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facebook | Não Zero

facebook

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Inscrições abertas para curso online grátis sobre a antropologia das mídias sociais

Escrevo para anunciar a abertura de inscriçoes para o curso online grátis:
"Por que postamos: a antropologia das mídias sociais".

O programa traz em primeira mão os resultados de uma pesquisa etnográfica comparativa sobre os usos das mídias sociais em nove localidades do mundo, incluindo Brasil, Índia e China.

Esse MOOC é oferecido pela University College London (UCL) em parceria com a FutureLearn em português e mais oito línguas

Para se increver e fazer o curso em inglês, clique no link a seguir https://www.futurelearn.com/courses/anthropology-social-media/1

Para português, espanhol e outras línguas, clique neste outro link: https://extendstore.ucl.ac.uk/catalog?pagename=why-we-post

O curso começa em fevereiro e dura apenas 5 semanas. a programaçao pede uma dedicaçao média de 3 horas por semana do aluno.

Recomendo o curso principalmente por dois motivos. O primeiro é por ele oferecer uma visao de fora da redoma da indústria da internet pra ver como pessoas comuns (e nao o geek de classe média) entendem e aplicam essas ferramentas.

O outro motivo é que fizemos esse curso e os livros tambem pensando na pessoa que não vem da academia e nao é antropologo. É um caso meio raro (infelizmente) que pesquisa cujos autores querem falar com publicos de fora da academia.

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Curso grátis e em português sobre a antropologia das mídias sociais (mas não precisa ser antropólogo pra fazer)

caros amigos de travessia - em 2 de outubro de 2010 eu mandei pra pessoas do meu círculo de amizade e trabalho uma mensagem com o título de "com frio na barriga". eu anunciava ali uma mudança de país e o início de um processo (muito mais duro do que eu antecipava, mas igualmente recompensante) de reinvensão profissional.

esse mestrado me levou a um doutorado, que por sua vez levou a mim e à Thais pra uma vila trabalhadora no interior da Bahia, para estudar como o brasileiro emergente entende e usa a internet. ficamos 17 meses trabalhando e vivendo nesse povoado.

faz pouco mais de um ano que voltamos pra inglaterra - nós e os outros oito antropólogos que fizeram a mesma pesquisa em outras localidades pelo mundo. e desde então estamos trabalhando em livros e em um curso online que traz os resultados desse longo esforço de aprendizado e análise.

o meu livro sobre a pesquisa no Brasil e o doutorado em só ficam prontos no ano que vem, mas o curso, um "MOOC" dentro da grade da incrível Future Learn, está com inscriçoes abertas desde ontem. Ele é grátis e está disponível nas oito línguas dos países que foram pesquisados - inclusive o Português.

aqui o link: http://www.futurelearn.com/courses/anthropology-social-media

convido voces a participarem dele. começa em fevereiro e dura apenas 5 semanas. a programaçao pede uma dedicaçao média de 3 horas por semana do aluno. e além disso, caso voces queiram, peço também pra repassarem essa notícia pra quem mais se interessar.

recomendo o curso principalmente por dois motivos. o primeiro é por ele oferecer uma visao de fora da redoma da indústria da internet pra ver como pessoas comuns (e nao o geek de classe média) entendem e aplicam essas ferramentas.

o outro motivo é que fizemos esse curso e os livros tambem pensando na pessoa que não vem da academia e nao é antropologo. É um caso meio raro (infelizmente) que pesquisa cujos autores querem falar com publicos de fora da academia.

Voces podem me dizer depois de tivemos sucesso nesse esfoço.

