O perfil do novo jornalista na Web - um relato de caso

André Passamani, 34 anos, um dos diretores da Colmeia, se formou e começou atuando como jornalista em Vitória, ES. Esses dias, trocávamos idéias sobre o perfil do profissional que está fazendo a internet hoje e ele se lembrou de uma experiência. Fiquei com ela na memória e esses dias pedi autorização a ele para registrar o caso.

Aconteceu no encontro do Sindicato dos Jornalistas de Vitória, preparatório para o evento nacional da categoria. Na discussão sobre condições de trabalho, um dos diretores do sindicato, figura respeitadissima entre os colegas, levantou a bola de que o "tal jornalista multimídia" ia ser uma espécie de burro de carga. Teria que fotografar e escrever. Que o mesmo repórter de rua teria que entrevistar, fotografar e escrever. E o Passamani, ouvindo aquilo, pensava: - mas o meu negócio é entrevistar, fotografar, escrever e, se deixarem, diagramar, editar, ilustrar e ainda fazer a promoção.

Curiosamente - eu comentei com ele -, junto com essa alforria que permitiu à mesma pessoa desempenhar todo o processo produtivo, a Web trouxe também o "net-slave", o jornalista que não entrevista, nem fotografa, não diagrama, quase nem escreve. Para alimentar um canal de notícias, geralmente de portais, ele recebe conteúdo pronto das agências, faz mudanças estéticas e lança na página. É o profissional copy-paste.

Passamani rebateu: - Mas ao contrário do que o colega pensava, o net-slave é o correspondente online de "redator de bancada", um repórter promovido que cansou da rua e vive de dar "tapas" no texto do repórter, seja pra melhorar, pra caber no espaço ou pra fazer títulos e chamadas. Na minha opinião, isso é que é ser burro de carga... Com câmera e laptop, eu cheguei a cobrir sozinho um salão do automóvel durante 7 dias, fazendo ficha de 150 carros. Uma loucura, mas rola adrenalina.




Comments

Com câmera e laptop, eu cheguei a cobrir sozinho um salão do automóvel durante 7 dias, fazendo ficha de 150 carros. Uma loucura, mas rola adrenalina.
"Isto com certeza é ser burro de carga."

Caro Jociamr, discordo. Acho que dá pra chamar "inteligente de carga", na medida em que ele não fez um trabalho rotineiro, não fez maquinalmente. Ele certamente trabalhou bastante. Mas escolheu para onde seguir e exercitou várias técnicas - fotografia, entrevista, redação. Um burro apenas carrega peso, mas não faz mais do que pedem pra ele. Concorda?

Jociamr,

Como disse o Juliano, quis dizer que a ralacao de cobrir um evento traz adrenalina, te tira da rotina. Te poe no olho do furacao.

Cobri 1 salao do automovel. Mas na epoca a minha rotina era mais massante e tao cansativa quanto. Passava horas filtrando material de agencia e fazendo e refazendo capas, repensando edicoes online numa paranoia real-time meio second life (adoro uma frase de efeito sem sentido)

Gracas a Deus nao vivo mais disso. Sou burro de outras cargas ahora.

Um beijo no seu coracao! :-*

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