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profissão | Não Zero

profissão

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Troquei a minha canoa por um veleiro: reflexões sobre a vida como consultor

Desde recentemente, tomei coragem para me atirar no projeto de atuar como consultor. Isso significa, entre outras coisas, não ter uma renda fixa "garantida" no final do mês.

Este é um balanço sobre os primeiros meses dessa experiência: sobre o medo da insegurança, os preparativos para vencer o medo e as vantagens (para mim e para os contratantes) em se trabalhar melhor, com mais tempo disponível, fazendo o que se tem vontade.

Há um medo relacionado a essa experiência de não ter garantias e fico pensando o quanto ele é ilusório.

Ilusório porque a amarração legal com a empresa pode ser desfeita. Pessoas podem e frequentemente são demitidas. E se você vai batalhar para não ser demitido, pode fazer o mesmo para chegar a clientes novos.

E é ilusório também porque a preocupação de não perder o garantido cria uma dependência da segurança. É mais difícil sonhar em fazer algo mais interessante com esse freio de mão puxado porque o sonho se torna inimigo da gente; é algo tentador a ser combatido.

Já estou nessa "corda bamba" há alguns meses e, sim, tive que fazer concessões.

Houve um planejamento que passou por sondar contatos para conferir se havia interesse pelo serviço que eu pretendia oferecer. Essa preparação também incluiu ver o que eu poderia abrir mão para ter menos gastos e, com essa economia, "comprar mais tempo" para mim.

É que a ideia de adaptar a vida do modelo "canoa" ou "barco a motor" para "veleiro" não está relacionada a querer ganhar mais dinheiro, mas a ter mais tempo livre. A proposta não é trabalhar menos, mas trabalhar melhor.

Eu gosto demais do que eu faço para a minha atuação ficar restrita ao interesse desta ou daquela empresa. E trabalhar com ideias, com criatividade e com conhecimento demanda que haja tempo para abastecer o tanque. Essas coisas não acontecem espontaneamente, elas são cultivadas.

O meu planejamento, então, passou por conceber um orçamento mínimo: quanto é necessário para se seguir vivendo. E, ao fazer isso, me surpreendi ao constatar a desproporção entre o que era o meu piso salarial e o que eu acho que preciso ter mensalmente para me alforriar dos escritórios.

É que, na dinâmica do trabalho estruturado, de nove às seis, a gente se vê em uma espécie de corrida na qual o salário talvez seja a forma mais concreta da expressão do reconhecimento. Nesse contexto, ganhar mais não serve só para saciar a vontade de adquirir coisas: o salário é a medida do sucesso.

O problema é o custo - em alguns casos, pelo menos - de se ter que abrir mão daquilo que se tem interesse.

Esse tipo de contrato de trabalho, para se atuar diariamente durante o dia, exige, por sua própria lógica, que esse acordo de troca de tempo por dinheiro seja cumprido. E isso pode ser cruel para quem gosta do que faz.

Se você resolve um problema em duas horas e não tiver outro semelhante naquele dia, não pode dar a sua missão por encerrada. Você precisa ficar onde está e achar o que fazer. Se você tem uma especialidade necessária para a empresa mas essa especialidade tem demanda incerta, enquanto não houver demanda, você vai fazer o que houver para ser feito.

Você não está sendo pago para fazer o que você sabe, mas para estar disponível.

É interessante constatar o quanto sair desse esquema pode ser vantajoso também para os meus contratantes. Eles me pagam mais em tormos de hora trabalhada, mas, no final do mês, o que eles gastam é muito menos do que pagariam para eu ficar com eles exclusivamente e em tempo integral.

Da minha parte, descubro que ter tempo significa poder estar mais em contato com pessoas, cultivar relacionamentos, conversar mais (por aqui, inclusive) e que isso fatalmente traz oportunidades de trabalho.

Muitos dos meus amigos atuam na mesma área ou em áreas relacionadas à minha. Ter tempo para jogar conversa fora com essas pessoas significa fatalmente pensar em projetos comuns (comerciais ou não), colaborar, trocar ideias, passar e receber dicas, falar de oportunidades.

