são paulo

Agora sem as mãos: como um projeto que eu abandonei continua vivo, mais do que nunca

Criei o Viva São Paulo em 2003, na véspera da celebração dos 450 anos da cidade. A idéia era aproveitar a data redonda e o clima propício às recordações para fazer um projeto de história oral online onde a cidade conversasse consigo através das histórias de seus moradores. Graças à participação da rádio Eldorado, que transmitia uma história tirada do site por dia, a ação criou massa crítica e começou a andar sozinha. Passados seis anos, já não tenho mais nenhum envolvimento com o projeto mas a comunidade recusa-se a fechar o site. (Continue lendo.)

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Traduza um parágrafo e ganhe um convite para assistir a palestra do Peter Senge em SP

Tenho um convite mas não poderei assistir a palestra do Peter Senge, professor do MIT e autor de A Quinta Disciplina, sobre organizações que aprendem - será no Hotel Transamérica, em SP, na segunda-feira (1/6), à noite. Como posso repassar esse convite, decidi fazer o seguinte: sorteá-lo entre pessoas que ajudarem na tradução atual do Adote um Parágrafo.

Para participar, é só seguir as instruções: 1) entrar no documento e, no final da página, pedir autorização para editá-lo; 2) escolher um parágrafo e fazer a tradução seguindo as regras de funcionamento do projeto; 3) colocar, ao lado do seu nome, a tag #petersenge para eu saber que você quer o convite.

Você poderá traduzir quantos parágrafos quiser para aumentar as suas chances de ganhar. (Se faltar parágrafos, colocamos outro texto no ar para tradução.) Importante: os administradores do Adote se reservam ao direito de desclassificar participações quando considerarmos que a tradução estiver mal-feita.

O sorteio será na sexta-feira e o vencedor será informado por email sobre como retirar o convite.

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off-topic: Você acredita em fantasma?

Sexta-feira passada eu saí tarde do escritório para um outro compromisso. Já começava a escurecer e eu peguei o primeiro taxi livre do ponto da rua de trás.

Geralmente eu gosto de trocar idéias com taxistas, mas esse dia o motorista não tava inspirado e eu também não, então, seguimos calados, eu deixando a cabeça viajar pela janela do carro.

Pegamos a Rebouças e depois a Doutor Arnaldo. O trânsito deu uma apertadinha e do nada, quebrando o silêncio, ele virou para trás e me perguntou:

- Você acredita em fantasma?

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MobileCamp - considerações sobre o formato e a execução do evento

O MobileCamp aconteceu neste último sábado (13) no Espaço Gafanhoto do Cazé, aqui em São Paulo. Foi um evento gratuito, mas fechado para convidados, e que teve a participação de 12 palestrantes das mais diversas áreas: arte, educação, marketing, TI e até direito. (Porque o celular também está revolucionando a vida dos advogados.)

O plano original era ter as palestras na primeira parte do evento, de 10 às 12h, e fazer uma desconferência em seguida até as 15h, mas na prática a segunda parte não aconteceu. As palestras se estenderam e ficamos sem tempo. Mas quem foi, não reclamou, ao contrário.

A seguir vou registrar algumas considerações sobre o evento, para que outras pessoas possam construir outras ações a partir dos nossos erros e acertos.

Sobre registros em vídeo por celular

Talvez o principal motivo de eu ter me envolvido com smart phones seja a pela possibilidade de gravar e pôr no ar entrevistas.

Para quem não sabe, nos meus tempos de aluno do departamento de história, me especializei em história oral. Eu adoro entrevistar.

Quando me armei do N73, em janeiro deste ano, tinha a perspectiva de colocar no ar um videozinho por dia. Mas de cara, editando esta pequena entrevista com o André sobre o BarCamp na Campus Party, percebi que a coisa não seria tão simples.

Editar consome tempo, principalmente no meu caso, que gosto de acertar detalhes. Resultado: poucos vídeos foram ao ar desde então.

Inclusive porque eu não tenho essa preocupação de ficar registrando tudo. Faço quando eu me lembro e quando tem clima.

Enfim, estou falando tudo isso porque esses dias, passeando pelo bairro de Pinheiros, fazendo os meus safaris urbanos para tirar fotos, encontrei na Praça Benedito Calixto um vendedor de fotos antigas que tinha na ponta da língua sua história.

O que me chamou a atenção foi o fato de alguém comercializar imagens privadas, não públicas, cenas de reuniões de família, e imagens caseiras em geral.

Pedi autorização para registrar em vídeo e, garantindo a ele que eu não faria dinheiro com isto, ele deu o OK e esqueceu da câmera.

