicar esse material.

Prefácio e alguns capítulos do meu Conectado

Manual do Twitter

Para Entender a Internet

Logo nos falamos ;-)

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