história

Agora sem as mãos: como um projeto que eu abandonei continua vivo, mais do que nunca

Criei o Viva São Paulo em 2003, na véspera da celebração dos 450 anos da cidade. A idéia era aproveitar a data redonda e o clima propício às recordações para fazer um projeto de história oral online onde a cidade conversasse consigo através das histórias de seus moradores. Graças à participação da rádio Eldorado, que transmitia uma história tirada do site por dia, a ação criou massa crítica e começou a andar sozinha. Passados seis anos, já não tenho mais nenhum envolvimento com o projeto mas a comunidade recusa-se a fechar o site. (Continue lendo.)

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Wave: se essa é a proposta do Google para dominar o mundo, me diz onde eu assino

O email é a plataforma de comunicação online mais usada hoje, mas é uma ferramenta que existe há mais de 40 anos. O que aconteceria se pegássemos tudo o que foi desenvolvido nessas últimas décadas em termos de técnologia de comunicação em rede para criar uma versão atual do email? Vamos pegar blogs, fóruns, chat, wiki e o que mais existir por aí para montar alguma coisa que ocupe o lugar do email.

O problema do email é que ele copia informação. Quando voce manda um email para alguém, essa pessoa receberá no computador dela uma cópia do arquivo de texto que você escreveu. Nenhum problema nisso até você adicionar outros participantes na conversa e cada pessoa começar a ter versões diferentes de um monte de mensagens (des)organizadas umas sobre as outras, com comentários feitos em cores diferentes entre frases e parágrafos, muitas variedades de formatação e tudo mais que quem usa email conhece bem. O email é inspirado na carta, que serve para a comunicação entre duas pessoas. Como torná-lo mais eficiente para conversas em rede? Esse é o desafio da equipe que desenvolve o Wave. (Continue lendo - é mais rápido - ou assista a apresentação de 1h20 em inglês a seguir.)

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off-topic: Você acredita em fantasma?

Sexta-feira passada eu saí tarde do escritório para um outro compromisso. Já começava a escurecer e eu peguei o primeiro taxi livre do ponto da rua de trás.

Geralmente eu gosto de trocar idéias com taxistas, mas esse dia o motorista não tava inspirado e eu também não, então, seguimos calados, eu deixando a cabeça viajar pela janela do carro.

Pegamos a Rebouças e depois a Doutor Arnaldo. O trânsito deu uma apertadinha e do nada, quebrando o silêncio, ele virou para trás e me perguntou:

- Você acredita em fantasma?

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Brincando de gato e rato: a incrível história do destravamento do IPhone no Brasil

Quando eu me dei conta da importância - histórica, até, falo como historiador - daquele depoimento, já estávamos no meio do relato e o registro ficaria incompleto.

Quem me passou o contato do Breno foi o Cazé Peçanha, que é uma das milhares (literalmente) de pessoas que pagou para o Breno desbloquear o IPhone dele. Mas eu não fazia idéia da história que ele contaria no MobileCamp, deixando todos os presentes hipnotizados por mais de 40 minutos.

Se houve uma unanimidade no evento, foi o Breno. E até o momento dele falar - foi um dos últimos - ele acompanhou as dez palestras anteriores discretamenta.

A título de explicação, "jogo de gato e rato" é a expressão usada por Steve Jobs para descrever a corrida entre a Apple, fabricante do IPhone, e os crackers que a cada versão do aparelho encontravam novas maneiras de destravá-lo.

Escrevi este texto de memória, mas ele foi lido, corrigido e aprovado pelo Breno.

Origem

Como o próprio Breno se descreveu, ele é um rapaz que, como muitos, gostava fuçar equipamentos e fazer as coisas funcionarem. E acaba ficando conhecido dentro do círculo familiar e de amigos por isso.

É aquela pessoa a quem pedimos ajuda quando um eletrônico repentinamente pára de funcionar.

Não sei se ele fez faculdade, mas até pouco mais de um ano, ele trabalhava como suporte técnico e ganhava R$ 600 por mês.

Paralelamente, meio que por acaso, para complementar a renda, começou desbloquear celulares que vinham de outros países. Um trabalho informal e que rendia pouco.

Junto com sua família, ele morava em um predinho sem porteiro no encontro de duas ladeiras, na Zona Sul de São Paulo. São quatro andares: um apartamento para ele e a mãe, outro para a avó e dois para outros moradores.

Lançamento do IPhone

Se eu me lembro bem, foi o médico do Breno quem trouxe um dos primeiros IPhones para o Brasil e, sabendo da experiência do Breno debloqueando aparelhos e sem ter outra pessoa a quem recorrer, confiou a ele a novidade.

Até então, para ele, os computadores Macs eram sinônimo de dor de cabeça. (A incompatibilidade de sistema com Linux e Windows sempre impedia que um certo documento fosse impresso em cima da hora e sobrava para ele resolver o problema correndo contra o relógio.) Mas pressentindo a oportunidade, Breno decidiu comprar um Mac para acessar o sistema operacional do IPhone e tentar fazer o desbloqueio.

