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política | Não Zero

política

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Meus 20 centavos sobre os protestos; o bicho está solto

Também estou curioso e amedrontado para ver o que está para vir das movimentações no futuro próximo. Mas estou feliz com o quanto sinto que todos crescemos transformando teoria em prática e vice-versa, nas muitas conversas e ações vividas nas ultimas duas semanas. Aqui vai a minha contribuição:

Há um bicho que nasceu, que saiu para a luz; um bicho com muitas raivas e que deve ser tratado como tal. o bicho nao pensa; o bicho está desabafando, chorando, gritando, se defendendo, vomitando tudo o que engoliu.

acho complicado chamar o bicho de fascista. acho que o bicho é jovem, é idealista, é em parte ingênuo (e sonhador), sente que tem algum poder e está animado com isso.

acho que o bicho é filho de uma classe média que está desiludida e cansada. cansada de ter medo da polícia e do bandido, do transito infernal, dos políticos aumentando o próprio salário, dos investimentos superfaturados para a Copa e para as Olimpíadas.

nao acho que o bicho esteja errado ao atacar a participaçao de partidos políticos nas marchas. o bicho não pensa que sem partido não há governo. para o bicho, os partidos tiveram seu momento e há uma grande desilusão em relação aos resultados até aqui.

tendo vindo da classe média, o bicho está decepcionado com o PT e com os partidos de esquerda em geral. na verdade, todos nós, ex-militantes e simpatizantes nos sentimos traídos pelo que o partido se tornou, com sarneys, renans, collors, etc.

dizer que o bicho é fascista implica em dar a ele uma unidade ideológica que ele nao tem. o bicho quer soltar seus cachorros e não está pensando nas consequencias.

o que o governo pode fazer agora? pode tratar o bicho com respeito. pode pressionar o congresso para votar rapidamente pautas importantes para o bicho e que vem sendo proteladas: cassaçao de corruptos, 10% para educação, etc. pode dar provas de que será mais transparente nas decisões.

o que nós podemos fazer agora?

bom, nós fomos para uma festinha que virou um festão, pegou fogo (no bom sentido), amigos de amigos de amigos foram chegando, muita bebida, vizinhos insones chamaram a polícia, houve desgastes, também pessoas começaram a brigar e quebrar coisas na festa, o som saiu do controle e está tocando música alta de qualidade duvidosa.

um caminho para a gente é ir embora para casa e esvaziar a movimentaçao. isso ajuda a reduzir a pressão do ambiente. outro caminho, para os mais amigos do dono da casa, é ficar lá até o final, pegar uma vassoura, fazer um café forte e começar a varrer o chão.

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Parte 1: um experimento de convívio

Volte ao artigo principal ou leia a íntegra da entrevista

Não é a primeira vez que escrevo sobre a Wikipédia. Ela não é um experimento perfeito, como o convívio em sociedade também não é, mas é surpreendente ver a complexidade da operação que faz surgir um produto com relevância inquestionável.

Quem fica fora geralmente não sabe, por exemplo, da existência de diversos tipos de funções exercidas pelos voluntários do projeto. Há reversores, eliminadores, administradores, burocratas, verificadores, entre outras. E para vários destes postos, não basta o usuário se oferecer para desempenhar o trabalho. A escolha acontece por participação direta.

Acompanhei uma candidatura a administrador e achei a experiência muito mais intensa e interessante do que a das eleições para os governos.

Usuários qualificados podem se candidatar, por exemplo, a ocuparem o posto de administradores. Uma página especial é criada para a ocasião e ela se torna o palco de uma arguição aberta à participação de toda a comunidade. É a hora para se fazer qualquer pergunta, que será respondida uma a uma até que todos estejam satisfeitos.

O candidato é principalmente questionado sobre suas ações dentro do site: por que defendeu a manutenção de determinado artigo? Por que teve uma conduta explosiva ao lidar com tal voluntário em relação a uma certa polêmica?

Só então acontece a votação que é feita de forma direta e aberta. E quem vota pode justificar sua posição: a favor, contra ou a abstenção. Para ser eleito, o usuário precisa ter a aprovação de 75% dos que votaram.

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Twitter + Ficha Limpa = ?

