comunicação

Chegaram algumas críticas pertinentes ao último post

A Web dá muita margem para troll, que é quando as pessoas ficam brigando, se provocando e se ofendendo sem chegaram a lugar nenhum. Em relação ao meu último post, diferente de troll, recebi algumas críticas pertinentes e quero retribuir a boa vontade e o interesse dessas pessoas respondendo a alguns pontos aqui.

A minha amiga e jornalista Ariane Mondo me mandou um direct pelo Twitter dizendo:

A única coisa que me deixou reflexiva foi o fato de não sabermos da existência do site da campanha até as discussões explodirem. Daí fica uma sensação estranha ao, de repente, retuitar um link legal que contém a marca de uma campanha sem saber que se está fazendo isso.

Na área de comentários do blog, o huno disse algo parecido:

Enfim, se o objetivo é ganhar uns trocados, que se ganhe com mais transparência: "eu também vou usar esse espaço para publicidade a partir de hoje, ok, seguidores? Quando for usada a tag-ganha-pão, não se assustem". ... Se isso não ficar claro, é publicidade velada sim. Não adianta espernear.

Os dois têm razão. Vejo, no entanto, alguns problemas em relação a isso no texto do Maurício:

1. Da maneira como está dito, parece que isso foi parte da estratégia da campanha, quando não foi. Os participantes tanto tiveram liberdade para falar sobre a campanha que vários deles postaram.

2. O texto dele dá margem para se pensar que eu tentei manipular as pessoas escondendo a participação na campanha. Quem me acompanha por este blog sabe - e quem não acompanha, pode verificar - que a síntese do meu trabalho é ser ao mesmo tempo o cientista e a cobaia explorando e relatando o que eu vivo na e pela Rede. Essa experiência, para mim, transcende a busca por popularidade e pagamento.

Conforme expliquei na resposta, outros participantes falaram da ação e divulgaram o link para o site antes do início da campanha. Lá está o meu nome, foto, bio, link para blog, etc.

Em relação a isso, ainda, poderíamos aprofundar essa discussão, de maneira que ela não se parecesse com uma caça às bruxas, mencionando, por exemplo, que vários participantes informaram seu envolvimento com a campanha via Twitter, mas muitas pessoas que os seguem certamente não viram essas mensagens no meio da enxurrada de informação que recebem por esse canal a cada dia. E mesmo fazendo o anúncio em um espaço menos ruidoso como um blog, isso não garantiria que todos os recebessem posteriormente as mensagens da ação saberiam dela.

O que fazer? Toda mensagem deve ter uma tag #publicidade?

E como ficam as campanhas de guerrilha? A Guerrilhapedia fala que o marketing invisível também tem como objetivo expor uma marca ao consumidor, fazendo-o interagir com um produto, sem ele perceber que se trata de uma experiência de comunicação. ... Geralmente ela é utilizada em pré-lançamentos ou lançamentos de produtos, sendo possível mensurar a reação e o interesse do público diante de um produto ou serviço de forma imediata. O segredo está em assimilar o público como parte integrante da disseminação da mensagem, e não um simples receptor do conteúdo (que tranforma-se em conteúdo-mentira para o mesmo).

A mesma Guerrilhapedia apresenta cases brasileiros: Divulgação da Série O Continente Gelado, da National Geographic onde a agência Espalhe colocou envelopes com o nome do velejador e um número de telefone em vários lugares de São Paulo. Dentro, havia fotos da aventura. Julgando estar com um material importante, ou apenas por curiosidade, muitas pessoas ligaram para o telefone e ouviram uma mensagem de Amyr divulgando o novo programa.

Ao invés de julgar e condenar, a matéria poderia ter aberto a discussão de maneira a expandir a compreensão dos leitores sobre o assunto.

Outro comentário publicado no post foi da Lígia Dutra. Ela escreveu:

"Os curadores são profissionais da Web, atuantes, conhecidos, que receberam uma proposta e assinaram contratos por concordar com os termos e aceitar a remuneração oferecida. Não houve aliciamento e nem pagamento com 'bonés e camisetas' e sim uma relação trabalhista, como a que o Maurício tem com o empregador dele."