Obrigado antecipadamente pelo interesse de ler essa mensagem, um abraço e seguimos em contato.

juliano / juca

com frio na barriga - 02/10/10

caros amigos e parceiros do crime - com frio na barriga e também com
muita alegria, conto a vocês que estou de mudança para londres por um
ano. viajo já amanhã logo depois da apuração dos votos.

não deu tempo de avisar nem de armar uma despedida por conta da
loucura de viagens da campanha e da corrida atrás de documentos.

vamos levar uma vida modesta de estudantes, mas quem estiver de
passagem pela cidade, avise!

abraços e até a volta

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Pausa

Este espaço ficará mais ou menos dormente por um tempo indefinido. Enquanto isso, vou continuar participando / compartilhando coisas nestes espaços:

* Blog do Social Sciences and Social Networking Research Project

* Facebook e Twitter do mesmo projeto, que, fora da academia, tem o nome de Global Social Media Impact Study.

* PartEstranho, um espaço que ainda usei pouco mas talvez venha a habitar para registrar "viagens" mais pessoais sobre antropologia e etnografia

Saudações - Juliano

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Por que esperar o consumidor detonar a empresa nas redes sociais para resolver o problema?

Na semana passada a minha mulher perdeu/foi roubada a carteira com cartões, documentos, etc, estando fora do país, e passou o maior perrengue falando com o atendimento ao cliente do Bradesco. Ela queria um cartão novo e teve que explicar que Londres não era a capital da Venezuela e que, não, ela não tinha como passar na agência para retirar o cartão.

Nesse momento o atendimento do problema virou o problema do atendimento. Depois de acumular estresse e frustração (após passar horas via Skype sendo passada de atendente a atendente, inclusive sendo mal-tratada), ela "rodou a baiana" na página do Bradesco no Facebook. Daí o jogo se inverteu e o caso passou a ser acompanhado por uma equipe bem treinada que fez, ao longo de vários dias, o acompanhamento da solução do problema por meio de várias chamadas internacionais.

O interessante é o quanto essas empresas parecem estar aceitando e consequentemente estimulando que o consumidor entenda que, para resolver o problema, deve detonar a marca da empresa publicamente.

Por que deixar que a marca se torne uma espécie de Judas para o consumidor despejar sua raiva - por aquele e por qualquer outro problema - em vez de atender direito na primeira tentativa? Qual é a conta que as empresas devem estar fazendo? Não seria melhor o dono do cão instalar um portão na casa em vez de fazer a mulher estudar primeiros socorros para atender quem for atacado?

Essas questões viraram um debate interessante via Facebook entre vários amigos que, de perspectivas diferentes, estão envolvidos e refletem sobre o tema do atendimento a clientes, como profissionais, consumidores ou instrutores. Selecionei algumas partes desse conversa para compartilhar a seguir:

Fábio Teles: Um palpite meu é de que as posições de atendimento de internet muitas vezes estão ligadas à área de comunicação, com um pouco mais de autonomia e poder dentro da estrutura das organizações. Conseguem assim informações com mais rapidez, soluções alternativas e têm seu desempenho avaliados dentro de um plano estratégico. Por outro lado os atendimentos telefônicos estão ligados a estruturas organizacionais mais distantes das zonas de decisão, ou com maior escala hierárquica para conseguir aquelas informações ou soluções alternativas. Acho interessante a reflexão feita pelo Marco Gomes, que diz que as empresas precisam ter cuidado ao investir no atendimento usando mídias sociais para que justamente não estimularem seus clientes a tornarem sempre públicos os problemas particulares. É preciso achar o equilíbrio entre o relacionamento nas mídias sociais e o serviço de atendimento ao cliente. Acho interessante a reflexão feita pelo Marco Gomes, que diz que as empresas precisam ter cuidado ao investir no atendimento usando mídias sociais para que justamente não estimularem seus clientes a tornarem sempre públicos os problemas particulares. É preciso achar o equilíbrio entre o relacionamento nas mídias sociais e o serviço de atendimento ao cliente.

