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Ano novo, novos rumos

A primeira pessoa que me fez reparar na então ministra Marina Silva foi a minha tia Márcia, geógrafa, doutora em educação indígena, que, na época, estava trabalhando no Ministério do Meio Ambiente. Meu tio Paulo, agrônomo, com seu jeito reservado, também falou da Marina com admiração especial.

Tenho pensado muito neles nesses últimos dias, desde a semana passada, quando fui convidado e aceitei o desafio de participar da equipe de comunicação de acompanhará a senadora de agora até o final da campanha presidencial em setembro ou outubro deste ano.

Estou muito contente pela oportunidade de me integrar a uma equipe diferenciada para atuar usando as mídias sociais para um projeto em que eu acredito.

O cenário é promissor. Será a primeira eleição no Brasil em que a lei eleitoral não inibirá (tanto) o uso da internet nas campanhas. Some a isso o fato quase 60 milhões de brasileiros estarem usando a rede e de existirem mais de 150 milhões de celulares ativos no país. Isso significa que as fórmulas antigas de campanha já não são receitas infalíveis de sucesso.

Eu poderia falar de muitas formas, apresentando detalhes e recorrendo a jargões, sobre a nossa proposta para a utilização de ferramentas de mídia social, mas ela se resume a dois elementos: escancarar os canais para escutar a sociedade e, junto com isso, ajudar as pessoas que quiserem participar voluntariamente deste esforço.

É simples falar assim e é relativamente simples de se fazer algo assim, mas nem todo mundo quer se dar ao trabalho ou quer correr o risco de abrir um canal sobre o qual não se tem controle. No nosso caso, isso não é uma opção nem um problema, é a nossa principal força.

Do outro lado do ringue está a TV, historicamente a principal forma para se chegar ao eleitor. Ela é muito poderosa por sua abrangência no Brasil, mas tem uma limitaçao em relação às novas mídias. Enquanto a TV é boa para reunir pessoas com interesses comuns, a Internet, além de também servir para formar grupos, ainda reduz radicalmente as barreiras para eles se relacionarem.

A visão de que o consumidor (e eleitor) é preguiçoso -- não quer se envolver, não se interessa por política e prefere ficar em casa controlando a TV da poltrona -- perde força na medida em que se abre a perspectiva de compartilhamento do controle.

Permitir que as pessoas participem, não da maneira como você quer, mas aceitando escutar e conversar, é o segredo mais difundido das campanhas de sucesso na Internet. E é assim que pretendemos usá-la.

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Para onde o blog e o blogar estão indo - eis minha aposta

BlogueiroFaz tempo que este blog está em processo de mudança. Devo ter postado alguma coisa sobre isso, mas estava esperando o processo principal de implementação de novas funcionalidades estar concluído para publicar/compartilhar.

A idéia central é que apesar da mídia social ser um assunto muito importante na minha vida, existem várias outras coisas que me interessam também e que eu tenho vontade de compartilhar. Ao invés de ser uma "revista de um homem só", quis fazer deste espaço a minha presença online.

(Isso é fruto da percepção de que as redes de relacionamento podem ser constituídas de maneira descentralizada por blogs interligados pela conversa de seus autores. E também da sensação de que blogs de pessoas se valorizam pela informalidade, por se despirem dos cacoetes institucionais.)

Isso se materializa na prática incorporando a este blog outros tipos de conteúdo, mas com a preocupação de que isso fique localizado em um espaço separado de maneira a não confundir quem só esteja interessado nas reflexões e informações sobre Web colaborativa.

Segue a relação das mudanças junto com ligeira explicação sobre o motivo de cada um.

Outros interesses: Usei o Friedfeed para juntar os meus rastros na rede, incluindo: links salvos no delicious, fotos compartilhadas no Flickr, atualizações referentes à vida profissional no LinkedIn, alguns comentários enviados pelo Twitter, itens marcados para a minha wish-list na Amazon, vídeos favoritados e próprios no YouTube, entre outras coisas.

Essa informação está aparecendo na coluna da esquerda.

Postagem pelo Tumblr: O Tumblr facilita o processo de registro de coisas interessantes que vamos encontrando ao navegar pela Rede. Você acha uma coisa bacana, clica no botão que aparece no navegador e o serviço envia o conteúdo da página para uma espécie de blog.

Agora, o "motor" do NãoZero, a cada hora, checa a minha página no Tumblr para ver se tem alguma coisa nova e se tiver, traz para este blog. Assim, vou poder compartilhar coisas pequenas, passageiras, que, do contrário, ficariam de fora porque daria muito trabalho abrir o admin do blog para fazer o post.

Acesso móvel: Ter a possibilidade de acessar a Web pelo celular não é apenas um facilitador para se compartilhar conteúdo nas horas vagas. Esse conteúdo transmitido pelo aparelho móvel pode incluir contexto, informação relacionada ao espaço em que se está.