Isso é um modo de trabalhar que também é viver.

A sensação é um pouco a de estar velejando. O vento não é constante, mas ele chega. A gente pode resolver o problema com o remo (ou com o motor), mas pode também, na hora da calmaria, soltar uma linha de pesca ou aprecisar a paisagem.

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A internet tornou o jornalismo obsoleto

BroadcastQuantas pessoas que estão lendo esse post têm brevê para pilotar aviões? E quantas tem carteira de motorista?

Em condições normais, a imensa maioria das respostas será negativa para a primeira pergunta e positiva para a segunda.

E porque a gente não aprende a dirigir aviões? Não é porque ser complicado. Inteligência acima da média ou destreza não são condições para alguém se tornar piloto.

A gente não sabe pilotar porque não temos - a maior parte das pessoas - perspectiva de comprar um avião. Ainda assim, voar é importante.

Avião é um produto escasso e por isso existe a demanda pela existência de uma categoria profissional, a de piloto de avião.

Escriba era o sujeito que passava a vida nos mosteiros copiando livros. Hoje a gente talvez não perceba o valor desse profissional. Sem livros, os especialistas - em medicina, em técnicas de construção, em estratégias militares - teriam que memorizar o conhecimento e transmití-lo oralmente.

Registro impresso era, como o avião, um produto escasso e necessário, daí a necessidade de se ter uma classe profissional para desempenhar a função. Até Gutenberg criar um meio infinitamente mais barato para executar a mesma função. Resultado: o escriba se tornou obsoleto.

(Interessante o texto Em Louvor aos Escribas, defendendo o valor do escriba, mas que ironicamente foi impresso e não copiado manualmente, justamente para se difundir.)

Transmitir informação em massa custava caro. O jornal, por exemplo, não podia ter infinitas páginas para atender a todos os interesses de seus potenciais leitores. É preciso, nesse contexto, existir um profissional para selecionar o que tem mais valor do que tem menos, minerar a notícia entre os assuntos irrelevantes.

Mas e agora que publicar para uma audiência global tem custo praticamente nulo? Qualquer um com acesso à Web pode criar um blog. O preço para transmissão de informação despencou com a internet.

Se não é mais necessário filtrar antes, se a informação é abundante, o profissional que exercia essa função - o jornalista, por exemplo - se torna obsoleto.

O filtro continua sendo necessário. Apenas uma fração do conteúdo publicado na Web serve para ser apreciado por grandes audiências. Mas esse processo de seleção acontece socialmente, dentro de redes de interessses comuns.

Isso é o que motiva, por exemplo, os nossos amigos a retransmitirem para a gente os emails que eles recebem sobre determinados assuntos. Se é interessante para ele, é possível que te interesse também, porque a amizade indica a existência de vínculos de afinidade, interesses em comum, etc.

É isso também o que leva pessoas a se inscreverem em listas de discussão para conversar sobre assuntos específicos. É o que motiva a participação em comunidades no Orkut e em outras redes sociais.

Resumi acima os argumentos do Clay Shirky em seu Here Comes Everybody para explicar o motivo do comunicador social - jornalista, radialista, etc - estar se tornando obsoleto para a sociedade pós-Internet.

Acho que o assunto jornalistas vs. blogueiros deixou de estimular a discussão aberta e transformou o tema em motivo de disputa por quem está certo e errado. Acima está a maneira como o Shirky vê a questão.

Eu fiz só um recorte do que aparece de maneira muito mais aprofundada no livro dele, que não é exclusivamente sobre esse assunto. (Aliás, o que ele diz é que essa pergunta - se jornalismo vai continuar existindo - perdeu o sentido nesse novo contexto.)

