world café

As sutilezas das metodologias de conversação presencial - cada vez aprendo mais

Minha primeira vivência com o world café aconteceu no começo deste ano, na inauguração do Hub. A equipe Papagallis conduziu o encontro e fiquei impressionado por descobrir que existem metodologias para conversação e que uma empresa se formou para oferecer esse serviço.

Depois de experimentar o world café, fiquei com a impressão de que aquilo seria razoavelmente fácil de ser replicado. O próprio Algarra diz isso, que dentro do preço dele está incluído esse treinamento. Mas existem sutilezas nesse trabalho que não ficaram evidentes para mim logo de cara.

Há coisa de dois meses, como parte da campanha online do Kassab, convidamos a Papagallis para dinamizar o relacionamento entre os participantes da K25, a rede social do candidato. Nessa ocasião eu aprendi uma sutileza: na conversação, a pergunta proposta deve ser ampla para permitir que se construa conhecimento.

No caso citado, a pergunta que abriu a conversação foi: "o que você espera do próximo prefeito?" Não houve menção ao candidato e nem a nada que de alguma maneira conduzisse o pensamento dos participantes na direção de soluções prontas.

Recentemente eu relatei aqui que a Papagallis participou do 1o Nokia Social Media Connections, promovendo a conversação entre aproximadamente 30 blogueiros sendo que muitos nunca tinham se encontrado frente a frente.

Como a proposta de fazer o world café aconteceu dois dias antes do evento, houve a possibilidade de que eu conduziria a conversação por haver pouco tempo para contratar a Papagallis - inclusive porque o trabalho deles envolve um período de planejamento, especialmente para chegar às perguntas para ensejar a conversação.

Troquei idéia com o Algarra na quinta para falar do evento e para pedir sugestões sobre como promover a conversa. Nesse ponto, eu tinha registrado a experiência do evento com o Kassab de que as perguntas deveriam ser abertas o suficiente para permitir que a conversa se desenrole.

No evento da Nokia, a primeira questão, formulada junto com a empresa, era algo como: O que esperar da Web móvel? E, na sequência, partir para: O que falta ao celular hoje?

Acabou que o Algarra pôde ser contratado e fizemos uma sessão de brainstorming com os organizadores na véspera do evento. E tive a oportunidade de captar um pouco mais da sutileza da formulação das perguntas.

Apresentamos as perguntas para ele e escutamos que não eram as melhores opções. Pelo que eu registrei, o assunto Web móvel já conduzia a discussão para terrenos conhecidos, já existe discussão elaborada, é um tema que vem sendo pensado e que traz registros prontos.

Segundo eu me lembro - o Algarra pode me corrigir - essa pergunta conduziria a polaridades, a discussões requentadas e que dão margem a disputas de quem sabe mais. A pergunta, na conversação, deve se remeter a um território futuro, inexplorado, para dar condição aos participantes de construirem respostas desarmados, a partir de suas inteligências.

E mais do que isso: a pergunta deve incluir uma meta comum de todo ser humano - de todo ser vivo, até - que é a busca pelo bem-estar. Todos queremos viver melhor e a perspectiva de trazer melhoras à vida motiva a busca coletiva por alternativas.

Talvez isso pareça apenas um detalhe para você, mas o fato é que na condução da conversação, eu vivenciei trocas relevantes.

A minha postura é, naturalmente, de achar que o celular, assim como a tecnologia em geral, não melhora a vida, apenas acelera e torna mais interessante. E recebi de volta perspectivas que me fizeram pensar.

Uma idéia é a de que o telefone substitui - com vantagens - o cigarro como objeto de manuseio quando se está só em um bar, por exemplo. A pessoa se entretém mandando SMS.

Também se falou em como o celular ajuda a manter vínculos entre pessoas que se conheciam e se separaram, vivem em lugares diferentes. É uma maneira do mundo antigo, dos relacionamentos presenciais, seguir vivo graças à tecnologia.

E como essas, escutei várias outras.

Enfim, foi mais um aprendizado para o dia em que eu precisar conduzir uma conversação.

E pensando agora, acho que poderíamos, com mais tempo, ter chegado a perguntas ainda mais motivadoras de trocas. Por exemplo, observamos, durante o evento, que muitas pessoas ali se conheciam online, ou se acompanhavam pela Web. E a oportunidade de estar ali, colocando corpos no lugar de nomes e impressões vagas, fez os olhos de muitos dos presentes brilharem. Indo por aí, teríamos um caminho fértil de conversações para explorar - estimulando as trocas sobre o assunto online x presencial.

A idéia fica registrada para as próximas oportunidades.

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