Acompanhei via internet ontem e hoje madrugada a dentro, junto com muitas outras pessoas, o debate dos ministros do Supremo sobre o Ficha Limpa - artigo na Wikipedia e site oficial. Não me lembro de ter visto outro caso parecido na história da internet no Brasil: graças ao Twitter, a audiência sabia de si mesma. O tuiteiro e Professor de Direito Penal da UFMG, Tulio Vianna, postou, entre suas muitas mensagens, que "Nunca antes na história deste país tanta gente assistiu a um julgamento do STF. Democrático pra caramba a galera dando seu pitaco jurídico."

O que aconteceu ontem de extraordinário para a Internet -na minha modesta opinião - foi um acontecimento apresentado pelo @cshirky no Here Comes Everybody. Ele fala do contexto que propicia ou facilita ou favorece as insurgências sociais. Uma coisa é eu saber que estou insatisfeito com a corrupção, outra é quando eu sei que os outros se sentem da mesma forma. E outra - e é aí que a situação se transforma - é quando "eu sei que você sabe que eu sei", ou seja, quando existe uma consciência coletiva de que todos pensam da mesma forma, o que nos estimula a agir confiando na proteção do coletivo.

Sabe quando o professor ou o técnico de futebol perde o respeito da turma ou da equipe? As pessoas, mesmo sendo individualmente menos poderosas, passam a funcionar coletivamente, mesmo sem a necessidade de discutir ou organizar acordos ou procedimentos. Elas funcionam como grupo, agem coletivamente. É isso, segundo o Shirky, que produziu o efeito em cadeia que levou à queda do Muro de Berlim.

Foi isso o que eu experimentei ontem de uma forma sem precendentes. Centenas, talvez milhares de pessoas, oferecendo voluntariamente seu tempo de sono na madrugada para assistir o desdobramento da votação do Ficha Limpa no Supremo. E eu sei que eram muitas pessoas porque me lembro de ter visto que, dos dez temas destacados no Trending Topics, a metade ou algo próximo disso dizia respeito ao evento. E as pessoas não estavam apenas falando, elas conversavam. Acompanhar o que os ministros falavam era literalmente tão instrutivo ou mais do que assistir a transmissão pela TV ou rádio. Havia uma mistura muito densa e rica de informação e opinião, descrição e análise. E isso continuou até o fim da sessão, quase às 2 da manhã.

É isso que já se nota acontecendo em conferências quando o público, antes "condenado" ao silêncio da audiência, passa a ter um meio de se expressar e medir a temperatura e as intenções de seus vizinhos. Este é foi um caso clássico. Foi a primeira vez que eu senti isso acontecendo motivado por um tema de interesse coletivo - a outra vez que eu vi no Brasil uma mobilização parecida a ignição foi o último apagão.

Até onde eu entendi, a expectativa é que a sessão seja retomada na quarta ou quinta da semana que vem - é isso, mesmo? Se for, fiquei imaginando a tensão envolvendo esse evento. Será uma final de Copa do Mundo com pessoas comuns - entre elas, advogados, estudantes de direito, juristas - registrando, analisando, dissecando cada fala, cada argumento dos dez ministros do STF, de forma a ajudar e dar munição para a sociedade civil e também os jornalistas para entenderem e criticarem as decisões expressas. Ontem o clima foi quase esse, imagina quando estivermos a três dias da eleição? E ainda com a quantidade de notícia e mobilização que a sessão de ontem já produziu. (No momento em que estou escrevendo, 12 horas depois do encerramento da discussão, "Supremo Tribunal Federal" é o primeiro tópico no Trending Topics, "Gilmar Mendes" e "#fichalimpa" também estão entre os dez assuntos mais falados.

Não consigo antever um cenário de o que vai acontecer na semana que vem, se a sessão realmente acontecer na véspera da eleição, mas acho que os efeitos dessa mobilização serão muito mais notadas e reconhecidas do que a mobilização em si. Uma coisa notável, ainda, em relação à mobilização no Twitter ontem foi o fato de os "oponentes" tucanos, petistas e verdes, para ficar entre os mais numerosos, não brigavam, não se atacavam, ao contrário, agiam como um bloco compacto defendendo a aprovação do Ficha Limpa. Imagina a força disso...