Juliano, em primeiro lugar admiro muito seu trabalho, maaaaas neste trecho acima acho que você comeu bola, amigo. O Maurício falou das camisetas e bonés apenas no caso da Puma. Ele começa a matéria assim:

"Demorou um pouco, mas as agências de publicidade descobriram que o Twitter pode ser uma eficiente ferramenta de divulgação de produtos e marcas." E o primeiro caso citado, pelo que entendi, era o exemplo positivo deste tipo de ação.

Ele reconhece que a ação do Club Social foi bem aceita neste trecho: "Nem todas as campanhas são tão bem aceitas quanto a do Club Social. A marca Puma acaba de experimentar um vexame na tentativa de promover um novo produto, um tênis chamado Puma Lift."

Bom, creio que é uma questão de interpretação. Espero ter ajudado.

Comi bola, mesmo, em relação ao ponto "bonés e camisetas", mas o fato dele dizer que a campanha foi bem aceita não indica que ele considera a ação correta. Acho que existiu, sim, um julgamento que está implícito e que foi feito de forma rasteira, simplificadora, sem medir consequências, apelando para o medo de conspirações que muitos de nós cultivamos.

Finalmente, o Thiago Rosa falou o seguinte:

Avaliar o jornalismo de uma pessoa pelo grupo que ele trabalha é perigoso e incorreto. Jornalistas fazem estes grupos, mas não necessariamente precisam concordar com os fatos expressos em todas as áreas. A exposição do jornalista é muito maior do que do grupo que ele trabalha. Isso é injusto com ele. Acho que a reportagem foi boa e esclarecedora, e abre uma série de discussões dentro do mundo do marketing digital, do mundo dos blogs e porque não, da sociedade brasileira.

Apesar de não concordar que a reportagem tenha sido esclarecedora, admito que essa cobrança foi injusta e peço desculpas a ele por isso.

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Wave: se essa é a proposta do Google para dominar o mundo, me diz onde eu assino

O email é a plataforma de comunicação online mais usada hoje, mas é uma ferramenta que existe há mais de 40 anos. O que aconteceria se pegássemos tudo o que foi desenvolvido nessas últimas décadas em termos de técnologia de comunicação em rede para criar uma versão atual do email? Vamos pegar blogs, fóruns, chat, wiki e o que mais existir por aí para montar alguma coisa que ocupe o lugar do email.

O problema do email é que ele copia informação. Quando voce manda um email para alguém, essa pessoa receberá no computador dela uma cópia do arquivo de texto que você escreveu. Nenhum problema nisso até você adicionar outros participantes na conversa e cada pessoa começar a ter versões diferentes de um monte de mensagens (des)organizadas umas sobre as outras, com comentários feitos em cores diferentes entre frases e parágrafos, muitas variedades de formatação e tudo mais que quem usa email conhece bem. O email é inspirado na carta, que serve para a comunicação entre duas pessoas. Como torná-lo mais eficiente para conversas em rede? Esse é o desafio da equipe que desenvolve o Wave. (Continue lendo - é mais rápido - ou assista a apresentação de 1h20 em inglês a seguir.)

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Por que o Urso já não lê mais jornal?

Ontem eu estava almoçando com o Urso - depois de sua estréia no horário nobre - quando ele me confessou ter perdido o interesse por ler jornal. Ele diz que passa os olhos pelas notícias da Folha Online, depois do UOL e tem uma sensação de desinteresse.

O curioso é que ele falava disso com uma espécie de culpa, como se fosse uma falha dele ter perdido o hábito de acompanhar notícias. Há uns poucos anos, ele contou, era o mesmo estilo de notícias, os mesmos assuntos e ele lia contente.

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Empresa usa Skype para criar a impressão de proximidade entre escritórios

A Radium Systems tem dois escritórios, um em Sampa e outro em BH. E usando Skype em uma TV de umas 30 polegadas, os dois ambientes ficam como que acoplados um ao outro.

Parece bobagem pensar que uma coisa tão simples pode ajudar no relacionamento entre as pessoas, mas acho que eles podem estar trilhando um caminho interessante para aproximar equipes fisicamente separadas.

Uma coisa é voce se comunicar sempre com a pessoa por telefone, email ou comunicador instantâneo. Outra completamente diferente é você chamar a pessoa pelo nome e ela te escutar e voce ter uma conversa olhando para ela e ela para voce.

O custo disso deve ser perto de nada na medida em que os escritórios já têm planos de banda larga e conversar de Skype para Skype é grátis.