O valor do micro era aproximadamente R$ 4 mil e para comprá-lo, Breno juntou seu cartão de crédito com o da namorada, dividiu o valor em dois e parcelou em dez vezes em cada cartão.

Foi dada a largada

Daí começa propriamente a aventura. Breno e um amigo resolveram mergulhar na corrida para desbloquear o primeiro aparelho. E para isso, recorreram a fóruns e comunidades online.

Por coincidência ou não, Breno acabou estabelecendo uma dinâmica de cooperação intensa pela internet com o geek americano chamado Geo Hot, que viria a ser o primeiro a desbloquear um IPhone no mundo. Minutos antes do Breno.

Breno tinha o IPhone do médico e Geo Hot, outros cinco aparelhos para testar. O que cada um descobrisse, mandava para o outro.

Depois de algum tempo, acabaram concordando que para desbloquear o aparelho, eles teriam que mexer no hardware. Breno consultou o dono do aparelho e recebeu autorização para a tirar a tampa.

"Matando" IPhones

Na medida em que exploravam o aparelho, concluíram que a trava estava no equipamento e não no sistema operacional. Isso quer dizer que teriam que arriscar "matar" aparelhos para ter sucesso.

O americano, que tinha cinco, fez o primeiro teste e um dos IPhones foi para o saco. O mesmo aconteceu com o segundo e com o terceiro.

Já havia se passado quase cinco dias e noites que eles estavam trabalhando sem dormir, mas cada vez mais perto da soluçao.

Para o parceiro americano não desistir da empreitada, Breno conseguiu autorização para fazer sua tentativa e correr o risco de perder o único aparelho que ele tinha para testar. Foi quando, na quarta tentativa, o
americano finalmente quebrou a trava física. Breno recebeu a instrução e, em seguida, fez o mesmo aqui no Brasil.

Carros importados e a fila que só crescia

O americano imediatamente pôs o aparelho desbloqueado para leilão no EBay. Ele estava vendendo uma peça de colecionador, o primeiro IPhone desbloqueado do mundo.

Breno fez diferente: subiu ao YouTube um filminho mostrando ele ligando pelo IPhone para o telefone dele mesmo. Sim, era possível usar o IPhone no Brasil.

O que aconteceu a partir daí com a vida do Breno é parecido com uma viagem de montanha-russa.

Antes dele conseguir dormir depois da maratona de cinco dias explorando o aparelho, seu telefone começou a tocar com pessoas pedindo para ele destravar seus aparelhos.

Carros importados começaram a estacionar na frente do prédio humilde e, em poucas horas, já tinha uma fila na porta do apartamento. Um fila incomum, que só crescia, de executivos e jovens vestindo roupas da moda, que possivelmente nunca tinham estado naquela vizinhança.

Com o tempo, Breno gastaria aproximadamente 8 minutos para fazer o desbloqueio, mas naquele momento, cada aparelho tomava dele 2 horas.

Os 50 primeiros desbloqueios ele fez de graça. Não tinha empresa constituída e nem idéia de quanto cobrar.

As soluções começaram de improviso: a empregada parou de trabalhar na casa para distribuir senhas na porta. Todos na casa acabaram envolvidos, a rotina foi esquecida.

É tudo verdade

O que aconteceu a seguir com a vida do Breno para muitas pessoas só poderia acontecer no cinema.

O difícil para o ex-técnico de TI era julgar quando um determinado pedido era trote.

- A Xuxa no telefone? Magina!

Mas era verdade.

Passado alguns meses de sua nova vida, Breno estava começando a desfrutar dos resultados de seu trabalho. Escritório próxino à Avenida Paulista, carro novo, ele estava embarcando para fazer seu primeiro salto de para-quedas, quando toca o telefone.

A voz do outro lado dizia que o Presidente da República estava em Congonhas e pedia para ele ir até lá para destravar o IPhone presidencial.

Desconfiado, Breno pediu para falar e a voz era muito parecida. Resolveu arriscar - quem quer criar inimizade com o cara que controla a Receita e a Polícia Federal? - mas só se convenceu quando entrou no avião presidencial.

Missão diplomática para destravar IPhones

Breno tinha rejeitado duas vezes o convite do Governo de Angola para viajar ao país para atender à solicitação presidencial.

Um dia, chegando para trabalhar, ele encontra a rua interrompita pela Polícia Federal. E a movimentação está justamente na porta do prédio onde ficava o escritório.

Receoso de ter infringido alguma lei, Breno ligou para a portaria e foi informado que o presidente angolano estava esperando para ser atendido.

O Presidente de Angola cruzou o Oceano Atlântico, veio em comitiva para São Paulo, só para destravar 17 aparelhos para ele e para assessores.

Sociedade do espetáculo

A fama do ex-técnico de informática se espalhava e começaram a aparecer convites para participar de eventos internacionais.

Aceitou ir a Barcelona apenas como visitante para o GSM Mobile World Congress.

O estande mais popular era o da Nokia, que estava apresentando seu novo aparelho, o N96.

Breno estava admirando um IPhone gigante no estande da Apple quando encontrou com um alto-executivo da operadora Vivo.