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Ano novo, novos rumos

A primeira pessoa que me fez reparar na então ministra Marina Silva foi a minha tia Márcia, geógrafa, doutora em educação indígena, que, na época, estava trabalhando no Ministério do Meio Ambiente. Meu tio Paulo, agrônomo, com seu jeito reservado, também falou da Marina com admiração especial.

Tenho pensado muito neles nesses últimos dias, desde a semana passada, quando fui convidado e aceitei o desafio de participar da equipe de comunicação de acompanhará a senadora de agora até o final da campanha presidencial em setembro ou outubro deste ano.

Estou muito contente pela oportunidade de me integrar a uma equipe diferenciada para atuar usando as mídias sociais para um projeto em que eu acredito.

O cenário é promissor. Será a primeira eleição no Brasil em que a lei eleitoral não inibirá (tanto) o uso da internet nas campanhas. Some a isso o fato quase 60 milhões de brasileiros estarem usando a rede e de existirem mais de 150 milhões de celulares ativos no país. Isso significa que as fórmulas antigas de campanha já não são receitas infalíveis de sucesso.

Eu poderia falar de muitas formas, apresentando detalhes e recorrendo a jargões, sobre a nossa proposta para a utilização de ferramentas de mídia social, mas ela se resume a dois elementos: escancarar os canais para escutar a sociedade e, junto com isso, ajudar as pessoas que quiserem participar voluntariamente deste esforço.

É simples falar assim e é relativamente simples de se fazer algo assim, mas nem todo mundo quer se dar ao trabalho ou quer correr o risco de abrir um canal sobre o qual não se tem controle. No nosso caso, isso não é uma opção nem um problema, é a nossa principal força.

Do outro lado do ringue está a TV, historicamente a principal forma para se chegar ao eleitor. Ela é muito poderosa por sua abrangência no Brasil, mas tem uma limitaçao em relação às novas mídias. Enquanto a TV é boa para reunir pessoas com interesses comuns, a Internet, além de também servir para formar grupos, ainda reduz radicalmente as barreiras para eles se relacionarem.

A visão de que o consumidor (e eleitor) é preguiçoso -- não quer se envolver, não se interessa por política e prefere ficar em casa controlando a TV da poltrona -- perde força na medida em que se abre a perspectiva de compartilhamento do controle.

Permitir que as pessoas participem, não da maneira como você quer, mas aceitando escutar e conversar, é o segredo mais difundido das campanhas de sucesso na Internet. E é assim que pretendemos usá-la.

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"Me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas"

Especialistas de determinadas áreas vêm sofrendo com a Internet. Li um artigo na revista New Yorker dizendo que a Wikipedia não diferenciava um acadêmico de um garoto de 14 anos que lê bastante. E eu sinto prazer verdadeiro sempre que encontro esses amadores, pessoas que, por exemplo, nunca escreveram profissionalmente, nunca venderam um texto, talvez nem tenham pensado em fazer isso, mas tem paixão por um assunto e isso as coloca numa posição interessante em relação ao profissional da área. O amador geralmente tem mais liberdade para dizer o que pensa, porque ele faz isso porque quer, quando quer, sempre depender de prestar contas a uma organização.

Estou fazendo essa introdução porque o post sobre o Blog do Planalto e o Twitter do Serra aproximou o jornalista Vinicius Gorgulho, que se deu ao trabalho de deixar um longo e lúcido comentário após o texto - como o José Murilo do MinC também fez. Pedi autorização a ele para publicá-lo aqui pelo valor da reflexão e também por gratidão, na medida em que é um texto crítico ao meu, mas feito abertamente e com argumentos.

Sou um bastante preocupado com política e acho que a política partidária é o lodo do fundo da fossa da participação política no mundo moderno. Sou mais pela participação direta, via plebicitos sustentados por um modelo de educação que torne as pessoas protagonistas de suas vidas, famílias e comunidades.

PT partido sem mídia, PSDB mídia sem partido, Marina criacionista, os sombrios Demos etc. são todos farinha do mesmo saco. Nenhum deles se preocupou pra valer em fazer um projeto que revolucionasse a educação, como vários emergentes no mundo fizeram com sucesso, assegurando sustentabilidade para projetos de desenvolvimento.

