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Íntegra da entrevista com Jurema, participante da Wikipédia em português

Esta é a íntegra da entrevista com a Jurema Oliveira, participante da comunidade lusófona da Wikipédia. Volte ao artigo principal com o resumo dos assuntos debatidos nesta conversa.

Queria começar sabendo a que voce se dedica profissionalmente hoje.

Atualmente trabalho como promotora de vendas para uma agência contratada por grandes empresas para atuar em redes de supermercados. Sou aposentada e complemento minha renda com esse serviço.

Na primeira semana de trabalho, pensei que fosse morrer. Tomava Dorflex todos os dias para aliviar a dor dos braços e das pernas, mas como nosso corpo acostuma com tudo, na segunda semana não precisei mais, e descobri que era exatamente o que eu estava precisando.

Levanto às 5:30, tomo um banho, café da manhã e saio para pegar o primeiro ônibus, depois o segundo. Quando desço, ando um quilômetro à pé até chegar no primeiro supermercado onde fico até às 10:00. Pego dois ônibus e vou para o outro supermercado, trabalho um pouco, tenho uma hora de almoço e termino meu turno às 15:00 horas.

Já estou nesse emprego há 9 meses, experiência inédita pra mim. Estou fazendo coisas que nunca pensei em fazer na vida, estou aprendendo muita coisa nova e conhecendo pessoas que tempos atrás eu nem notava que existiam. Detalhe, não preciso pagar academia de ginástica, nem psicólogo, estou me fortalecendo física e mentalmente com esse trabalho.

O que voce fazia antes de se aposentar?

Já fiz de tudo um pouco. Comecei a trabalhar aos 13 anos na cartonagem de uma fábrica de perfumes. Depois em uma fábrica de camisas, balconista de loja, com 18 anos entrei na Prefeitura de São Paulo onde trabalhei na contabilidade das finanças 20 anos, paralelamente trabalhei na Servimec como operadora de computadores Ecodata.

Recebi uma proposta indecente para ganhar 10 vezes o que ganhava na prefeitura.Pedi exoneração do cargo e aceitei, fui ser gerente administrativa de uma rede de postos de gasolina e uma construtora. Depois de 4 anos e meio, pedi para ser mandada embora para resolver problemas pessoais.

Depois de resolver meus problemas pessoais, tentei de várias formas voltar ao mercado de trabalho mas não consegui, primeiro por causa da idade, já tinha passado dos quarenta, e segundo por que não terminei a faculdade. Nos últimos anos tenho encontrado empregos para ganhar bem pouco, mas dá para sobreviver.

Como foi a sua descoberta da wikipedia?

Já estou na internet desde o início. Fazia sites sobre candomblé. Muitos nem existem mais. Além das páginas, sempre participei de grupos de discussão sobre candomblé, por fazer parte da religião desde 1975. Conheci a Wikipédia fazendo buscas pelo Google. Resolvi consultar a palavra "candomblé" e não tinha nenhum artigo na Wikipédia. Isso foi em 2004. Resolvi escrever algumas linhas e criar o artigo. No começo, tive alguma dificuldade porque achava que usava-se a linguagem html para editar as páginas, mas aos poucos fui aprendendo.

Você sempre gostou de ler e escrever? Em que medida a sua participação voluntária como editora aumentou o seu domínio da língua escrita?

Sempre gostei de ler e escrever, mas não é qualquer livro ou texto que prende minha atenção. Aprendi muita coisa na Wikipédia e acho que melhorei minha forma de escrever. Estava acostumada com o "internetês", mas, aos poucos, fui me forçando a usar a escrita mais formal, para poder editar os artigos. Nas discussões sobre os artigos, relaxo um pouco e às vezes rodo a baiana. Sou conhecida como briguenta.

Como era a comunidade de editores wikipedistas falantes do português quando você começou em relaçao a como ela é hoje?

Quando comecei, encontrei uma comunidade acolhedora e amigável com novatos. Tive orientação de quase todos os veteranos. Cada artigo que eu editava logo em seguida recebia mensagem de alguém me parabenizando pelo trabalho e avisando a correção que tinha feito e o motivo. A minha primeira página de discussão pode confirmar isso.