Daniel Souza: Reclamações na web normalmente tem um risco para os gestores de canais: são encaminhadas para os diretores e ceo's com mais facilidade. Além disso servem muitas vezes para direcionar o esforço de comunicação dos concorrentes. O ponto é o direcionamento ~estratégico~ que as empresas dão para cada canal/atividade de atendimento. Usando a sua analogia, treinar a mulher em primeiros socorros é conceitualmente mais barato do que colocar um portão. Nas experiências que tive ao interagir com essas duas áreas, a preocupação com atendimento telefônico SEMPRE é diminuir custos: pessoas mais baratas, menus automáticos mais eficientes, operadores que atendem chat e telefone ao mesmo tempo e sempre, sempre a medida usada é o TMA (Tempo médio de atendimento). Quanto menos tempo, melhor. Todas as empresas tem essa divisão clara do que é a operação - que sempre tem que ser barata, rápida e eficiente - e o convencimento - área cinza dos marketeiros e profissionais de branding. Só que nós, consumidores, não ligamos para essas divisões e queremos uma experiência de serviço integra e consistente entre todos os pontos de contato da marca: publicidade, atendimento, operação, suporte e etc.

Mauricio De Almeida Prado: O problema são os custos "escondidos" como os danos a marca, que ninguém considera. Infelizmente é muito difícil hoje em dia um gestor provar que precisa investir milhões a mais num serviço de atendimento a cliente por causa da dificuldade de mensuração dos custos escondidos. Como esses custos não vão para nenhuma unidade de negócios, ninguém na empresa reclama. É assim que tenho visto as decisões de investimento nas grandes empresas. Minhas conclusões: O problema - departamentalização de decisões e investimentos e falta de métricas objetivas para medir desgaste de marca. Solução dada pelas empresas - como eles precisam apresentar uma métrica objetiva para o conselho, eles se baseiam na comparação das reclamações com a média do mercado. Então todas acabam prestando um serviço ruim e buscando estar na média ao menor custo possível: mediocrização dos serviços. Solução possível - vejo 3 possíveis soluções (que podem ser complementares) e que foram citadas: 1. Um CEO que acredite no serviço como diferencial; 2. Aumento de regulamentação do setor: com metas de máximas de reclamações e punições mais severas; 3. Aumento da competição.

Oliver Barnes: Quer ver outro exemplo de "irracionalidade racional": essas empresonas que nunca pagam o FGTS quando despedem os funcionários. só pagam quando os últimos colocam no pau, muitas vezes com ações de classe. o que é custoso e queima o filme da empresa, em principio. mas no saldo geral das coisas, é mais barato manter um batalhão de advogados para essas ações pontuais, e pagar as indenizações negociadas, do que fazer o correto. Duas coisas contribuem pra isso: a falta de competição e a impunidade. No caso das telecoms, acho que isso está começando a mudar, pelo menos a parte da impunidade. Ainda vai demorar.... mas sou otimista, acho que a internet vai mudando isso inexoravelmente.

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O que o Facebook tem de novo - ou de velho?

Na semana passada compartilhei alguns comentários com uma jornalista interessada em apurar uma notícia sobre a existência de um sistema parecido com o do Facebook utilizado no século 16. Como a maior parte desses comentários acaba não sendo aproveitado, aqui está a versão integral. (A versão que saiu impressa está em PDF e nao encontrei o link para a página na Web.)

Foi a partir dessa "conversa" que escrevi o post anterior sobre o que a anthropologia tem a dizer sobre a internet.

Você concorda com a comparação feita pela Royal Holloway University? Há semelhanças entre o Facebook e os grupos de relacionamento estabelecidos há muitos anos?

