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Arqueologia digital: como salvar 8 mil histórias do esquecimento?

Este é um caso de arqueologia digital. O Viva São Paulo é um projeto colaborativo lançado em 2003 pela Rádio Eldorado para os paulistanos contarem coletivamente as suas histórias. Note bem: ele não é uma coleção de histórias soltas, mas uma longa conversa da cidade com ela mesma.

Um dos meus prazeres favoritos quando eu administrava esse projeto era acompanhar a "fermentação" das discussões pelos comentários. Alguém contava uma história e aquilo ativava a memória dos outros participantes que se encontravam e discutiam o assunto na área de comentários.

Veja, por exemplo, o que aconteceu quando uma participante escreveu sobre sua experiência nos anos 1950 ferindo os costumes vigentes ao usar calças compridas para andar na rua. (Sim, meu caro padawan, há meio século isso representava uma grande ousadia.)

Como qualquer coisa "viva", o Viva também envelheceu. Ele, que funciona com um gestor de conteúdo feito sob encomenda, se tornou uma espécie de calhambeque comparado aos modelos saídos de fábrica usados hoje como Tumblr, WordPress e Drupal.

Envelhecer, neste caso, trouxe novas ameaças para o corpo mais frágil do VivaSP. O pior problema para ele foi a falta de um mecanismo para filtrar comentários que é útil em um mundo com muito mais pessoas acessando a Internet. Nos últimos anos, temos sofrido uma infestação de "haters" (são poucos, mas com muito ódio para queimar) que entram no site para provocar e chamar atenção e isso foi gradativamente sufocando o projeto.

Ele, que sobreviveu à falta de dinheiro se tornando uma espécie de comuna administrada pelos próprios usuários, agora está virando ruina. Os mais ferrenhos "moradores" estão se despedindo dele. Como falou a Wilma, a nossa querida Miss Barata e uma das "mães" do projeto hoje, "se é para que os loucos se divirtam às custas do que foi tão belo, penso que o melhor é parar de pagar [a hospedagem]".

O problema se resume ao seguinte: se eu desligar o site, o conjunto das histórias vai se perder. Os autores têm suas cópias, alguns textos estão publicados em outros lugares, mas a conversa que aconteceu nos comentários e que fomentou a redação das histórias vai desaparecer.

Este texto é para lançar um S.O.S. para a sociedade, para ver se encontramos soluções para esse dilema. Este texto também registra uma reflexão sobre a fragilidade do digital. A mesma facilidade que o arquivo tem para ser copiado e disseminado ele também tem para ser apagado e esquecido.

O site tem 8 mil histórias publicadas espontaneamente desde 2003 e uma quantidade muito maior de comentários.

Quem puder ajudar, estará tratando bem um grupo muito fiel e animado de contadores de história. Também estará juntando a própria história à de um projeto que seviu e serve para pessoas comuns discutirem e pensarem a cidade de São Paulo. (São pessoas comuns que também são excepcionais porque acumulam uma vivência de décadas acompanhando e participando de suas transformações e uma disposição para se manifestar a respeito.)

Para os apoios institucionais, temos espaços publicitários para expor a nossa gratidão.

O que pode nos ajudar:

1) Um serviço de migração que transporte histórias e comentários do site atual para um "motor" novo como o WordPress ou semelhante; assim poderemos incorporar a moderação de comentários para desincentivar as abutragens dos haters.

2) O patrocínio da hospedagem que consome em torno de R$ 40 por mês no plano atual que temos;

3) Para conter o avanço do problema, já seria muito útil que uma pessoa que entenda PHP possa tirar do ar o mecanismo de publicação de novos comentários;

Outras ideias também serão muito bem-vindas.

Comentários



Alguém conhece ações usando celular como ferramenta de inclusão?

Hoje uma pessoa me procurou perguntando se eu conheço alguma iniciativa que usa celular como ferramenta de inclusão social e digital.

Tela é pesquisadora e trabalha no estudo "Comunicaciones móviles y desarrollo socioeconomico en América Latina", uma parceria do Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos - IPSO com a Universidade Aberta da Catalunha

O grupo está na fase de identificação dos casos a serem estudados. Inicialmente, eles estão focando em experiências da região metropolitana de São Paulo. Futuramente, conforme o estabelecimento de parcerias, eles têm a intenção de expandir a pesquisa para outros lugares do Brasil.




Coisas que acontecem quando você publica um livro

Há dois dias recebi uma mensagem da editora. Uma pessoa - aparentemente um senhor de mais idade - tinha ligado para pedir meu telefone... Eu não soube o que pensar na hora. Dar o meu telefone assim? Quem era essa pessoa que não podia me mandar um email? (Email é mais impessoal. A gente pode priorizar, responder depois ou eventualmente nem responder, "esquecer".) Mas acabou que eu mandei o número.

Cinco minutos depois o telefone tocava.




Notou a diferença?

Mais uma vez graças à participação do André Avório, este blog está chegando perto do que foi planejado para ser. Os primeiros visitantes devem ter notado algumas diferenças desde que ele foi inaugurado em julho. A principal mudança foi permitir que o layout se adapte ao monitor do usuário, expandindo-se ou contraindo-se segundo a situação.




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