A quantidade de editores era menor que hoje, mas na época o objetivo de todos era o mesmo: o crescimento da Wikipédia em quantidade de artigos. Os menos experientes criavam [artigos] "mínimos" http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:M%C3%ADnimo e esboços e os veteranos verificavam e faziam os artigos maiores. Existia os mesmos problemas de hoje, mas em número bem menor.

Com o tempo o número de editores aumentou bastante; o número de IPs acessando as páginas, de vândalos e de discussões sobre normas ortográficas também cresceram. Muitos dos veteranos da época saíram de cena por vários motivos.

Com a entrada de novos editores, houve uma modificação nas prioridades: novas ideias, novas filosofias. O antigo se tornou obsoleto, conflitos de ideias conservadoras com as inovadoras, disputas por títulos de artigos entre portugueses e brasileiros foram motivo para discussões de várias páginas. Os eventos do Acordo Ortográfico mobilizaram muitas páginas de discussão e diversos debates entre inclusionistas e delecionistas http://pt.wikipedia.org/wiki/Delecionismo_e_inclusionismo_na_Wikip%C3%A9dia para manter ou eliminar artigos.

Não dá para fazer uma comparação entre a comunidade do passado e a do presente. A Wikipédia é a mesma, mas são outras pessoas e quanto mais pessoas, maior é o número de ideias a serem discutidas, e mais trabalho a ser feito.

Como é a sua rotina de trabalho hoje na Wikipédia?

O tempo que dedico à Wikipédia é bem variado. Atualmente edito bem menos que antes, cerca de três à cinco horas por dia, dependendo dos meus compromissos. Às vezes passo dias sem editar nada. Quando fui administradora http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Administradores de 2004 à 2008, tinha outras tarefas e uma participação maior. Desempregada, eu tinha todo o tempo só para a Wikipédia.

Comecei editando sobre candomblé, depois passei a editar todo e qualquer artigo sobre coisas conhecidas. Faço correções, traduzo, faço predefinições, categorização, participo das discussões que envolvem mudanças ou páginas para eliminar, acompanho as discussões da Esplanada http://wikimedia.pt/Esplanada , mas participo pouco.

Os temas que mais edito são geografia, história, ciências, religião. Não gosto de editar biografias, mas adoro quebrar a cabeça com tabelas feitas com predefinição como esta http://pt.wikipedia.org/wiki/Predefini%C3%A7%C3%A3o:Artigos_sobre_divis%... . Quanto mais complicadas, melhor. No início, fiz muitos esboços sobre lugares, prédios e faculdades de São Paulo. Carreguei imagens no Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page . Muitas foram apagadas por não estarem de acordo com as regras de lá, mas ainda ficaram muitas.

Você acha que existe um momento desfavorável aos delecionistas?

Sim, o momento está um pouco desfavorável para o delecionistas em virtude de discussões anteriores. Eles andaram colocando para exclusão em massa artigos inclusive com referências de bairros, shoppings, times de futebol, bandas de rock, biografias. Um colocava a tag "ESR" (Eliminação Semi-Rápida) http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:ESR e eliminadores apagavam. Outras foram para "PE", que é a indicação para que os editores votem se o artigo deve ser apagado. Deu muita confusão. Veja as discussões que ainda estão em aberto http://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Eventos_atuais .

Você entende que delecionistas e inclusionistas têm argumentos válidos para defender suas posições?

Concordo, mas o que está acontecendo é um exagero delecionista, beirando ao vandalismo. Tenho a seguinte opinião: os artigos pequenos são insignificantes para os doutores, mas podem ser um grande orgulho para quem os fez. A pessoa que tiver um artigo eliminado tende a desistir, perde o interesse e vai para o Facebook, ao passo que, se for incentivado a continuar editando e sendo orientado, permanecerá.

Este é um exemplo do que combato. Acabei de fazer o artigo sobre uma sacerdotiza do candomblé chamada Maria Emiliana Piedade dos Reis http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Emiliana_Piedade_dos_Reis ontem a noite, incluindo no artigo fontes impressas de livros acadêmicos e poucas horas depois ela já está na lista para Eliminação Sime-Rápida. Por que? Por se tratar de pessoa do candomblé? Por ser negra a biografada? É relevante, é notória e é verificável conforme as fontes, então, qual é o problema? O artigo acabou sendo mantido, mas precisei começar mais uma briga http://pt.wikipedia.org/wiki/Discuss%C3%A3o:Maria_Emiliana_Piedade_dos_Reis . O usuário ocasional ou inexperiente provavelmente não vai ter a mesma disposição para fazer isso. Com uma "recepção" dessas, quem não vai desistir?