A gente relaciona internet com novidade, modernidade, futuro; mas a internet na verdade é apenas mais uma demonstraçao da vontade que a gente tem de estar com outras pessoas e de conversar. A gente associa a internet com modernidade e futuro porque até recentemente o computador e a conexao para se usar a internet eram coisas caras e difíceis de se ter; nem todo mundo entendia o valor, entao, a gente associou a internet aos nerds, aos geeks, essas pessoas que vivem no futuro. Mas mais recentemente o computador e a internet vem se integrando à mobilia das casas; é mais um elemento para comunicaçao. O motivo da curiosidade da notícia está em ela mostrar como a internet, na verdade, nao tem a ver com futuro, ela mostra só como a gente adora conversar. Então, respondendo diretamente à sua pergunta, sim, há semelhanças entre esse sistema de comunicaçao dos academicos antigos e o Facebook, da mesma maneira como há semelhança entre chats e conversas de bar, entre SMS (mensagens de texto por celular) e telegramas. A ideia de "rede social" não foi inventada por programadores junto com a internet; rede social, para as ciencias sociais, é a rede de relacionamentos que qualquer pessoa tem. Esse termo existe nas ciencias sociais há mais de um século. A internet apenas tornou isso mais explícito porque a gente pode "ver" o nosso perfil e "ver" as ligaçoes com os nossos amigos.

O Facebook é tratado muitas vezes como uma grande revolução que mudou a forma com que as pessoas se relacionam umas com as outras. Mas o método é mesmo tão diferente, ou ele apenas se aproveita da internet para "formalizar" os costumes que já tínhamos há séculos, quando se tratava se conversar ou observar pessoas?

É isso: acho que muita gente vai concordar que o Facebook se parece muito com a vida em tribos indígenas. Antes do Face e antes de todo mundo ter entrado na internet, era muito mais fácil ter a vida da gente compartimentada: os amigos da faculdade, os amigos do trabalho, os amigos do clube, a família, etc. A gente sabia gerir esses relacionamentos e tinha controle sobre como a gente se apresentava enquanto estivesse em contato com cada um desses grupos. Agora, de repente, todos esses grupos estao "perigosamente" juntos uns dos outros; o que voce fala no Face (ou o que falam de voce), o que voce publica ou publicam sobre voce fica exposto para outras pessoas verem. Se colocam uma foto comprometedora sua, a sua mae pode ficar sabendo, ou os seus colegas do trabalho e eventualmente o seu chefe. O Face traz essa experiencia de cidade do interior em que as pessoas veem umas às outras, ficam sabendo da vida umas das outras; é dai que vem a sensaçao de perda de privacidade. Entao, sim, um jeito interessante de se rever o Facebook e as redes sociais em geral é pensando em quanto elas estao nos levando de volta a um tipo de sociabilidade anterior à que a gente se acostumou a viver até recentemente; ele pode estar tornando a gente mais "tribal", mas nao "tribal" no sentido de gueto ou grupo separado e sim no sentido de ter todas as pessoas que fazem parte da minha vida existindo no mesmo ambiente.

Você consegue ver uma relação entre os métodos que eles usavam e as ferramentas existentes hoje na internet? Algo como acadêmicos = membros de uma comunidade / atividades = jogos online / yearbooks = timeline? Os métodos mudaram ao longo dos anos, ou eles apenas ganharam nomes novos ao longo dos anos? Há coisas que se fazia na época e que não se faz hoje, e vice-versa?

A relaçao entre a internet e esse mundo academico, da ciencia da informaçao, não está apenas aí. Veja o Google: a ideia que diferenciou a busca do Google é a mesma usada na biblioteconomia para dar reputaçao a publicaçoes academicas. A pagina que aparece em destaque na pesquisa do Google é aquela que tem mais links apontando para ela; se mais pessoas "citam" (linkam) para uma página, ela ganha pontos e sobe na lista do Google. O mesmo acontece com artigos academicos: o intelectual e sua produçao sao avaliados pelo numero de publicaçao em revistas cientificas e pelo impacto dessas publicaçoes, ou seja, no numero de citacoes feitas em publicacoes futuras para os artigos dessa pessoa. Não existe um inventor para a internet - houve inventores para determinados elementos da internet - porque ela "aconteceu"; era um projeto do Departamento de Defesa dos EUA para computadores trocarem dados entre si até o momento em que um engenheiro, extra-oficialmente, instalou um programinha de email. Em menos de dois anos, 3/4 do fluxo de dados era constituido por mensagens enviadas. Ninguem inventou a internet como ninguem inventou uma lingua ou uma cultura: isso é consequencia do nosso desejo de comunicaçao e das maneiras que a gente encontra para fazer isso.

