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A Internet é grátis, mas a mensagem não tem preço; sobre o encontro entre o professor Lawrence Lessig e a senadora Marina Silva

Por fazer parte da equipe de comunicação da senadora Marina Silva, tenho escutado muita gente se perguntado se ela conseguirá enfrentar uma disputa com pré-candidatos com muito mais tempo de TV.

Ela responde que investirá nas mídias sociais e na internet, mas como sabe que os outros farão o mesmo, diz que aposta no poder de suas mensagens despertarem a paixão.

Hoje a senadora visitou a Campus Party. Depois de passar pelo "batismo digital", foi conversar rapidamente com o professor e jurista Lawrence Lessig -- internacionalmente conhecido pela criação e defesa do Creative Commons.

Por falta de alguém melhor capacitado, eu ocupei a função de tradutor de uma conversa rápida e superficial, que deve ter durado uns cinco minutos, se tanto, e tinha apenas o objetivo de plantar a semente para novos diálogos.

Depois que o encontro terminou, fui me despedir do professor Lessig e ele me pediu para dizer uma última coisa para a senadora: que eles dois tinham lutas irmãs, a dela para que a floresta seja um bem de todos e a dele, para que o mesmo aconteça com a cultura.

Mais tarde, por email, ele me mandou um link explicando mais precisamente o que é o "ambientalismo cultural" ao qual ele se referia: http://lessig.blip.tv/file/1940325/. E acrescentou: "Boa sorte. Como eu disse, ela é uma inspiração para o mundo inteiro."

E aí está um pequeno exemplo disso que a senadora vem falando. Todos os que participarão da campanha presidencial terão a internet, inclusive porque é uma plataforma de acesso gratúito, mas a mensagem que apaixona é algo mais complexo de se conseguir.

À noite, depois de sua palestra na Campus Party, o professor Lessig registrou o encontro pelo Twitter:

Ele escreveu: "Marina Silva faz a história de Obama parecer fácil. Cresceu na floresta, aprendeu a ler aos 16." E completou: "os programadores da Campus Party podem fazer da campanha dela uma realidade."

Isso é despertar a paixão, é ter alguém desse calibre de importância oferecendo publica e espontaneamente o seu prestígio por sentir-se comovido pela mensagem.

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O que vocês acharam do Flashmob que aconteceu esta madrugada na Campus Party?

por acaso acabei ficando até mais tarde ontem na campus party. estava esperando carona e cansadíssimo.

estava trabalhando numa tradução quando olho para trás - eu estava virado para a parede - e vejo uma ola feita com cadeiras ao ar.

pena mesmo eu ter estado cansado, queria ter investigado melhor. perguntei ao @renatotarga, que estava observando aquilo sem expressão de surpresa - acho que poucas coisas merecem o olhar surpreendido do renato - e ele disse:

- é algum tipo de flashmob...

Flashbull?

suspeitei que pudesse se tratar de um efeito colateral do consumo massivo de red bull, que aqui, é como água. e isso parece que foi ao menos um dos motivos da manifestação. digo isso porque em um momento, ouvi um grupo, durante a performance, entoar o refrão:

- mais red-bull, mais red-bull...

no sentido mais perverso, vi na ação uma especie de manifestação grupal do personagem Beavis, quando comia açucar demais incorporava um ser ao mesmo tempo visionário e esdruxulo chamado Great Cornholio, mistura de Allen Guinsberg e xamã, possuído e alucinado.

no sentido otimista, vi pessoas experimentando com as possibilidades da coordenação descentralizada. E mobilizadas, de certa forma, pela peraltice da criança que sabe que está sendo vista.

Ser visto era parte do motivo da mobilização. Aqui na Campus Party, provavelmente a maior concentração percapta de equipamentos de registro do Brasil neste momento, é só fazer alguma coisa inusual que as câmeras, como periscópios manuais, aparecem por todos os lados, supostamente motivadas pelo desejo de registrar o que ninguém tem. (O que, em si, é contraditório na medida em que praticamente não existe privacidade e quase todos têm câmeras.)

tinha uma coisa divertida nesse acontecimento. parecia uma dança ritual e também uma performance. ritual no sentido de que era movimento e canto, ritmo e som. performance porque ia acontecendo, aparentemente sem coordenação.

de repente, era correr com cadeiras ao ar. em seguida, percutir batendo as cadeiras no chão. um determinado canto-chamado logo dava lugar a outro. e tudo isso, eu especulo, acontecia por algum motivo meritocrático, eventualmente por o sujeito que faz a proposta ser visto como líder, eventualmente por a variação proposta ser original e interessante.

a questão é que esse "flash-bull" tinha ou pareceu ter um senso de organização emergente, onde o indivíduo abre mão de sua individualidade (e talvez de seu senso crítico, no bom e no mau sentido), e se torna parte do coletivo, reagindo aos estímulos do grupo ao mesmo tempo em que suas presenças também influenciavam ou podiam influenciar o curso da ação.