Será que esses artigos pequenos não seriam apenas um dano colateral da atividade essencial (e muito desgastante e cansativa de ser feita) de policiar a Wikipédia contra ataques de vândalos e tentativas de manipulação de informação? Metaforicamente falando: a deleção rápida seria o antibiótico necessário para curar a doença, mesmo provocando outros problemas no organismo?

Não! Acho que poderia existir uma outra forma de lidar com o problema. Por exemplo: só deveriam aparecer nas pesquisas do Google artigos verificados e aceitos. Outros artigos seriam visíveis apenas pelos editores; quem está logado, vê todos os artigos e pode editá-los, corrigi-los até que chegue a ser pelo menos um mínimo ou esboço verificado, sem erros, com referências. Enquanto isso, poderiam ser analisados, se for caso de vaidade [a pessoa escrever sobre ela mesma], conversar com o editor e explicar o que está fazendo não é aceito, etc. Restariam só os casos de palavrões, brincadeiras, vandalismo que já são eliminados de imediato.

Você pode comentar sobre as tensões entre a comunidade lusitana e a brasileira? Quais são os principais pontos de atrito?

Muitos foram os casos que estive envolvida nessas tensões. Eles escrevem no português europeu e os brasileiros como a nossa versão da língua, os angolanos no português africano. Houve muitas discussões sobre isso. Tentou-se fazer normas para decidir, mas até para discutir as normas tinha briga. Uma delas foi sobre o nome dos países como, por exemplo: Irã e Irão. Toda palavra que termina em "an ou ã" os portugueses mudam para "ão". Chegamos a fazer acordos de se colocar na primeira linha do artigo as duas formas de escrita. Isso resolveu uma parte do problema. Mas o problema maior são os títulos do artigo: quem cria o artigo, escreve como é de seu costume e é proibida a mudança de uma versão para outra. Você sabe o que é "Naquichevão"? é a cidade "Nakhichevan" do Azerbaijão. Como uma criança brasileira vai encontrar essa cidade e outras no mapa? O mesmo ocorre com palavras brasileiríssimas que vão trazer problemas nas escolas de Portugal. Os africanos adoram nosso brasileirismo e até adotam algumas palavras. A tensão é mesmo entre lusitanos e brasileiros. Uma das discussões foi esta e eu perdi feio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Discussão:Mascate

O termo "delecionismo" é uma forma de tratamento que pode ser considerada ofensiva pelos que defendem a prática?

Acho que ofensiva não, mesmo por que os delecionistas escolheram essa posição na comunidade e entre eles se orgulham disso. São tribos opostas e, logicamente, cada um é a favor do seu partido. (Usei a referência a partidos políticos figurativamente, assim como poderia ter usado times de futebol. O que acontece com quem entra de camisa verde no meio da torcida do Corinthians!?) O outro lado carrega a bandeira de delecionista com orgulho e os que tiveram artigos eliminados querem fritá-los, claro!

Existem pessoas moderadas, que tentam manter o equilíbrio, outras não conseguem e extrapolam. Além disso, o delecionismo pode ser perigoso no momento em que é movido por paixões, bairrismo, preconceito, religião de mais ou de menos, fanatismo, patriotismo exagerado, perfeccionismo exagerado. Isso tudo não da tempo de ser analisado por quem usa ferramentas rápidas como Huggle e Wab http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Huggle. Existe a função de eliminador e de administrador que precisam analisar caso por caso e não simplesmente ir apagando sem sequer ler uma linha do artigo.

Você acha que neste momento, pelos exemplos que você apresentou, que o delecionismo está cambaleante e que a comunidade está tomando partido do inclusionismo?

Acho que "cambaleante" não é o termo certo. Eles sempre vão existir, porém, agindo com mais cautela, por que agora tem muita gente de olho neles. A comunidade está insatisfeita, sim. Os participantes estão tomando partido do inclusionismo, e usuários com histórico de intransigência nesse aspecto, que apagam tudo aquilo que não gostam, estão sendo mais observados.