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Enquanto uns proibem o uso de Orkut, MSN e blogs, na Pólvora, a diversão faz parte do trabalho

Ontem, a convite do Edney e do Mário Soma, fui conhecer a Pólvora. A situação curiosa: o pessoal que trabalha com ele passa o dia no MSN, Orkut, blogs. E a fronteira entre trabalho e diversão, interesses pessoais e profissionais é bem nebulosa. Mas pelo visto, está funcionando.

Estamos vivendo uma transição. O modelo predominante hoje ainda é o de trabalho industrial, onde tudo é controlado, tem hora para entrar e sair, e como o trabalho é chato, não pode haver distração.

Esses dias, já registrei, o Sérgio Amadeu escreveu sobre as escolas proibindo o uso de ambientes sociais pelos alunos. Já não é de hoje que as empresas proibem funcionários de acessar Orkut, MSN, essas coisas.

Isso acaba sendo improdutivo para a empresa, porque essas ferramentas também servem para a comunicação interna e para o relacionamento com clientes e parceiros. Fora que o knowledge workers, justamente o cara criativo e inteligente, o cara que têm idéias que resolvem e fazem a diferença, vai odiar trabalhar nesse ambiente controlado.

Como funciona na Pólvora

É aqui que eu volto à conversa com o Edney. Ele me explicou como as pessoas trabalham na Pólvora.

Para começar, ninguém tem horário definido. Se a pessoa quiser chegaràs 8 da noite e sair às 6 da manhã, pode.

Também ninguém fica conferindo se o funcionário está MESMO trabalhando.

Quando eles fecham o projeto, o Edney pergunta para cada pessoa em quanto tempo elas podem entregar uma determinada tarefa. Se a data estiver dentro do planejamento, está valendo.

O que a pessoa faz enquanto está no trabalho, se ela fica falando no MSN, se ela bloga, se fica no Orkut paquerando, contanto que não esteja fazendo nada ilegal ou anti-ético, está liberado.

Só funciona se as pessoas gostam do que fazem. E esse é o último dado que vou registrar. Na Pólvora, até o programador e o designer são blogueiros.

Pergunta ao pessoal da Pólvora

Acabei de mostrar o post para o Edney e ele disse que ia comentar. Mas como a equipe dele toda é de blogueiros, seria muito bacana ouvir deles mesmos como eles encaram esse modelo de trabalho.

Eu queria entendem melhor o que é uma tarefa na Pólvora, como ela é descrita e como os gerentes garantem que suas equipes se envolvam e dêem o melhor de si e não façam o trabalho apressadamente.

Ou faz parte do jogo: a pessoa que entrega nas coxas e é demitida?

O que garante, então, que o ambiente de trabalho não se torne um espaço político, onde as pessoas privilegiam cultivar relacionamentos a produzir?

E se possível, em vez de fazer isso nos comentários, que façam em seus blogs, para amplificar o alcance do debate, e mais que falar, dar exemplo da experiência.




Dicas finais de um blogueiro iniciante a jornalistas que queiram blogar

Eu tentei blogar algumas vezes sem conseguir. Foi só no começo do ano passado que eu entrei efetivamente para a blogosfera, primeiro usando a plataforma Blogspot do Google e depois, graças ao maninho André Avorio, neste endereço, usando uma solução mais sofisticada chamada Drupal.

Agora eu sinto falta de blogar. Se eu pudesse, dedicaria muito mais tempo a isso do que eu posso. E blogar para mim é uma atividade com multiplas finalidades.

Eu penso alto pelo blog e posso perceber até que ponto um determinado assunto gera mais ou menos repercussão, o que me ajuda a escolher o que usar como artigo na WebInsider, revista digital em que sou colunista.

Também, ao blogar, recebo uma primeira leva de feedback que me ajuda a fazer a sintonia fina do conteúdo. Meus interlocutores acrescentam suas idéias, deixam críticas e sugestões.

Eu não sou pago para blogar, mas o blog me mantém em contato com pessoas da minha área de atuação profissional, e isso abre portas para dar entrevistas - como a que gerou este post -, fazer palestras e encontrar outros interlocutores.