Agradeço ao Oswaldo Gouvêa de Oliveira Neto pelo interesse de demonstrar a idéia ;-)

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A internet tornou o jornalismo obsoleto

BroadcastQuantas pessoas que estão lendo esse post têm brevê para pilotar aviões? E quantas tem carteira de motorista?

Em condições normais, a imensa maioria das respostas será negativa para a primeira pergunta e positiva para a segunda.

E porque a gente não aprende a dirigir aviões? Não é porque ser complicado. Inteligência acima da média ou destreza não são condições para alguém se tornar piloto.

A gente não sabe pilotar porque não temos - a maior parte das pessoas - perspectiva de comprar um avião. Ainda assim, voar é importante.

Avião é um produto escasso e por isso existe a demanda pela existência de uma categoria profissional, a de piloto de avião.

Escriba era o sujeito que passava a vida nos mosteiros copiando livros. Hoje a gente talvez não perceba o valor desse profissional. Sem livros, os especialistas - em medicina, em técnicas de construção, em estratégias militares - teriam que memorizar o conhecimento e transmití-lo oralmente.

Registro impresso era, como o avião, um produto escasso e necessário, daí a necessidade de se ter uma classe profissional para desempenhar a função. Até Gutenberg criar um meio infinitamente mais barato para executar a mesma função. Resultado: o escriba se tornou obsoleto.

(Interessante o texto Em Louvor aos Escribas, defendendo o valor do escriba, mas que ironicamente foi impresso e não copiado manualmente, justamente para se difundir.)

Transmitir informação em massa custava caro. O jornal, por exemplo, não podia ter infinitas páginas para atender a todos os interesses de seus potenciais leitores. É preciso, nesse contexto, existir um profissional para selecionar o que tem mais valor do que tem menos, minerar a notícia entre os assuntos irrelevantes.

Mas e agora que publicar para uma audiência global tem custo praticamente nulo? Qualquer um com acesso à Web pode criar um blog. O preço para transmissão de informação despencou com a internet.

Se não é mais necessário filtrar antes, se a informação é abundante, o profissional que exercia essa função - o jornalista, por exemplo - se torna obsoleto.

O filtro continua sendo necessário. Apenas uma fração do conteúdo publicado na Web serve para ser apreciado por grandes audiências. Mas esse processo de seleção acontece socialmente, dentro de redes de interessses comuns.

Isso é o que motiva, por exemplo, os nossos amigos a retransmitirem para a gente os emails que eles recebem sobre determinados assuntos. Se é interessante para ele, é possível que te interesse também, porque a amizade indica a existência de vínculos de afinidade, interesses em comum, etc.

É isso também o que leva pessoas a se inscreverem em listas de discussão para conversar sobre assuntos específicos. É o que motiva a participação em comunidades no Orkut e em outras redes sociais.

Resumi acima os argumentos do Clay Shirky em seu Here Comes Everybody para explicar o motivo do comunicador social - jornalista, radialista, etc - estar se tornando obsoleto para a sociedade pós-Internet.

Acho que o assunto jornalistas vs. blogueiros deixou de estimular a discussão aberta e transformou o tema em motivo de disputa por quem está certo e errado. Acima está a maneira como o Shirky vê a questão.

Eu fiz só um recorte do que aparece de maneira muito mais aprofundada no livro dele, que não é exclusivamente sobre esse assunto. (Aliás, o que ele diz é que essa pergunta - se jornalismo vai continuar existindo - perdeu o sentido nesse novo contexto.)

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Dicas finais de um blogueiro iniciante a jornalistas que queiram blogar

Eu tentei blogar algumas vezes sem conseguir. Foi só no começo do ano passado que eu entrei efetivamente para a blogosfera, primeiro usando a plataforma Blogspot do Google e depois, graças ao maninho André Avorio, neste endereço, usando uma solução mais sofisticada chamada Drupal.

Agora eu sinto falta de blogar. Se eu pudesse, dedicaria muito mais tempo a isso do que eu posso. E blogar para mim é uma atividade com multiplas finalidades.

Eu penso alto pelo blog e posso perceber até que ponto um determinado assunto gera mais ou menos repercussão, o que me ajuda a escolher o que usar como artigo na WebInsider, revista digital em que sou colunista.

Também, ao blogar, recebo uma primeira leva de feedback que me ajuda a fazer a sintonia fina do conteúdo. Meus interlocutores acrescentam suas idéias, deixam críticas e sugestões.