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Parte 4: o problema da relevância

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Jurema é uma defensora da causa do "inclusionismo", a parte que defende maior tolerância dos editores. Sua militância nesse sentido está vinculada à sua atuação criando artigos relacionados à temática do candomblé. Apesar de seguir as regras editoriais que determinam, entre outras coisas, que o conteúdo do artigo seja sustentado usando fontes confiáveis, é comum ela precisar "rodar a baiana" para evitar que eles sejam apagados.

Pelas regras, para um artigo ser aceito, o tema deve ser notório, verificável e relevante. O problema é que não existe uma noção única de relevância e o conteúdo aprovado acaba sendo aquele que é entendido como relevante pela maior parte dos voluntários. Um caso exemplar foi o do artigo sobre a expressão "mekmande" - um fenômeno da interet no Quênia parecido com o nosso "Menos Luiza que está no Canadá". Mesmo o caso tendo virado notícia no Wall Street Journal, editores quenianos tiveram problemas para criar e manter o artigo na Wikipédia em inglês.

O mesmo vale para quem acusa Jurema de ter uma noção pessoal de relevância ao querer publicar perfis de sacerdotes e sacerdotizas de religiões afro-brasileiras. Para a maioria na Wikipédia que não se interessa pelo assunto, essas são figuras obscuras e sem relevância para a história do país. Mas para Jurema, essa postura algumas vezes é uma maneira velada de racismo e discriminação social.

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Parte 3: qualidade vs. participação

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A Wikipédia talvez seja o principal enclave do projeto original da internet sonhado por cientistas e estudantes antes da abertura da rede para o comércio em meados da década de 1990. O ideal de democratizar o conhecimento permanece, mas a comunidade se divide sobre as maneiras de realizar esse objetivo.

Essas diferenças evoluiram para se tornar duas forças opositoras e complementares. Um grupo defende a bandeira da qualidade do serviço e trabalha para barrar a entrada de conteúdo fora dos critérios de publicação. O outro defende uma postura mais flexível para encorajar a participação de novatos.

Os dois lados têm sua parcela de razão. A visibilidade da Wikipédia a torna um espaço visado por vândalos e também por indivíduos e organizações interessados em manipular a percepção da sociedade sobre determinados assuntos. Mas o volume de publicações e a ênfase para se manter a guarda alerta tem o efeito colateral de apagar também a contribuição bem-intencionada mas muitas vezes incorreta de novatos, e isso desmotiva a renovação do quadro do grupo.

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Parte 2: os dois mundos de Jurema

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Nos conhecemos em uma reunião de voluntários da Wikipédia que aconteceu em janeiro aqui em São Paulo. Ex-funcionária concursada da Prefeitura de São Paulo, hoje com 64 anos, ela complementa a renda da aposentadoria atuando como representante de vendas em supermercados.

Ela é ativa na internet desde os anos 1990, quando começou a se embrenhar na rede para fazer sites amadores e participar de listas de discussão sobre o candomblé, movimento no qual ela está envolvida há quase 40 anos.

Ela entrou para o grupo de voluntários da Wikipédia em 2004 por não ter encontrado na enciclopédia na época um artigo sobre candomblé. O acolhimento dos editores veteranos e a disponibilidade de tempo quando esteve desempregada contribuíram para ela se envolver no trabalho.

Durante seus primeiros quatro anos ela serviu a comunidade como administradora, que é um tipo de usuário que atua para resolver disputas e que tem poderes para proteger, apagar ou restaurar páginas.

Hoje, apesar de ter menos tempo, ela continua ativa. Faz correções, traduz, relaciona artigos a categorias temáticas e também acompanha os debates da comunidade. E, como a maioria dos wikipedistas, considera o site uma espécie de segunda casa pela qual ela se sente responsável por ajudar a manter.

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Parte 1: um experimento de convívio

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Não é a primeira vez que escrevo sobre a Wikipédia. Ela não é um experimento perfeito, como o convívio em sociedade também não é, mas é surpreendente ver a complexidade da operação que faz surgir um produto com relevância inquestionável.