O tecladinho é um elemento que facilita a produção e publicação de texto. O mesmo equipamento, um N95 da Nokia, permite a captura de fotos, vídeo e audio em qualidade razoável - levando-se em consideração que tudo isso está dentro do mesmo aparelho.

Mas além de capturar, o bacana é ter acesso à internet por banda larga via celular para evitar ter que sincronizar o conteúdo no computador para depois publicar. Simplifico o processo cortando a etapa de sincronização com a máquina decidindo, logo ao tirar a foto, se quero compartilhá-la.

(Isso também vale para a agenda de contatos e compromissos, mantidas atualizadas do celular para a Web e vice-versa, sem passar pela HD do computador.)

Comentários inteligentes: Já tinha comentado aqui que a funcionalidade comentário é importantíssima mas estava desatualizada.

Optei por usar um serviço gratuito chamado Intense Debate, que, entre outras coisas, integra comentários a email e Twitter, permite a avaliação de cada comentário pelos usuários e disponibiliza opções para cultivar o debate enriquecedor e barrar o ruído.

Enfim, acho que essas são as principais mudanças.

Mais uma vez, agradeço de coração e publicamente ao André, por fazer as mudanças no motor do blog para que muitas dessas novidades pudessem funcionar e também por ter, junto comigo, debatido sobre o sentido e as vantagens de cada item, especificamente sobre o conceito de reunir a presença online e facilitar a postagem.

Valeu, mancebinho!

Comentários

O comentário é fundamental nos blogs mas a funcionalidade precisa evoluir (e parece que vai)

A primeira coisa que eu presto atenção em um blog é se ele tem comentários. Acho isso muito mais relevante do que estatísticas para se ter uma idéia rápida do desepenho do blog. O comentário mostra se o conteúdo está inspirando engajamento.

O problema é que o funcionamento do comentário continua o mesmo desde que ele apareceu. Depois de uma certa quantidade de comentários, fica desestimulante participar de uma discussão porque implica em gastar muito tempo lendo coisas que nem sempre são relevantes.

Já quem tem pouco tráfego também sofre porque o comentário fica subordinado ao post, escondido, não serve de ponte para que gente de fora chegue à discussão porque necessariamente o usuário terá que acessar o post para entrar no comentário.

Esse é um dos motivos para eu ter incluido o botão para se tuitar direto de cada post. Tudo bem que o conteúdo comentado não fique dentro do blog, em compensação, haverá mais possibilidades desse conteúdo se alastrar se as pessoas o discutirem publicamente o post.

Mas o motivo deste post é compartilhar a informação de que existe gente trabalhando justamente nesse problema. A Intense Debate, por exemplo, pretende aditivar a seção de comentários dos blogs feitos em WordPress e outras plataformas com soluções como threading, resposta por email, votação, reputação e perfils globais.

Olha que maravilha:

1) threading - um post abre multiplas frentes de discussão, mas a seção de comentários é linerar, não permite a criação de frentes de debate autônomas.

2) resposta por email - eu não preciso mais ficar acessando o site e procurando os novos comentários para acompanhar uma discussão porque isso chegará para mim pela caixa postal.

3) votação - quem observar a área de comentários do Digg, por exemplo, vai ver que maravilha é poder avaliar comentários, porque quem tem tempo para ler tudo vai fazendo uma pré-seleção para quem não tem e poderá apenas listar os mais votados.

4) reputação - por enquanto na área de comentários todos são iguais, mas e se eu participar mais intensamente, minha participação poderá aparecer em destaque ou eu poderei avaliar/moderar os outros comentários.

5) perfis globais - permite que eu seja reconhecido e construa minha reputação participando de discussões em comentários feitos em plataformas diferentes como Blogger, WordPress ou outras.

Só o WordPress.com recebe três comentários legítimos por segundo - 250 mil por dia. Imagina o impacto de se acrescentar interatividade e funcionalidades sociais entre comentários e como isso produzirá aumento de tráfego e engajamento.

Blip.fm re-tribaliza o hábito de ouvir música

Como já escrevi outras vezes, o melhor termômentro para saber se alguma coisa nova está aparecendo no campo das mídias sociais é o número de convites que se recebe para participar de um novo projeto.

No começo de setembro minha caixa postal recebeu vários convites para que eu me inscrevesse no Blip.fm, uma mistura de Twitter, Orkut e Lasf.fm.

De cara, não entendi direito como o site funciona e não encontrei um tutorial - um daqueles, utilíssimos, com animação - mostrando o caminho das pedras. Mas encontrei por lá o Thiago Carrapatoso, ultra-envolvido com a ferramenta, e ele me ajudou a entender o motivo do Blip estar fazendo sucesso.