Ainda que, como os outros, o foco do PT seja um projeto de poder, entre os demais é o que mais chega perto de um projeto de desenvolvimento, porque concentra esforços na distribuição de renda, coisa que nunca foi projeto de tucanos e demos.

Lula é totalmente populista, meio caudilho, messiânico, sem protocolo e muitas vezes sem noção, mas toca um projeto que já originalmente tinha vocações mais participativas que os opositores.

O problema é como novo rico político (nunca teve e agora tem muito poder) o PT come iguarias e arrota lavagem. Não prima pela gestão, nem pela idoneidade, tem rabo preso com coronéis como Sarney, mas ainda assim é menos voltado ao modelo que esvazia o estado e centraliza decisões no mercado, ou seja, no poder econômico.

Infelizmente, diante do poder, o PT se afastou da base e está cada vez mais parecido com o PSDB: são partidos de caciques. Sem mídia para fazer costas quentes, como rola com os tucanos, fica muito mais fácil para nós policiarmos os petistas.

Dito isso, acho que é muita ingenuidade esperar que blogs e twitters de partidos como esses sejam esferas de participação popular. Eles são meramente ferramentas de RP.

O blog não dialógico do planalto é simples apoio à imprensa, o modelo torcido de RP, onde só se pensa em relações com a imprensa. O twitter do Serra serve ao reposicionamento da imagem do político, um RP online com caráter mais amplo, de relacionamento com a classe média graduada ou pós-graduada e usuária pesada de internet, público notadamente formado por uma maioria de profissionais de comunicação, gente influente no engajamento da opinião pública.

Se é ele mesmo que responde eu não sei. Sei que qualquer bom profissional de comunicação pode ser um ótimo ghost writer, inclusive emulando a naturalidade do personagem.

Vale dizer também que uma mídia que oferece "peças" de 140 toques, demanda uma hiper-rotatividade e já tem credibilidade de canal de informação e opinião entre o público que mencionei, acaba fazendo o seguidor ler e "comprar" discursos subjacentes, sem muita análise do discurso a priori.

Dessa perspectiva, me parece um excelente canal para disseminar valores e reposicionar marcas. Marcas como José Serra.

Por fim, acho que a internet é sim "O" grande canal para operacionalizarmos uma democracia verdadeira, de participação direta em rede. Só que ela sozinha, sem um projeto de educação transformadora pode simplesmente nos transformar num povo fascistóide, comos os malucos que foram ao discurso do Obama fortemente armados.

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"Quando entramos no clássico modelo de debate competitivo, construímos pouco"

Falar de assuntos relacionados a política fatalmente atraem trolls - pessoas que não se identificam e que atacam o texto por motivos que nem sempre ficam claros. O bacana, o outro lado da moeda, é receber feedback construtivo de pessoas que estão do lado que seria o da oposição.

Já falei algumas vezes do meu respeito pelo José Murilo Junior, que é um dos responsáveis por projetos relacionados a Internet no Ministério da Cultura. Ele deixou um comentário longo no meu texto sobre o Blog do Planaldo e as tuitadas do Serra. Leia abaixo a íntegra dessa mensagem e veja como uma pessoa pode discordar construtivamente, acrescentando ao debate e sem precisar se esconder. Valeu, Murilo.

Alô Juliano, Seu post é muito bom. A parte mais inspirada para mim '... as críticas ao produto (blog do planalto) têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si'.

Todos temos nossas preferências políticas, e quando entramos no clássico modelo de debate competitivo, construímos muito pouco.

A Rede embaralha um poucos estes modelos clássicos, não é? Foi mais ou menos o que apontei no texto 'Por uma cultura digital participativa', que integra os documentos de apresentação do 'Fórum da Cultura Digital Brasileira' (culturadigital.br), processo lançado recentemente pelo Ministério da Cultura.

Um pouco de história: em minha experiência de implementação web no governo, tive a honra de assessorar o prof. Bresser, então ministro da administração e reforma do estado, em um chat aberto (ele mesmo) com os servidores públicos sobre a extinção do RJU (regime jurídico único). Isto aconteceu ainda no século passado (1999), e até hoje nenhuma autoridade brasileira foi tão arrojada no uso da web, posso assegurar.