Quando caiu a ficha, Breno estava fazendo uma demonstração pública de destravamento do IPhone. A ação era transmitida para telões do lado de fora do estante e em minutos, a multidão da loja da Nokia se transferiu para a da Apple.

Depois de fazer o primeiro, outros pedidos foram aparecendo. Ele destravou, nesse dia, mais de duzentos telefones, e só parou porque já não sentia os dedos, o que aumentava o risco de estragar aparelhos.

Parceiro da Apple

Esses foram alguns dos casos que ele contou para deleite da pequena platéia do MobileCamp no último sábado.

E se ele tivesse o dia inteiro, provavelmente teríamos ouvido outras histórias parecidas, como a vez em que o piloto Michael Schumacher mandou seu jatinho para levá-lo encontrá-lo no Desafio Internacional das Estrelas, uma prova de kart que reúne as estrelas do automobilismo em Florianópolis, SC.

Destravou o aparelho, assistiu o espetáculo e saiu de lá com mil dólares mais um capacete e um macacão.

Assistiu shows de camarote, foi o primeiro no mundo a destravar outras versões do aparelho, ganhou um desafio do Steve Jobs e foi citado nominalmente em uma apresentação dele.

Recebeu a visita de representantes da Apple na madrugada, a serviço do presidente da empresa, para confirmar que o procedimento para fazer o destravamento não era ilegal. E não era.

Seu parceiro americano Geo Hot também não está mal. Depois de receber uma oferta milionária para trabalhar na segurança do IPhone, aceitou a proposta do Google para ganhar US$ 16 milhões por ano para desenvolver o Android, o sistema operacional mobile da empresa.

Já o Breno finalmente cumpriu a promessa feita à sua mãe e já não destrava IPhones. É que ele se tornou parceiro da empresa e sua FingerTips está desenvolvendo aplicativos para IPhone.

Entrevista boyd: Uma acadêmica 'doidinha' catalisa a atenção na blogosfera

danah boyd faz parte do mesmo "panteão" de deuses (ou profetas) do novo mundo da comunicação em rede.

são aproximadamente vinte pessoas que ocupam hoje essa posição, entre elas, kevin kelly, chris anderson, clay shirly, talvez steven johnson estão entre os que nos traduzem, interpretam e divulgam as novidades.

o curioso dessa última parte da entrevista com danah boyd é ela considerar que sua atividade como blogueira foi mais importante que a pesquisa em si para torná-la uma celebridade no mundo das mídias sociais.

não é que a pesquisa dela não seja interessante ou relevante. a pesquisa dá utilidade específica a ela como palestrante, como acadêmica requisitada para dar entrevistas.

mas ela fala de como ela usa o instrumental de conceitos principalmente vindos da academia para discutir temas de interesse popular como política e comportamento, basicamente ela comenta o mundo, as coisas que chamam sua atenção. isso e o blog foram seu holofote.

ela também avalia desvantagens e benefícios dessa super-exposição.

how danah boyd became a 'scholar celebrity' and how that affects her life from juliano spyer on Vimeo.

Entrevista boyd: Orkut não tinha valor para Google até ser invadido por brasileiros

acompanhei a invasão brasileira do orkut. me sentia orgulhoso pela idéia que teríamos de certa forma subvertido os planos de expansão do google no campo das redes sociais.

danah boyd trabalhava como pesquisadora no google justamente nesse período, por isso, tive a oportunidade de perguntar como esse processo tinha sido vivido da perspectiva de lá.

afinal, me lembro, circulavam boatos dizendo que os norte-americanos contra-atacavam na moita, dificultando de todas as maneiras o crescimento da presença brasileira.

justaente por esse motivo houve uma febre de mudança de país de origem nos perfis. e honestamente não sei até que ponto isso faz sentido na medida em que você detecta a origem do acesso pelo endereço do IP. sei lá.

mas descobri que na verdade o orkut quase não recebeu a chancela de produto Google, inclusive ele nem leva o nome da empresa no nome. para a minha surpresa, foi o interesse gerado no brasil e na índia que fizeram o google reconsiderar.

e também foi esclarecedor ouvi-la falar que o google não entende de mídias sociais, que todas as start-ups promissoras compradas ficaram de lado, como Blogger, Dodgeball, entre outras.

Assista!

How was it for Google to see Orkut taken over by Brazilians from juliano spyer on Vimeo.

Entrevista boyd: Trajetória pessoal e profissional da 'sacerdotiza das redes sociais'

Sempre disse que o que torna especialmente relevante a pesquisa de danah boyd sobre redes sociais é o fato dela ser íntima desses ambientes.

mas eu simplificava isso dizendo que de alguma forma ela pesquisava a si mesma, que era uma tentativa dela se explicar e se entender.

nesta parte da entrevista ela junta os pontos, da adolescente que fugia pela internet de sua casa e de sua escola, passando pela universitária que estudou ciência da computação, para a pesquisa sobre padrões em ambientes sociais, até desembarcar na sociologia e na antropologia.

em resumo, era isso mesmo, mas é muito mais.

how danah boyd became an anthropologist studying teens using social network sites from juliano spyer on Vimeo.

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