A diferença entre ser melhor e ser maior: algumas empresas não querem crescer

Será que o caminho natural de uma empresa de sucesso é crescer? A gente tende a achar que sim, mas encontrei este livro cujo autor defende o contrário. Ele foi atrás e descobriu uma série de empresas nos Estados Unidos, atuantes nos mais diversos segmentos, que optaram coinscientemente por não crescer.

Lendo o livro, fez sentido pensar a multinacional como anomalia organizacional sem identidade ou compromisso além de se espalhar movida pelo retorno financeiro, mas existem alternativas a isso. A empresa não precisa ser o contra-ponto da vida, o lugar onde pessoas são peças sobressalentes. (Continua.)

Capa Small Giants
Não gosto do tom "tudo é lindo, se encaixa, tem explicação e faz sentido" do autor. Senti, inclusive, que dava para ele ter feito esse livro de maneira mais concisa, mas mesmo assim a leitura flui e me comovi algumas vezes com as histórias.

Em uma passagem, o dono da maior empresa do país no ramo de armazenamento (storage) visita a CitiStorage, que é um dos cases do livro, e sai impressionado com o entusiasmo dos funcionários. Mais adiante, um dos sócios de outro negócio reflete sobre como, para ele, contribuir com a comunidade e ser produtivo não são coisas separadas.

O autor investiga aspectos particulares de cada organização como transição de poder e busca por modelos de negócio e gestão próprios. Eu, que não sei quase nada de administração, me surpreendi ao descobrir como as organizações podem funcionar de maneiras alternativas às formas clássicos. Isso porque existem vantagens em ser pequeno e, ao invés de aplicar fórmulas, tratar as pessoas como pessoas, cultivar relacionamentos e não ceder o controle da empresa para quem se importa mais com o retorno do que com o saúde da organização.

Talvez você esteja pensando que isso só existe nos Estados Unidos, mas mesmo lá, segundo o autor, elas passavam desapercebidas.

Aqui, a Jorge Zahar Editor é uma empresa que cultiva esse espírito. É muito séria comercialmente, tem um sistema de controle de estoque que mostra, em tempo real, onde cada livro está consignado, mas não publicam um livro só pela promessa de retorno financeiro. Mais do que uma editora, eles são um selo de qualidade, digo isso inclusive como autor.

Enfim, seguramente a Zahar não é a única. E lendo o livro pelo menos a gente - funcionário - passa a ter referências de o que procurar nas organizações. E empresários têm a perspectiva de outros caminhos a seguir, talvez mais recompensantes, para prosperar.

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