O blogueiro profissional e também os blogs comerciais precisam mostrar resultado quantitativo em termos de visitação, especialmente quando o modelo de negócio se baseia na publicidade.

Eu conheço pouca gente que sabe o suficiente de resultado estatístico online para mostrar o valor - ou Roi, como se diz por aí - de um blog. A melhor métrica para se ver o sucesso de um blog é, para mim, o quanto ele gera engajamento na área de comentários.

Os blogs do Pedro Dória e o Pergunte ao Urso demonstram o que eu quero dizer.

Ainda assim, concordo com o Cavallini quando ele diz que preferiria que o blog dele tivesse apenas 350 visitantes se elas fossem dos principais executivos de agências de publicidade do país. Mais do que o volume, é a qualidade de quem acompanha o blog e a interação com essas pessoas aumentando a qualidade do conteúdo.

Clóvis Rossi é blogueiro no papel enquanto a maioria dos blogs oficiais de jornais e revistas são páginas de notícias publicadas em sequência cronológica. O diferencial mais visível, para mim, é o envolvimento dele com o assunto.




Cisão de personalidade

Mês passado um conhecido meu jornalista me contou que tinha criado um blog. O curioso para mim é ele ter abrerto um espaço para expressão pessoal e escrever sobre praticamente os mesmos assuntos veiculados pelo jornal que o emprega. Ele estava entusiasmado porque conseguiu marcar uma entrevista com a Soninha, candidata a prefeita em São Paulo.

Em parte faz sentido. Ele trabalha com notícia e dedica pelo menos oito horas por dia à produção de conteúdo informativo. E apesar de já contribuir para um jornal, não é ele quem decide as pautas, e fatalmente terá que pedir autorização se for explorar assuntos polêmicos. Em seu blog ele pode fazer do jeito que quiser.

Ainda assim, é curioso notar uma certa crise existencial em jornalistas que consideram a possibilidade de criar um blog pessoal ou - pior - que recebem a solicitação de adicionar essa tarefa às suas incumbências profissionais.

Aos que pensam em fazer um blog próprio, deve ocorrer o pensamento: já escrevo por trabalho, vou escrever também nas horas vagas e por prazer?

E como os jornalistas se acostumaram a trabalhar em pautas que não dizem necessariamente respeito a própria vida e são condicionadas pelos interesses da empresa jornalística, do público-alvo e dos anunciantes, eles parecem ter mais dificuldades na hora de definir os temas para fazer um blog.

Talvez o jornalista não veja utilidade para o blog por não considerar que as coisas que ele pensa, vive e sente sejam relevantes para outras pessoas além de seus amigos e familiares.

(A maioria dos blogs de jornais que eu conheço dialogam pouco com outros blogueiros, mantém a redação despersonalizada e funcionam de certa forma como uma página de últimas notícias. Veja aqui, por exemplo, os feitos pela Folha Online e pelo Estadão.)

Ao contrário, o blogueiro já sabe sobre o que ele quer falar. O blog é extensão da própria vida.

Decidir uma pauta não é complicado porque ele escreve sobre um assunto que o interessa diretamente e está próximo de interlocutores igualmente familiarizados com o tema. Nesse contexto, se manter informado é menos uma obrigação e mais uma oportunidade de aprendizado.




O jornalista pergunta melhor do que responde

Me corrijam se eu estiver errado: responder cartas enviadas à redação não é uma função que tenha prestígio entre jornalistas. Não sei de faculdade que tenha um curso de relacionmento com a audiência e ficaria surpreso de ver em um job description que inclua, entre os requisitos de contratação, "experiência mínima de quatro anos respondendo cartas da audiência".

A maioria dos profissionais da comunicação não lida com sua audiência e trata as pessoas que entrevista como "fontes" e não como parceiros ou colaboradores. A meta do jornalista, principalmente da grande imprensa, é garimpar, processar e entregar informação e não atender leitores, ouvintes ou espectadores.