Você consegue imaginar esses acadêmicos usando o Facebook hoje, um ambiente tomado por vídeos do YouTube, depoimentos emocionais e memes? O Facebook é uma ferramenta que poderia ter os mesmos "poderes" das academias, para a disseminação do conhecimento e colaboração científica?

Nao preciso imaginar. Sou pesquisador e participo de vários grupos relacionados a pesquisa via Facebook. A questao é olhar para o Facebook não como se ele fosse igual para todo mundo, mas como se ele fosse uma espécie de casa e bairro. Voce mora em um bairro (rede de amigos) e decora a sua casa (perfil, time line) com as coisas que voce quer. A estrutura é criada a partir da motivação. Conheço vários academicos importantes que se comunicam intensamente via Facebook. Da mesma maneira como a internet ja nao é um playground de nerds e geeks, as redes sociais já nao sao o pátio da escola de adolescentes. Todo mundo está la dentro, de pobres a milionários, de funcionários publicos a empresários, de crianças a pessoas de todas as idades. E cada um constroi a sua internet a partir dos valores e do entendimento que tem sobre o mundo e sobre a ferramenta. Alem disso, existem redes sociais para utilizaçao para fins especificos. Uma das mais famosas para fins cientificos é a Academia.edu.

Assim como as academias foram substituídas até chegarmos ao Facebook, você prevê outro tipo de rede social conquistando o público em breve? Como ela seria?

Acho que a academia nao substituiu o Facebook. A academia é um tipo de ambiente social, com uma determinada finalidade, onde as pessoas trabalham em seus projetos, mas tambem se divertem, brincam, fazem piada. O mesmo pode ser dito sobre o ambiente das redaçoes dos jornais. Já trabalhei como jornalista e sei que as redaçoes, alem de serem um espaço de trabalho, tambem sao ambientes divertidos e ricos em trocas de ideias e humor. Meu ponto é que nao dá para comparar Facebook com Academia porque sao elementos de categorias diferentes. Dá para comparar o Face com espaços sociais como um bairro ou um condominio; sao espaços neutros até que as pessoas que moram neles criam os significados do espaço a partir da convivencia que elas têm entre si.

Na sua opinião, as pessoas têm essa necessidade de criar meios que facilitem a interação social? Por quê?

Porque se nao a vida seria muito silenciosa e solitaria :-)

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Sobre antropologia e internet e assuntos relacionados; reciclando conversas

Na linha do nada se perde, tudo se recicla... No fim do ano passado respondi a algumas perguntas enviadas por jornalistas da revista TPM. Ainda nao recebi o link, mas logo deve chegar e incluirei. Como eu não tenho tido chance de escrever com mais frequencia sobre as coisas que venho vivendo e pensando e como, no caso dessas entrevistas, uma parte pequena das respostas é aproveitada, vou publicar aqui o conteúdo integral "a quem possa interessar".

As questoes sao sobre vários temas: valor de se estudar tecnologia como antropólogo, influencia da internet na sociedade, valor de gestos como o "curtir" no Facebook, popularidade do Instagram, estudo sobre engajamento e participaçao política pelas redes, bullying pela internet e se a internet aumenta a felicidade das pessoas. Ou seja, tem um pouco de tudo.

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Fluxos migratórios na internet e a polêmica sobre a relevância do Twitter

O meu penúltimo post sobre a queda da relevância do Twitter circulou mais do que o normal em relação ao conteúdo que eu compartilho aqui. Em parte, por esse texto ter ecoado um sentimento de apreensão de quem trabalha com monitoramento; e ainda por ter mexido com a sensibilidade de quem elegeu o Twitter como sua plataforma.