Basicamente o Blip.fm serve para duas coisas: para se ouvir música e para se brincar de DJ.

BluePulse - ainda é cedo para dizer, mas pode ser a próxima revolução

BluePulse ainda é pouco conhecido. Há um ano recebeu a primeira injeção de capital vinda de investidores. Ninguém da minha lista de contatos está inscrito. Mas esse projeto tem potencial para se tornar um grande fenômeno da Web, à altura de YouTube e Facebook.

Em resumo, ele mistura comunicador instantâneo (tipo MSN) com rede social. Você está em contato constante com a sua rede de amigos.

Cuidado Power Point, vem aí a apresentação colaborativa

Se eu entendi bem, esses caras querem fazer com as apresentações o que a Wikipedia fez com as enciclopédias: tirá-las do HD de cada pessoa e juntar todos os recursos em um mesmo espaço de compartilhamento e construção coletiva. O nome do "brinquedo" é Slide Rocket - talvez seja uma porcaria, mas o nome já é sugestivo, bem 2.0.

Microsoft Surface tem tudo a ver com o Reactable

A Reactable foi a coisa mais incrível que eu ví nos últimos anos - apesar de parecer mais simples e intuitiva do que realmente é. O problema é que depende de instrumentos físicos, objetos, e duas câmeras de vídeo para funcionar. Perguntei aos caras que trouxeram a mesa pro Brasil se eles não existia uma maneira de usar a Reactable direto no computador. Existe, mas só quem é da equipe tem acesso a esse programa. Motivo: sei lá, de repente eles querem vender o pacote fechado. Difícil entender. Assistindo hoje à propaganda da Microsoft Surface, faz ainda mais sentido pensar no Reactable como software. Inclusive o clipe fala que agora, todo mundo pode ser um DJ... Eu adoraria ver o Reactable dentro da Surface e tirar férias do mundo para brincar com isso até enjoar. Mas o mercado tem razões que a própria razão desconhece.

Os motores da inovação são os clientes e não as agências

Sigo repercutindo os comentários trocados a partir do artigo sobre o motivo das ações de jornalismo participativo realizadas por portais tenderem a não funcionar bem.

O Robson, que é designer interativo Curitiba, viu um paralelo entre a resistência dos portais e das agências. E perguntou: por que os publicitários acham que decolaram com a web e na verdade não sabem nada dela?

Spock pretende ser a busca de pessoas mais eficiente do mundo

É interessante perceber o momento em que algumas ferramentas dão saltos de popularidade. Ela passa de um projeto obscuro à nova descoberta dos early adopters e daí sucessivamente até virar um sucesso.

Vi isso acontecer com o Orkut e com o Twitter. O lance é notar quando os convites para participar chegam com pouco tempo de diferença, enviados por pessoas que você conhece e confia. Recentemente senti isso acontecendo com o Spock, um site com uma proposta engenhosa de fazer meta-filtragem social das informações sobre pessoas. Compliquei?

FriendFeed: tudo o que você precisa saber em um email por dia

Estamos emborcados de informação e qualquer coisa que filtre eficientemente o conteúdo que circula na Web estará mais perto de fazer sucesso. Essa semana recebi o segundo convite de boa procedência para participar de um site com essa finaldidade chamado FriendFeed e, por isso, resolvi investigar.

Primeira impressão positiva: simplicidade. Em três parágrafos curtos você entende o propósito da ferramenta: é um RSS aperfeiçoado. Uma pessoa involvida com a internet hoje deixa seus rastros por uma série de sites: links no Del.icio.us, fotos no Flickr, vídeos no YouTube ou Vimeo, mensaginhas no Twitter, além de blogar. O FriendFeed reúne essa informação e te entrega convenientemente por email na periodicidade que você especificar. (Eu escolhi uma vez por dia.)

Imagine um Twitter com duas vantagens: 1) voce não precisa deixar o comunicador instantâneo ligado e piscando o dia inteiro, pode ver um resumo do que cada pessoa disse ao longo do dia; 2) voce não precisa mandar o link de tudo o que publica na web; o sistema acompanha a sua navegação nos sites mais populares.

O email, diga-se, não traz tudo de todo mundo. (Já pensou receber a lista do que os seus contatos publicaram no Twitter em uma mesma mensagem? Estúpido.) O FriendFeed consolida essa informação. Fica algo como: "Fulano de Tal postou no Twitter - link. Sicrano atualizou o blog - link." São entradas pequenas e a gente escolhe o que quer ver de acordo com a pressa.

Mandei o convite para alguns amigos e tenho recebido feedback positivo das primeiras impressões deles. Vamos ver se ele será de fato útil no dia a dia ou se vai ser mais uma fonte de informação em meio a tantas.

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