(Alguém poderia argumentar que isso seria anti-produtivo, não tenho certeza, mas isso é outra discussão.)

A questão é que a ausência da estímulo institucional para se cultivar o relacionamento com o público fez o comunicador desenvolver uma certa surdez profissional. O jornalista pergunta melhor do que responde, fala melhor do que escuta.

Esse é um elemento que também dificulta que ele entenda a comunicação online, naturalmente interativa e grupal. Na web, a conversa é tão importante quanto a qualidade do conteúdo.




Soldados e guerrilheiros da comunicação

O blogueiro é responsável por todos os estágios do processo de produção de seu conteúdo. Mesmo sem saber claramente o que faz, é ele quem define pauta, pesquisa o assunto, faz contatos, entrevista, escreve, edita e publica - e também pode, se quiser, tirar foto, registrar em vídeo e audio, editar esse conteúdo, subir no servidor, definir os canais de distribuição e até vender publicidade.

O jornalista tradicional percebe essa qualidade multi-funcional como amadorismo - não dá para se fazer uma coisa bem feita tendo tantas responsabilidades - ou como exploração - os donos do jornal estão enxugando a folha de pagamento e os que sobram são obrigados a trabalhar mais.

A compartimentação de funções é mais produtiva no contexto em que poucos canais de comunicação competem por grandes segmentos de público. Você precisa oferecer um pacote sortido que atenda às necessidades mínimas de vários grupos. Mas esse modelo não demonstra ser eficiente em um ambiente em que a informação é abundante pelas facilidades de produção e distribuição de conteúdo.

Dentro de designações genéricas como classe, escolaridade, idade e lugar onde mora existem nichos cuja força a internet potencializou. É a idéia da cauda longa, do Chris Anderson. E é para esses micro-grupos que se produz conteúdo hoje, e o blogueiro - como um guerrilheiro da comunicação - está mais preparado para sobreviver nessas condições.

Ele compensa a desvantagem em termos de infraestrutura e treinamento com interesse genuíno pelo assunto e também pela vocação empreendedora. O blogueiro - me refiro àquele que quer se profissionalizar - está disposto a arriscar mais, subsistir a incertezas e trabalhar dobrado para se posicionar no mercado.




Por que o jornalista tem dificuldades para blogar?

O jornalista não se adapta à web porque está submetido a um mercado profissional que favorece a especialização técnica, não enxerga valor na prática do relacionamento e promove a anulação da personalidade do profissional.

Esse é o resumo do que eu falei em uma entrevista gravada há umas duas semanas, a pedido da jornalista Patrícia Santos, para ela usar em um trabalho de conclusão de curso do Knight Center da Universidade do Texas, sobre o papel do jornalista nesse novo cenário da comunicação trazido pela internet.

Provavelmente por me sentir à vontade para falar, soltei a seguinte frase em algum ponto da gravação: Clovis Rossi é blogueiro sem ter blog. Minha interlocutora, inteirada dos debates sobre o assunto, protestou: Mas e a conversa? Ela se referia à interlocução, característica diferenciadora do profissional que produz conteúdo horizontalmente, dialogando com seus pares, em relação àquele que ocupa o topo da cadeia produtiva da comunicação: a empresa de notícias.

A conversa acontece, eu respondi, mas nos corredores, nos elevadores, pelo telefone. Na prática, o trabalho do Clóvis é muito mais próximo do do blogueiro que do jornalista das redações. Pelo menos na maneira como o jornalista e blogueiro Renato Cruz entende a diferença entre essas duas atividades: uma produz informação e a outra, opinião.

O dilema é que ao mesmo tempo em que os horizontes profissionais e as oportunidades se expandiram para quem trabalha com comunicação, o jornalista resiste à mudança, despreza o blogueiro pelo amadorismo e usa a internet como uma amante secreta, fonte não creditada de muitas idéias, argumentos e pautas.