Eu não sou pago para blogar, mas o blog me mantém em contato com pessoas da minha área de atuação profissional, e isso abre portas para dar entrevistas - como a que gerou este post -, fazer palestras e encontrar outros interlocutores.

O blogueiro profissional e também os blogs comerciais precisam mostrar resultado quantitativo em termos de visitação, especialmente quando o modelo de negócio se baseia na publicidade.

Eu conheço pouca gente que sabe o suficiente de resultado estatístico online para mostrar o valor - ou Roi, como se diz por aí - de um blog. A melhor métrica para se ver o sucesso de um blog é, para mim, o quanto ele gera engajamento na área de comentários.

Os blogs do Pedro Dória e o Pergunte ao Urso demonstram o que eu quero dizer.

Ainda assim, concordo com o Cavallini quando ele diz que preferiria que o blog dele tivesse apenas 350 visitantes se elas fossem dos principais executivos de agências de publicidade do país. Mais do que o volume, é a qualidade de quem acompanha o blog e a interação com essas pessoas aumentando a qualidade do conteúdo.

Clóvis Rossi é blogueiro no papel enquanto a maioria dos blogs oficiais de jornais e revistas são páginas de notícias publicadas em sequência cronológica. O diferencial mais visível, para mim, é o envolvimento dele com o assunto.

Cisão de personalidade

Mês passado um conhecido meu jornalista me contou que tinha criado um blog. O curioso para mim é ele ter abrerto um espaço para expressão pessoal e escrever sobre praticamente os mesmos assuntos veiculados pelo jornal que o emprega. Ele estava entusiasmado porque conseguiu marcar uma entrevista com a Soninha, candidata a prefeita em São Paulo.

Em parte faz sentido. Ele trabalha com notícia e dedica pelo menos oito horas por dia à produção de conteúdo informativo. E apesar de já contribuir para um jornal, não é ele quem decide as pautas, e fatalmente terá que pedir autorização se for explorar assuntos polêmicos. Em seu blog ele pode fazer do jeito que quiser.

Ainda assim, é curioso notar uma certa crise existencial em jornalistas que consideram a possibilidade de criar um blog pessoal ou - pior - que recebem a solicitação de adicionar essa tarefa às suas incumbências profissionais.

Aos que pensam em fazer um blog próprio, deve ocorrer o pensamento: já escrevo por trabalho, vou escrever também nas horas vagas e por prazer?

E como os jornalistas se acostumaram a trabalhar em pautas que não dizem necessariamente respeito a própria vida e são condicionadas pelos interesses da empresa jornalística, do público-alvo e dos anunciantes, eles parecem ter mais dificuldades na hora de definir os temas para fazer um blog.

Talvez o jornalista não veja utilidade para o blog por não considerar que as coisas que ele pensa, vive e sente sejam relevantes para outras pessoas além de seus amigos e familiares.

(A maioria dos blogs de jornais que eu conheço dialogam pouco com outros blogueiros, mantém a redação despersonalizada e funcionam de certa forma como uma página de últimas notícias. Veja aqui, por exemplo, os feitos pela Folha Online e pelo Estadão.)

Ao contrário, o blogueiro já sabe sobre o que ele quer falar. O blog é extensão da própria vida.

Decidir uma pauta não é complicado porque ele escreve sobre um assunto que o interessa diretamente e está próximo de interlocutores igualmente familiarizados com o tema. Nesse contexto, se manter informado é menos uma obrigação e mais uma oportunidade de aprendizado.

O jornalista pergunta melhor do que responde

Me corrijam se eu estiver errado: responder cartas enviadas à redação não é uma função que tenha prestígio entre jornalistas. Não sei de faculdade que tenha um curso de relacionmento com a audiência e ficaria surpreso de ver em um job description que inclua, entre os requisitos de contratação, "experiência mínima de quatro anos respondendo cartas da audiência".

A maioria dos profissionais da comunicação não lida com sua audiência e trata as pessoas que entrevista como "fontes" e não como parceiros ou colaboradores. A meta do jornalista, principalmente da grande imprensa, é garimpar, processar e entregar informação e não atender leitores, ouvintes ou espectadores.

(Alguém poderia argumentar que isso seria anti-produtivo, não tenho certeza, mas isso é outra discussão.)

A questão é que a ausência da estímulo institucional para se cultivar o relacionamento com o público fez o comunicador desenvolver uma certa surdez profissional. O jornalista pergunta melhor do que responde, fala melhor do que escuta.