enfim, estou curioso para saber mais detalhes sobre o que aconteceu. se alguém tiver inside-information ou tiver participado, por favor, registre a sua percepção/vivência na área de comentários. queria saber como isso começou, se o Twitter teve influencia nisso, etc.

o que eu sinto é que existe um desejo latente e coletivo de estabelecimento dessa ordem grupal. parece que estamos flertando com a idéia de corpo coletivo emergente dessa possibilidade de comunicação instantânea, tanto pela Web como ao vivo por estarmos no mesmo espaço, e também por outros estímulos sociais e químicos.

todo mundo quer tocar o nervo que fará o corpo social tremer, quer levar o viral para outro nível, físico e imediato, corpóreo. e pensando nisso, hoje de manhã, me ocorreu a imagem dos arrastões nas praias, o indivíduo organizado mas sem organização central, o mob, o flock.

enfim, fiquei me perguntando como aquilo acabaria, porque eventualmente iria acabar, haja Red Bull. Deve ter acabado com a rotina, com a repetição e com o cansaço.

ps. desculpem a talvez falta de objetividade do relato, é pela pressa, principalmente.

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Campus Party, 5 gigas de lembranças

Foi rápido demais, mas parecia que iria durar para sempre. O dia escorregava e até para um possível TDAH havia estímulos demais. Muita gente, muita máquina, muita palestra, tudo isso interrompido continuamente pelas revistas à mochila para evitar roubos de equipamento.

Eu pretendia aparecer lá no sábado, dia do encerramento - mas ao mesmo tempo não queria. Foi como se o afastamento, a ruptura da rotina para ir a um casamento pela manhã, me tirasse do transe pelo overload total de informação e emoções. E acabou que na madrugada de sábado, em sincronia perfeita com o encerramento do CParty, meu corpo relaxou e peguei uma gripe daquelas, com direito a tremedeira, dor de garganta e nas juntas, e dificuldade para dormir por causa da suadeira e da corisa.

Muitas coisas boas aconteceram, mas algumas coisas ficaram desencontradas, varridas para debaixo do tapete. Acho que vale a pena fazer pelo menos este balanço publicamente.

Abertura do Campus Party Brasil - uma vivência shamãnica

Sei lá, muita gente deve ter disponibilizado as imagens deste mesmo evento, gravada por perspectivas diferentes e com qualidades diferentes. Mesmo assim, me esforcei bastante - veja abaixo - para disponibilizar esse material.

Para resumir: o arquivo abaixo traz a íntegra do evento de abertura do Campus Party Brasil. Têm aproximadamente 40 minutos. Inclui a apresentação artística e os discursos. Mas isso não diz quase nada. Quase não justifica o trabalho de assisti-lo. Então, o que justifica?

Seguinte: subiram no palco dois caras de Barcelona para fazer funcionar uma tal de reactable. O que voce enxerga é a projeção de um círculo azul na parede. Parece uma coisa de shamã. Eles colocavam objetos sobre essa superfície e cada um deles produzia um tipo de som. Não o mesmo som, mas um que se relacionava com o gerado pelos outros objetos.

Não precisa fazer muito esforço para entender. Veja o começo do vídeo. Não foi só isso o que aconteceu. No palco, como convidado estava o ministro da cultura Gilberto Gil, que como discípulo da deusa Musa, quis entrar na farra, primeiro improvisando, em seguida, encaixando frases de canções brasileiras, de Dorival Caymmi, por exemplo.

E não termina aí. Se terminasse, já valia. Mas do fundo escuro do salão imenso do primeiro piso do prédio da Bienal apareceu um grupo da escola de samba Nenê de Vila Matilde. Completando, participando, integrando, repercutindo, costurando, remixando os outros dois sons. Uma reunião improvável que - como diria o Velho Guerreiro - rrrrrealmente tinham a ver com o espírito desta reunião.

Então, sem mais palavras, com vocês, isso:

Untitled from juliano spyer on Vimeo.

História de como este arquivo quase não sobreviveu.

Demorou. Demorou pra caramba. Quase desisti. 236 mega de arquivo de vídeo para subir no YouTube.

Tentei hoje pela manhã. Esperei, sei lá, umas duas horas, e nada dele concluir o carregamento. Desisti.

De noite, início da noite, no meio de uma sessão meio-BarCampeana sobre TV e web, aproveitei pra conectar o computador nessa giga banda larga. Quase uma hora passou e nada. A conversa terminou e nada.

Mas como o assunto era web e tv, resolvi compartilhar com as pessoas o motivo da minha frustração. Eles se animaram e se ofereceram para ajudar.

Estávamos procurando uma maneira de compactar o arquivo, mas depois de uns cinco minutos, já passava de 8 da noite, e eu desisti pensando que perderia a hora do jantar.

Estava me despedindo das pessoas e fechando o computador quando vi: o upload tinha terminado.