Quase não precisei fazer edição.

Escolhi o Videolog porque a ferramenta é muito caprichada, aceita arquivos maiores e oferece conteúdo para o usuário brasileiro.

O resultado está abaixo.

Fuerza Bruta é legal, mas Noé Noé é imperdível

Fui à última apresentação do espetáculo Fuerza Bruta, no Parque Villa Lobos, em São Paulo.

Mistura de rave e performance, visualmente surpreendente, mas comportado, não mudou a minha vida. Senti falta de provocação, de ficar mobilizado sem saber direito o motivo.

Com todo o respeito a quem gostou, achei o Furza Bruta um espetáculo circense-pirotécnico para adolescentes. (Quem mais se diverte, tenho certeza, são os artistas. Recebem para brincar, dar piruetas pelas paredes, escorregar em piscinas transparentes, atravessar superfícies como super heróis. Mas nem dança propriamente tem na performance.)

Contraste com o Noé Noé, que fui ver no final de semana passado, me deixou babando e com o desejo de rever outras vezes.

Noé Noé me lembrou um pouco o Asdrúbal Trouxe o Trombone, pela mistura de influências e técnicas como pela proposta de construção "orgânica" do espetáculo, com coreógrafos, roteiristas e artistas participando da criação.

Artistas circenses, atores, bailarinos e até uma cantora lírica e uma bailarina de dança indiana tradicional compartilham o palco.

O roteiro consegue a proeza de ser denso, sugestivo e alegre. Não é aquela viagem hermética, nem apela para soluções fáceis.

Noé Noé é um espetáculo onírico, é como sonhar de olhos abertos, e está melhor agora, que já passou a estréia, o nervosismo, e a convivência deixou os artistas mais a vontade entre eles e com o público.

Não perca. Inclusive porque, em função do tamanho da montagem, é improvável que o espetáculo vá para outras cidades. E a temporada termina no fim do mês.

Nokia promove reunião nacional de blogueiros e moderadores de comunidades (e participa da conversa!)

Participei no último sábado do primeiro encontro nacional de blogueiros.

Ninguém ouviu falar desse evento porque ele tinha outro nome, mas, na prática, suspeito que esta tenha sido a primeira ocasião em que blogueiros de todo o país estiveram juntos.

Não apenas blogueiros, como participantes de fóruns e de comunidades no Orkut.

O evento se chamou Nokia Social Media Connections. Também escutei a forma curta: NokiaCamp. (Veja o que ele está gerando de conversas pela rede.)

Ao invés de surfar o modismo 2.0 enviando releases de produtos para blogueiros, a Nokia quis ser anfitriã de uma conversa entre essas pessoas.

Os convidados foram recepcionados na recém inaugurada Nokia Store, na Oscar Freire. Mas o ponto alto do evento aconteceu no nosso conhecido Espaço Gafanhoto, ponto de encontro mais tradicional de quem pensa e faz ações em rede em Sampa.

Os amigos da Papagallis aplicaram a metodologia de world cafe para promover conversas entre os participantes. Durante uma hora, trocamos idéias sobre como a internet móvel pode melhorar a vida das pessoas.

No final, a metodologia do aquário (foto abaixo) fez com que os principais temas debatidos fossem compartilhados com todos os participantes.

evento nokia

O mais interessante para mim dessa atividade foi ter percebido que as noções sobre comunicação em rede estão sendo absorvidas pelas empresas.

Até agora, o comum era a empresa querer "adicionar um pouco de mídias sociais" em uma ação promocional, tratando a internet como mais um canal de disseminação.

No NokiaCamp, em nenhum momento a equipe da Nokia promoveu a marca ou seus produtos para os convidados. Ao contrário, eles participaram do evento ouvindo e falando, conhecendo e se relacionando.

E que presente esses blogueiros levaram para casa? "Apenas" a oportunidade de se conhecerem pessoalmente - muitos só se acompanhavam à distância - e de falarem sobre os assuntos que eles mais gostam, no caso, tecnologia.