Esse é um elemento que também dificulta que ele entenda a comunicação online, naturalmente interativa e grupal. Na web, a conversa é tão importante quanto a qualidade do conteúdo.

Soldados e guerrilheiros da comunicação

O blogueiro é responsável por todos os estágios do processo de produção de seu conteúdo. Mesmo sem saber claramente o que faz, é ele quem define pauta, pesquisa o assunto, faz contatos, entrevista, escreve, edita e publica - e também pode, se quiser, tirar foto, registrar em vídeo e audio, editar esse conteúdo, subir no servidor, definir os canais de distribuição e até vender publicidade.

O jornalista tradicional percebe essa qualidade multi-funcional como amadorismo - não dá para se fazer uma coisa bem feita tendo tantas responsabilidades - ou como exploração - os donos do jornal estão enxugando a folha de pagamento e os que sobram são obrigados a trabalhar mais.

A compartimentação de funções é mais produtiva no contexto em que poucos canais de comunicação competem por grandes segmentos de público. Você precisa oferecer um pacote sortido que atenda às necessidades mínimas de vários grupos. Mas esse modelo não demonstra ser eficiente em um ambiente em que a informação é abundante pelas facilidades de produção e distribuição de conteúdo.

Dentro de designações genéricas como classe, escolaridade, idade e lugar onde mora existem nichos cuja força a internet potencializou. É a idéia da cauda longa, do Chris Anderson. E é para esses micro-grupos que se produz conteúdo hoje, e o blogueiro - como um guerrilheiro da comunicação - está mais preparado para sobreviver nessas condições.

Ele compensa a desvantagem em termos de infraestrutura e treinamento com interesse genuíno pelo assunto e também pela vocação empreendedora. O blogueiro - me refiro àquele que quer se profissionalizar - está disposto a arriscar mais, subsistir a incertezas e trabalhar dobrado para se posicionar no mercado.

Por que o jornalista tem dificuldades para blogar?

O jornalista não se adapta à web porque está submetido a um mercado profissional que favorece a especialização técnica, não enxerga valor na prática do relacionamento e promove a anulação da personalidade do profissional.

Esse é o resumo do que eu falei em uma entrevista gravada há umas duas semanas, a pedido da jornalista Patrícia Santos, para ela usar em um trabalho de conclusão de curso do Knight Center da Universidade do Texas, sobre o papel do jornalista nesse novo cenário da comunicação trazido pela internet.

Provavelmente por me sentir à vontade para falar, soltei a seguinte frase em algum ponto da gravação: Clovis Rossi é blogueiro sem ter blog. Minha interlocutora, inteirada dos debates sobre o assunto, protestou: Mas e a conversa? Ela se referia à interlocução, característica diferenciadora do profissional que produz conteúdo horizontalmente, dialogando com seus pares, em relação àquele que ocupa o topo da cadeia produtiva da comunicação: a empresa de notícias.

A conversa acontece, eu respondi, mas nos corredores, nos elevadores, pelo telefone. Na prática, o trabalho do Clóvis é muito mais próximo do do blogueiro que do jornalista das redações. Pelo menos na maneira como o jornalista e blogueiro Renato Cruz entende a diferença entre essas duas atividades: uma produz informação e a outra, opinião.

O dilema é que ao mesmo tempo em que os horizontes profissionais e as oportunidades se expandiram para quem trabalha com comunicação, o jornalista resiste à mudança, despreza o blogueiro pelo amadorismo e usa a internet como uma amante secreta, fonte não creditada de muitas idéias, argumentos e pautas.

Falando descompromissadamente com a Patrícia, me dei conta que tinha algumas reflexões mais ou menos organizadas sobre esse assunto, resultado de leituras, vivências e conversas com profissionais da comunicação, tanto os que continuam fiéis ao offline como os que, por necessidade ou interesse, se arriscam pelos caminhos ainda incertos do mercado de trabalho online.

Elas não foram desenvolvidas em um estudo formal, testadas cientificamente e nem estão conscientemente alinhadas com uma ou outra corrente de pensamento, mas são importantes para mim e quero compartilhá-las com quem se interessa pelo assunto.

* Soldados e guerrilheiros da comunicação

* O jornalista pergunta melhor do que responde

* Cisão de personalidade

* Dicas finais de um blogueiro iniciante a jornalistas que queiram blogar

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