Mas depois de viver a experiência da gestão Gil no MinC, que alavancou uma sofisticada reflexão sobre os impactos do digital na cultura, e agora a gestão Juca Ferreira, que se empenha em traduzir a reflexão em prática, posso afirmar que a sensibilidade para as possibilidades do digital não são prerrogativas de partidos ou movimentos. Exige antes de tudo uma postura de abertura, e de colaboração.

O uso de blogs e twitter faz parte do dia-a-dia do MinC há muito. Fomos pioneiros em tudo, inclusive no uso do wordpress para gerenciar um portal institucional (em 2007), o que foi estratégico para implementar a cultura da transparência e demonstrar a importância da conversa online com públicos usuários.

É por isso que digo: novidade mesmo é a rede social do culturadigital.br - 'um novo jeito de fazer política pública' ;-)

"As pessoas mais criativas jamais estão reunidas todas em uma só empresa, ou governo, ou organização, ou país. Abrir os processos de construção de políticas públicas na rede, facilitando a colaboração dos interessados, é uma iniciativa quase óbvia neste início de século. Promover a inovação distribuída em questões de governança pode qualificar a democracia, transformar a sociedade." (Por uma cultura digital participativa).

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O Blog do Planalto é a regra, Serra tuitando é a novidade

O triste do debate sobre o Blog do Planalto é que as críticas ao produto têm mais a ver com a posição política de quem fala do que com o blog em si.

OK, o blog não permite comentários. Deduz-se que quem tem a palavra final sobre a comunicação do Presidente não entende de comunicação em rede. Nenhuma novidade nisso. Aliás, os jornais do mundo estão falindo pelo mesmo motivo.

O Blog do Planalto têm méritos. Contratou "insiders" da Web para a equipe - falo do Daniel (Duende) Carvalho e do Daniel Pádua. Se fosse a Voz do Brasil online, a assessoria de imprensa teria sido incumbida de atualizar a página e o resultado não seria diferente da grande maioria dos blogs institucionais de hoje, mantidos com conteúdo frio.

A grande surpresa, portanto, não é o Blog do Planalto ser como é. Ele é a regra, é o que se espera do blog de uma grande organização, sujeita a ataques e administrada tendo como referência o paradigma do controle da informação. O surpreendente não é o blog sem blog e sem presidente. O que não tem recebido a devida importância é um governador cara a cara com sua audiência, tuitando com a desenvoltura de um nerd.

José Serra é um político da geração do Lula, com uma trajetória que inclui combate à Ditadura e exílio. Atualmente governa o Estado mais rico da União. E está dando olé em burocracias e protocolos, passando por cima de assessores e assessorias, para se dirigir diretamente às pessoas.

O Gabeira que é o Gabeira não fez isso na disputa pela Prefeitura do Rio e não faz isso hoje, tinha na época e continua tendo uma equipe para blogar e tuitar por ele. Já o Serra - nota-se - tem o mesmo comportamento compulsivo com o Twitter que os tuiteiros mais envolvidos com o serviço: tuita de dia e de noite, inclusive pelo celular.

Isso é tão fora do esperado que já faz alguns meses que o Serra é o único governador que tuita. Nenhum outro teve a ousadia de segui-lo, nem Aécio Neves, seu rival à candidatura presidencial pelo PSDB, nem a provável candidata do Presidente, ministra Dilma Roussef.

O problema do Blog do Planalto não é ele ter ou não espaço para comentários. É ele, na prática, servir mais para jornalistas produzirem notícias do que para os cidadãos e eventuais leitores / interlocutores se informarem / conhecerem as perspectivas do Presidente. Quantas pessoas vão acompanhar esses debates, ainda mais se a área for moderada? É quase insignificante.

Se os responsáveis pela comunicação do Presidente estão com receio de liberar o diálogo, poderiam pensar no Twitter, que é mais público que comentários em blog, e podem usar o Serra como referência para ver que isso não será um bicho de sete cabeças, que dá para ser feito e que vale a pena abrir o canal de comunicação.

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Aécio Neves recebe comitiva de representantes do campo das mídias sociais

Na segunda-feira vou a Belo Horizonte, a convite do Rodrigo Mesquita, do Peabirus, para participar de um encontro do governado do Estado, Aécio Neves, com pessoas ligadas às mídias sociais no Brasil. No mesmo dia será anunciado um acordo entre na área da educação entre Minas Gerais e o Google.