Falando descompromissadamente com a Patrícia, me dei conta que tinha algumas reflexões mais ou menos organizadas sobre esse assunto, resultado de leituras, vivências e conversas com profissionais da comunicação, tanto os que continuam fiéis ao offline como os que, por necessidade ou interesse, se arriscam pelos caminhos ainda incertos do mercado de trabalho online.

Elas não foram desenvolvidas em um estudo formal, testadas cientificamente e nem estão conscientemente alinhadas com uma ou outra corrente de pensamento, mas são importantes para mim e quero compartilhá-las com quem se interessa pelo assunto.

* Soldados e guerrilheiros da comunicação

* O jornalista pergunta melhor do que responde

* Cisão de personalidade

* Dicas finais de um blogueiro iniciante a jornalistas que queiram blogar




Parece que tem emprego sobrando no mercado

Essa semana, o dono de uma agência de comunicação online me disse que tem dez vagas e não consegue preencher pelo aquecimento do mercado. Vale tudo para blindar a sua equipe e também para atrair novos talenos.

Ele contou duas situações curiosas e que ilustram o drama de quem está no corpo a corpo para conquistar clientes e entregar campanhas e serviços vendidos.

Semana passada, ele recebeu um telefonema de um concorrente ameaçando-o com processo por ele ter feito uma proposta para tirar um dos funcionários deste concorrente. Não deu em nada porque a proposta foi coberta, mas qual seria a base para essa ação?

A outra situação é também engraçada. Para evitar perder funcionários, a telefonista dessa agência está instruída para fazer um questionário para pessoas que ligam querendo falar com os funcionários. O motivo é evitar a ação de headhunters.

Os profissionais em alta são aqueles diretamente envolvidos no desenvolvimento de sites, particularmente os programadores, e também pessoas que ocupem outras funções e tenham experiência em Web.




Tempestade boa: novos desafios à vista

Dizem que o silêncio prenuncia a tempestade. Neste caso, será uma tempestade boa. A partir de hoje comecei a trabalhar na Knowtec.com, levando para a empresa meus dez anos de curiosidade e fascínio pela internet, sobretudo pelas oportunidades da comunicação aberta e de muitos para muitos.

Nosso namoro foi à moda antiga: começou com flertes e trocas de mensagens, evoluiu para telefonemas, passamos pelo primeiro encontro, a coisa ficou séria e no começo desta semana passei dois dias de imersão, conhecendo a equipe e observando as nossas compatibilidades. Ontem mesmo recebi e aceitei a proposta para me incorporar ao time.

(A título de registro: eu presto muita atenção em coincidências ou sincronicidades, ou seja, quando histórias aparentemente desvinculadas se cruzam. De dois meses para cá, vários desses eventos aconteceram, fazendo a Knowtec aparecer no meu caminho.)

A empresa começou em Floripa e há pouco tempo abriu escritório em Brasília. Inteligência competitiva e comunicação digital são os focos de ação. E junto com a Knowtec, funciona também o IEA oferecendo soluções e programas de ensino à distância.

Eu já tinha percebido pelo site que a empresa tem uma proposta diferencia em relação à internet. Existe uma preocupação que o cliente entenda o que está comprando e também em fazer direito. Isso aparece principalmente no ambiente de trabalho, ao mesmo tempo competente e acolhedor, sem medo - ao contrário - curioso pela novidade, consciente de que esse é o caminho para se diferenciar no mercado.

(Exemplo: não existe força de venda, quem faz o produto e entende do assunto é quem o apresenta.)

E mais: quantas pessoas trabalham em um escritório que tem um estúdio de som profissional (vários músicos nas equipes), além de sala de sinuca e WII para descontrair?!

O mais bacana é a perspectiva de aprender, de crescer profissionalmente, me envolvendo com áreas novas para mim de inteligência competitiva e ensino à distância. Especialmente quando as duas coisas têm muitas interfaces para se relacionar comunidades e colaboração.

Já temos desafios à vista e na medida em que as coisas forem acontecendo, fatalmente haverá experiências e estudos de caso para registrar no blog. Diretamente do forno.




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