Duas coisas aconteceram depois da publicação desse texto: uma foi ele ter mobilizado a Raquel Recuero a adicionar suas ponderações sobre o assunto. Junto com isso, chegou a mim - por aquelas coincidências boas - um texto recente publicado no Huffinton Post sobre o crescente desinteresse dos adolescentes pelo Facebook.

A reportagem do HP fala de um movimento migratório: adolescentes que foram "early adopters" do Facebook estão trocando a ferramenta por outros espaços, especialmente por Twitter e Tumblr. Eles estariam se cansando do ambiente público demais - em que amigos, colegas e familiares se misturam - e da pressão pela popularidade que ficou associada ao dia-a-dia do Facebook para esse público.

Traduzindo: o Facebook teria se tornado a lanchonete da escola, um lugar onde todo mundo precisa estar e onde acontecem os concursos involuntários de popularidade; Tumblr e Twitter vêm surgindo como alternativas para se ter um canal de convívio com um grupo seleto, onde o "ruído" da comunicação é menor, onde as turmas de pessoas com interesses comuns se encontram.

Para a Raquel, faltou ao meu texto esclarecer para quem o Twitter estava ficando menos relevante e em relação a que isso estava acontecendo. Ela mesma explicou: a ferramenta está ganhando um novo significado a partir da entrada desses contingentes novos de habitantes. Por isso, o Twitter do meu tempo servia para dinamizar a circulação de conteúdo relevante; agora, ele serve para o relacionamento desses adolescentes com seus ídolos e também para a mobilização em torno de causas sociais.

À luz do texto do HP e do comentário da Raquel, as motivação para os fluxos migratórios de site de rede social parece ser a mesma para mim e para os adolescentes americanos: estamos procurando possibilidades para falar para algumas pessoas mas não para todas. Esses movimentos, então, têm a ver com construir canais de relacionamento "no varejo"; canais que a gente possa acessar conforme a vontade.

O problema é que essa reflexão cria a deixa para a gente aprofundar a conversa sobre adoção de tecnologia. A conclusão acima é que a sociedade e a cultura são tão ou mais responsáveis pela adoção e abandono de uma ferramenta do que os engenheiros que a construíram ou os visionários que as idelizaram. A sociedade e a cultura "programam" os hábitos, os entendimentos e os significados que um determinado ambiente tem. E isso nos mostra um caminho incômodo por oferecer menos certezas.

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A perda de relevância do #Twitter no #Brasil e a #oportunidade que isso abre

Há três anos eu escrevi e publiquei em formato digital, com o apoio luxuoso do Marcelo Tas, um dos primeiros manuais em português sobre como pessoas e negócios poderiam usar e tirar proveito do Twitter. Mas desde praticamente aquela época a minha dedicação a essa ferramenta vem caindo a ponto de ela ter hoje uma função específica e limitada na minha vida. Esse post é uma tentativa de entender e racionalizar o motivo dessa mudança.

Na mesma época do lançamento do manual do Twitter, Mark Zuckerberg esteve no Brasil e a assessoria de imprensa do Facebook convidou alguns blogueiros para papear com ele. Estive no evento - aqui a "prova" - e a única coisa que eu me lembro de ter perguntado a ele - e com jeitinho - era se o Facebook pretendia adotar um funcionamento parecido com o do Twitter. Porque para mim era claro que o Twitter era o supra-sumo da comunicação digital e portanto o adversário do Facebook no Brasil era o decadente Orkut, nunca o Twitter - aqui o meu post. Zuckerberg respondeu que não e hoje eu vejo que a escolha foi acertada.

No manual, eu comparava o Twitter a uma praça pública (onde todo mundo está junto) enquanto o Facebook era uma espécie de condomínio (porque há um limite físico imposto para as pessoas se encontrarem). O problema principal do Twitter é que, no final das contas, a gente precisa mais de um teto do que de uma praça. Mas como isso é mais uma frase de efeito do que uma resposta, vou apresentar os meus argumentos pessoais para estar usando o Facebook cada vez mais e de forma mais intensa.