(Aliás, só para registro, estava terminando essa gravação ontem à noite quando apertei um botão errado e fui dormir achando que tinha perdido toda a gravação. Sim, foi praticamente um milagre essa gravação ter chegado ao 'infomar'.)

Campus Party: trocar arquivos é como trocar figurinhas

Engraçado: às vezes a gente só percebe que tem um assunto interessante para contar quando conversa distraidamente com outra pessoa.

No caminho para cá hoje, jogando conversa fora com o Dória, contei a ele do meu jantar ontem com dois campuseros no refeitório do prédio. Eles estavam empolgadíssimos com a banda de acesso à internet - 5 giga. Acho que um deles falou que tinha conseguido mais de um mega por segundo de velocidade de download. (Não sei exatamente quanto, mas era uma cifra estupida para o que estamos acostumados.)

Contei para eles do primeiro capítulo do livro The Big Switch, em que o autor compara o desenvolvimento da eletricidade ao do acesso à internet, especulando que logo a oferta de acesso será parecida com a distribuição de eletricidade. Internet saindo da tomada, quanto você quiser e puder consumir... Isso me deixou pensando nesse horizonte menos óbvio em relação a como deveremos em poucos anos viver trocando milhares de terabites por segundo.

Que tanta informação será essa? O que faremos com ela?

Mas voltando à conversa de ontem com os campuseros, eles relataram ter visto a farra do download. (Eu já tinha ouvido falar que a possibilidade de baixar coisas da internet era um dos principais atrativos, junto com a oportunidade de jogar, de eventos como o CP.) Viram um pessoal com dezenas de DVDs virgens, gravando quilos de todo tipo de informação.

Contei isso pro Dória e ele fez uma comparação interessante. Eu me perguntava sobre a função desse conteúdo todo. O que fazer com tanto filme, tanta música, tantos livros e capítulos de seriados, tantos programas? E ele respondeu: eles trocam, esses arquivos são como as figurinhas que a gente colecionava e trocava as repetidas para completar o album.

A diferença é que este é um álbum interminável.

Campus Party: largamos

O blogueiro Tiago Doria dentro do 'aquário' reservado à imprensa na área de atividades do CP.
tiago aquario

Fizemos no Radar uma promoção. Os participantes mais ativos durante um período determinado ganhariam ingresso para o CP. Aqui está essa galera, todos animados e com vontade de explorar... Combinamos manter contato pelo site. ganhadores radar

Fila do credenciamento. fila credenciamento

Muita gente conhecida na seção CampusBlog. É legal ver as pessoas juntas. Acho que esse evento, só pelos encontros, pelas trocas, vai semear projetos que vão aparecer bem mais pra frente. campus blog

Entrevista com Paco Regageles, co-fundador do Campus Party

Paco Regageles é um dos co-fundadores do Campus Party na Espanha. Nos conhecemos no final de novembro. Ele estava em São Paulo acompanhando a produção do evento aqui e eu tinha ido à sede brasileira da Futura, associação organizadora do CP, para uma reunião sobre atividades para blogueiros.

Desde 27 de novembro, trocamos quase vinte mensagens, cada resposta conduzindo a perguntas novas. Não foi uma entrevista padrão. Não fiz pesquisa prévia sobre o CP nem sobre ele. Também não mandei um formulário pronto. Fomos conversando.

Qual a relação do Campus Party com as LAN parties que se disseminaram pela Europa junto com a internet em meados dos anos 1990? Como uma fundação sem fim lucrativos promove um evento desta dimensão e de onde vem o dinheiro? Por que acontece em Portugal uma versão não-autorizada do CP? E por que é fundamental levar o computador para aproveitar o evento? Nossa conversa atravessou esses assuntos e outros.

Não deixe de comentar no final da leitura.

Pedido de ajuda para preparar uma oficina sobre blogs para o CP

Estou preparando uma oficina para apresentar no Campus Party Brasil em fevereiro. O tema é: a tecnologia não faz o blog.

Soluções como o Blogger são tudo o que uma pessoa normal, com um pouquinho de experiência na internet, precisa para criar seu blog. (E depois podem optar por outras plataformas, como o WordPress.)

Minha aposta é que o mais difícil no blog é encontrar temas - não qualquer tema, mas aquele que realmente, intrinsecamente interessa à pessoa.

Esse tema pode parecer a coisa menos "nobre" do mundo. Às vezes a gente se pega dizendo: quem é o louco que faz isso e até a pessoa brinca com isso, como é o caso da Louca dos Gatos. Outro que é tão simples quanto genuíno, original, é o The Face Hunter.

Quem souber de blogs como esses, despretenciosos, geralmente feito por pessoas que nem sabem o significado da palavra 'monetização' e nem pensam nisso, por favor, deixe um comentário neste post ou me escreva: juliano arroba naozero.com.br. E quem tiver comentários, sugestões ou quiser mandar links ou sugestões de leitura, escreva também. Vou creditar toda ajuda que receber.

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