O anúncio que circulou dizia de um encontro entre o governador e blogueiros. Não acho que isso seja preciso, primeiro porque cada um está responsável por pagar as próprias despesas e, em função disso, só os blogueiros mineiros poderão ir representando eles mesmos, os outros vão patrocinados pelas instituições que cada um representa. Além disso, não sei se existe uma unidade entre blogueiros e, mesmo se existir, não acredito que nós, especificamente, sejamos representantes da blogosfera.

O que na verdade está acontecendo - e não vejo nenhum problema nisso, ao contrário - é uma demonstração pública de que o governador presta atenção na internet, sente que esse será um elemento importante para quem for disputar a presidência em 2010 e quer se familiarizar mais com o assunto conversando com quem vem realizando ações na área, tanto no âmbito acadêmico como empresarial.

O mais importante de tudo, na conversa com o governador na segunda e com outros representantes do poder público no futuro, é deixar claro que o item mais caro de uma campanha online de sucesso não é tecnologia, mas entendimento. Se o candidato entender que ficou muito mais barato e acessível estabelecer conversas grupais e estiver disposto ouvir e participar, já estará com meio caminho andado, pelo menos. E quem estiver se perguntando por onde começar, recomendo a leitura deste texto do Moriael, meu colega na Talk, que é veterano da Web e também do marketing político.

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Por que o Brasil é tão respeitado pelos gurus da internet? Conversa com José Murilo Junior

No Digital Age me chamou a atenção que Lessig e danah boyd tivessem falado tantas vezes e com tanta ênfase da importância do Brasil no cenário internacional em favor da defesa da cultura aberta, sem tantas restrições como as que são impostas pelas leis de direitos autorais hoje.

Aproveitei um papo via messenger com o José Murilo Junior - que é um dos evangelistas do governo federal nessa área, e que trabalha no MinC e acompanhou de perto o trabalho do Gil nesse âmbito, além de ter viajado muito trocando experiências pelo mundo - para perguntar até que ponto essa opinião sobre o Brasil era deslumbre e em que medida é uma percepção consistente.

A conversa foi rápida, mas elucidativa na medida em que me senti seguro de que o ex-ministro Gil sabia do que estava falando quando se referia à ética hacker, inclusive porque essa ética está intimamente relacionada ao projeto artístico de canibalismo cultural lançado pelos Modernistas e recuperado nos anos de 1960 pelos Tropicalistas.

Enfim, quem quiser, leia e tire suas conclusões.




Por que o TSE não liberou a internet para campanhas políticas?

Na terça-feira, dia 2 de setembro, o ministro Joaquim Barbosa, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou o mandado de segurança impetrado pelo iG visando liberar, para a internet, a comercialização de espaço publicitário relacionado às propagandas eleitorais, a emissão de opiniões favoráveis ou desfavoráveis sobre os candidatos e seus partidos e a possibilidade de manter blogs partidários, inclusive de candidatos - leia aqui o resumo do impasse.

Ainda quero entender porque o iG tomou, sozinho, a frente dessa disputa legal, quando existem outros players de grande calibre, empresas e também partidos políticos e indivíduos, que poderiam ter engrossado as fileiras de combate, tornando essa ação mais representativa de um setor da sociedade. E também tive dificuldade para decodificar onde as perspectivas do iG e do TSE não coincidiam, se a lei está claramente equivocada ao igualar internet a rádio e tevê visto que a internet não é uma concessão pública.

Pedi ajuda a advogados especialistas em direito digital, mas, depois de uma intensa troca de emails, chegamos a um impasse. Eles não aceitavam que eu traduzisse as respostas deles para o português comum, mesmo incluindo no texto o link para o conteúdo integral das respostas. O que está publicado neste post, portanto, é apenas o que eu - um cidadão sem familiaridade com o assunto - compreendi da história.

Quem souber mais e quiser completar ou corrigir alguma informação, mande ver pela área de comentários. E aproveito para agradecer o amigo Marcelo Vitorino, bacharel em Direito, que me ajudou a decodificar o juridiquês e com quem eu debati sobre o assunto.




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