Estar onde as pessoas estão - No Twitter estão a maior parte das pessoas ativas no meu campo de atuação. Mas elas também estão no Facebook, junto com todo o resto de pessoas conhecidas minhas que não se sentiram motivadas para abrir uma conta no Twitter. Eu tenho hoje 41 anos e a maior parte dos meus colegas de escola ou de faculdade usam o Facebook regularmente. E junto com eles, várias pessoas bem mais velhas, inclusive octogenárias, que abraçaram essa ferramenta com o mesmo (ou maior) fervor que dedicamos ao Twitter quando ele apareceu.

Quem lê tanta notícia? - O Twitter é um ótimo filtro de conteúdo, principalmente (para mim) para notícias relacionadas às novidades tecnológicas provenientes do Vale do Silício, a Meca da nossa indústria. O problema em relaçao a isso é que eu já tenho coisas demais para ler e prestar atençao e o Twitter amplifica a minha frustração em relaçao à minha incapacidade de estar por dentro de tudo. É interessante que não me sinto menos informado se eu escolho ignorar essa catarata de conteúdo. (Mas, por via das dúvidas, estou usando dois serviços - tipo este do próprio Twitter - que me mandam por email o conteúdo que mais circulou entre as pessoas que eu sigo.)

Ter menos auto-censura - Uma parte importante para mim, pelo menos, em relaçao ao Twitter, era falar com uma parcela relativamente pequena de pessoas que eu conheço pessoalmente e com as quais eu me identifico. O problema é que, na medida em que a gente cultiva uma audiência, passa a se preocupar com o que "as outras pessoas vão pensar" se eu disser isso ou aquilo. A minha voz sempre alcançou relativamente pouca gente, mas, ao mesmo tempo, eu me vi "corporatificando" esse canal. Se eu quisesse falar qualquer coisa mais pessoal ou tola, acabava me censurando. O Facebook tem uma solução melhor acabada para resolver essa questão. Falo com públicos diferentes definindo blocos de contatos diferentes tipo "melhores amigos", "família", etc. (Está longe de ser ideal, mas, até onde eu entendo, é sensivelmente melhor do que o Twitter nesse quesito.)

Independente do motivo, tenho ouvido cada vez mais recorrentemente, em conversas com outros profissionais desse mercado, sobre a perda da relevância do Twitter. Dizem que as pessoas estão seguindo mais gente e prestando cada vez menos atençao na conversa. E isso representa um problema sério porque, até onde eu sei, o "feijão-com-arroz" do monitoramento de internet hoje se limita a ver o que as pessoas estão falando no Twitter. Isso é feito com maior ou menor sofisticação, mas é feito fundamentalmente porque a conversa via Twitter é pública, o que não é verdade para o Facebook.

Só o Facebook tem acesso real a tudo o que está acontecendo lá dentro e o tema dos direitos de uso (quem pode fazer o que com as informações compartilhadas) é um assunto delicado para a empresa. Me lembro de duas situações em que a empresa levou a cabo modificações nesse documento e, por causa disso, teve que gerenciar crises por conta da revolta de usuários preocupados com sua privacidade. Traduzindo: o "tesouro" das conversas que a sociedade tem consigo mesma está de mudança de uma savana onde tudo é mais ou menos visível para um pântano com vegetação densa. Já não vai dar para vender qualquer coisa que preste por qualquer dinheiro nesse campo do monitoramento. O jogo mudou de fase e a dificuldade aumentou.

E mesmo o que era a outra grande vantagem do Twitter - a possibilidade de se falar com públicos vastos - já está satisfatoriamente resolvida com o serviço de páginas do Facebook.