As conversas que começaram ali, vão continuar se desdobrando espontaneamente pela rede e seguramente as ações da Nokia serão notadas com mais carinho por essa turma daqui para a frente.

fui ao digital age para conhecer danah boyd - ponto

várias semanas antes dela chegar, eu a convidei para tomarmos um café aqui. mas acabou sendo um drink no bar do hotel.

foi uma conversa-conversa, sem metas, sem formalidade, sem pauta, sem interrupções.

crise mundial, véspera de eleições, Sarah Pollin. ela se incendiava falando de política, da angústia de ver o país escravo do consumismo.

eu contei sobre como eu encaro a internet como uma espécie de missão.

sessão de fotoscomo acontece pelo blog, ela fala das coisas mais ultra-pessoais como se não fosse ela a pessoa que viveu aquilo. comentando sobre a fama e os ataques que recebe por isso, disse: "se a minha couraça não fosse grossa..."

mas travou na hora de posar para uma sessão de fotos. acho que ela nunca tinha feito isso. pelo menos não publicamente.

registrei sua expressão de desconforto no intervalo em que a fotógrafa trocava as lentes.

o papo acabou também naturalmente. e antes, pedi para gravar uma entrevista, que finalmente conseguir editar e vou disponibilizar pouco a pouco nos próximos dias.

ps. não somos amigos, nunca trocamos mais que umas poucas linhas por email. ela foi atenciosa e eu fiquei agradecido por isso.

Longe e perto - divagações sobre presença e distância online

Perto e longe - Começa o primeiro dia do Digital Age 2.0. Lessig é chamado ao palco.

A apresentação dele - esta - lembra um pouco um filme mudo com acompanhamento ao vivo de um pianista. Palavras aparecem em sequência formando frases curtas. De tanto em tanto, uma imagem. E a voz dele, costurando, dá textura e cadência para as idéias.

Ao mesmo tempo em que a presença dele é quase dispensável para que o show aconteça, tendo em vista a disponibilidade de tecnologia para colar a voz às imagens e automatizar totalmente o processo, o efeito nunca será o mesmo. E não só pelo fetiche de estar na presença dele, mas pela comunicação quase subliminar que se estabelece entre palestrante e platéia.

Intervalo. Na sequência, Seth Godin faz sua palestra ao vivo mas por teleconferência. (Pelo que eu notei, o sistema inclui um mecanismo de feedback para o palestrante ver e ouvir a audiência, mas não tenho certeza.)

Longe e perto - Contraste absoluto com Lessig. Arquetipicamente, um é o nerd e o outro é o vendedor. Ambos brilhantes a seu modo.

A presença imaterial de Seth, expandida e flutuando no palco, me lembrou o Big Brother - o original. Mas esse estranhamento se dissipa ao vê-lo naturalmente trazendo à cena seu copo de uísque para molhar as idéias, gestos e expressões faciais substituindo o Power Point.

Improvisos, um quê de palestra motivacional - tipo: pense fora da caixa, etc - mas com agilidade, repertório e articulação. (E achei legal quando ele apontou que mídia social não era uma cauda que você colocava sobre o prato principal.)

Divagações - Outro dado que eu ouvi nos bastidores do DA2.0: quando alguém entra em contato para sondar a disponibilidade do Lessig para participar de eventos, a secretária dele já avisa para tratá-lo sem intimidade, nada de dizer "Larry" e sim, em inglês, "professor" - em português, equivale a "doutor".

Já no caso de Seth Godin, é até esquisito escrever apenas "Godin" para me referir a uma pessoa cujo blog se chama "Seth's Blog".

As normas também precem produzir um efeito online.

É curioso que essas duas apresentações tenham acontecido na sequência uma da outra para se pensar - e eu não estou tirando conclusões, só compartilhando - nas nuances da "presença presencial" e da presença online.

Pinceladas do Digital Age 2.0

De cara, surpresa: havia uma célula do BarCamp atuando no evento e naturalmente aconteceram desconferências nos intervalos pelos corredores.

Sônia e Daniela Bertocchi, mãe e filha, participaram pela primeira vez juntas de um evento profissional. Eu já conhecia uma e outra em situações independentes, mas não tinha associado os nomes.

Logo antes da palestra do Lessig, ou logo depois, conheci os famosos Cris Dias e Fábio Seixas. Um pouco antes, conheci o Alex Primo na sala de imprensa. Mas não deu quase pra conversar. Expectativa que esses papos aconteçam no final do ano no FMSD em Curitiba.

No fim da palestra do Lessig, tietagem meio desastrada que o Targa flagrou. Saldo: meu livro na biblioteca de Stanford ;-)

Fui com a expectativa de tuitar horrores durante o evento. Não rolou, pelo menos comigo. Prefiro assistir. Quem sabe se o palestrante for ruim...

Reencontro comBeth Saad na sala de imprensa. Me lembra do velho sonho de só estudar e da velha preguiça de passar pelos rituais acadêmicos.

O Interney aparece por lá, vou trabalhar e os dois ficam falando sobre antropologia e internet.

Registro final: alguém muito conhecido na blogosfera brasileira pede fritas para acompanhar oso buco em um restaurante italiano. Não digo quem, mas tenho testemunhas. (Mas pensando agora, acho que até ficaria bom.)

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