Para onde estamos indo - Pessoalmente acho que o Facebook seja uma plataforma de comunicação mais completa do que o Twitter, que ficou em segundo plano. Não estou sugerindo com isso que o Twitter vá desaparecer ou que já não tem utilidade para o mercado. Ele continua sendo importante para pessoas importantes, grandes formadores de opinião que estabeleceram uma relação de sinergia com suas audiências. Eles não deverão abandonar essa plataforma tendo conquistado ali o status de serviço de informação. Essas personalidades inverteram o jogo da mídia: em vez de dependerem dos veículos para falar publicamente, agora são os veículos que disputam suas declarações pelo Twitter. Fora que, diferente da página do Facebook, o perfil no Twitter dá a impressão (que pode ser mais ou menos verdadeira) de se estar próximo ou mais próximo aos nossos ídolos. A página do Facebook ainda tem aquele cheirinho de plástico e produto de limpeza das corporações. Lá continuamos com a sensação de sermos mais um na multidão.

A minha principal conclusão sobre esse assunto é meio óbvia, mas talvez importante de ser dita publicamente: há uma oportunidade de negócios esperando quem encontrar modelos de monitoramento para extrair valor da informação que circula no Facebook. E o interessante é que a solução para isso provavelmente será menos tecnológica e mais metodológica. Terá a ver com estar de fato presente na ferramenta e atuando na vida das pessoas - ao contrário de antes, quando esse monitoramento consistia em se ter acesso a certos serviços e ficar como um voyeour observando a vida à distância.

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Rede de recomendação de bons profissionais liberais

Hoje eu estava na cadeira da minha dentista e me perguntei se não faria sentido existir um modo de a gente recomendar para os amigos esse tipo de profissional.

Eu recomendaria com prazer o trabalho da minha dentista dentro do meu círculo de relacionamentos. Eu confio no trabalho dela, o que torna essa divulgação boa para todos.

Meus amigos que estiverem precisando de uma indicaçao terão o contato de um profissional competente e ela poderá expandir sua base de clientes.

Fico pensando como isso poderia ser uma alternativa a depender de consultar o guia médico do plano de saúde.

Alias, essa poderia ser outra informaçao importante: ao se cadastrar, a pessoa pode indicar seu plano de saúde para os contatos saberem se o profissional indicado está disponível pra eles.

Não acho que isso seja algo particularmente difícil de ser desenvolvido. E hoje a "casa" natural desse serviço é o Facebook.

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Facebook versus Email: Notas sobre técnicas de condução de entrevista online

Estou entrevistando para este blog duas pessoas com práticas relevantes na internet. Não vou falar sobre isso agora, mas sobre a maneira como estou conversando com cada uma.

A primeira tem 14 anos. Perguntei à irmã dela - que nos apresentou - se ela usava email. A resposta me deixou pensativo: "ela acha que sabe".

É que, para esse grupo, o email é uma espécie de comprovante de residência virtual, um instrumento com função apenas burocrática que serve quase exclusivamente para a inscrição em serviços online.

É interessante considerar o que há de diferente entre o email e o Facebook, que é a central de comunicação para adolescentes conectados.

Ambos são ferramentas sociais de comunicação, mas o email privilegia o contato de um para um. Ele cobra um custo alto de atenção porque as mensagens tendem a ser escritas individualmente para serem lidas apenas pelo interlocutor em questão.

O Facebook inverte essa lógica. É possível conversar individualmente com alguém lá dentro, mas esse não é o atrativo principal da ferramenta e sim as mensagens genéricas que demandam pouca ou nenhuma atenção. Como a mensagem não é para ninguém em específico, há menor expectativa de resposta.

Sinto a diferença do efeito das duas ferramentas no resultado das conversas que estou tendo.

Na entrevista por email, posso mandar várias perguntas porque a minha interlocutora dará, quando puder, atenção integral à tarefa de me responder. Trocamos mensagens relativamente longas.

A minha outra entrevistada responde às minhas perguntas ao mesmo tempo em que faz muitas outras coisas. Comenta, cutuca, compartilha. O resultado é que estou me condicionando a mandar uma pergunta por vez para não pedir demais de sua atenção inquieta.

Em breve, publicarei o resultado das entrevistas e vamos ver como o uso de plataformas diferentes implicará em diferenças na particpação de cada uma.

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