Quem fica fora geralmente não sabe, por exemplo, da existência de diversos tipos de funções exercidas pelos voluntários do projeto. Há reversores, eliminadores, administradores, burocratas, verificadores, entre outras. E para vários destes postos, não basta o usuário se oferecer para desempenhar o trabalho. A escolha acontece por participação direta.

Acompanhei uma candidatura a administrador e achei a experiência muito mais intensa e interessante do que a das eleições para os governos.

Usuários qualificados podem se candidatar, por exemplo, a ocuparem o posto de administradores. Uma página especial é criada para a ocasião e ela se torna o palco de uma arguição aberta à participação de toda a comunidade. É a hora para se fazer qualquer pergunta, que será respondida uma a uma até que todos estejam satisfeitos.

O candidato é principalmente questionado sobre suas ações dentro do site: por que defendeu a manutenção de determinado artigo? Por que teve uma conduta explosiva ao lidar com tal voluntário em relação a uma certa polêmica?

Só então acontece a votação que é feita de forma direta e aberta. E quem vota pode justificar sua posição: a favor, contra ou a abstenção. Para ser eleito, o usuário precisa ter a aprovação de 75% dos que votaram.

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Wikipédia: um mundo dentro do mundo e as tensões para que ele exista

A Wikipédia é um mundo à parte, dada a complexidade da operação e o fato de esse projeto acontecer prioritariamente pela participação de voluntários. Só quem chega perto percebe isso de verdade.

Quantas pessoas refletem, ao acessar um artigo dessa enciclopédia, sobre a teia de negociações e de esforços que está por trás de sua existência? E quantos se dão ao trabalho de imaginar quem são os protagonistas desse projeto? Como a gente imagina que eles sejam e como eles são de verdade?

Pedi para entrevistar a Jurema por ela não se encaixar na imagem desse internauta típico e estereotipado a quem creditamos muito do que acontece nos bastidores da internet. Mas o assunto principal da nossa conversa foi a polarização dos wikipedistas entre aqueles que defendem filtros rigorosos para a entrada de conteúdo e os opositores a essa visão que denunciam uma postura anti-democrática e até racista na lógica usada para aprovar ou apagar contribuições.

A entrevista aconteceu ao longo de um mês e consumiu mais de cinquenta emails trocados. Você pode escolher ir direto à íntegra da entrevista ou ler a síntese dos assuntos principais indicados pelos links neste texto.

Aproveito a ocasião para mencionar o nome de Pietro Roveri, um wikipedista engajado e com atuação intensa como participante da comunidade e estudioso do tema Wikipédia, que faleceu enquanto esta entrevista estava sendo produzida.

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Mais sobre procedimentos para participar da Wikipedia

Um post mais antigo sobre as regras e problemas relacionados a publicacao de textos na Wikipedia trouxe um novo comentario-reclamacao, o que estimulou o Ale, um representante da comunidade de editores da Wikipedia, a dar uma resposta atenciosa e informativa. Segue:

Comentario: Eu concordo com todos que estão indignados contra os administradores da Wikipedia, que se comportam não como administradores, mas como donos. Lá nos textos de orientação se fala em colaborar com o conhecimento, ser audaz na redação, não ter medo de postar nem de errar.Isso tudo é pura mentira. Eu acreditei na proposta e tentei colocar um artigo sobre um escritor de uma cidadezinha do interior de SP. Esta pessoa tem 7 cursos superiores e já publicou 5 livros, mais inúmeros artigos publicados em jornais do interior de SP. Mas para os administradores, não é relevante, não há fontes confiáveis, nada serve para provar a veracidade. Pode não ser relevante para eles, mas para a cidadezinha, é! Estou indignada e desistindo de COLABORAR com a Wikipedia.

Resposta: Fernanda, quando for reclamar de um caso assim, aproveite sempre para compartilhar o nome específico do artigo. Gente de bem que contribui da Wikipédia sempre fica curiosa para ver os detalhes do que você está contando.

Contudo, entenda que a Wikipédia não é uma coletânea, nem uma etnografia, nem um livro de história, é uma enciclopédia. Isso também está nos mesmos textos que falam sobre compartilhar conhecimento, ser audaz e não ter medo de errar. As definições detalhadas do que entra e o que não entra encontram-se juntas àqueles.

Essas definições estão abertas a discussão, mas precisam ser discutidas antes de serem alteradas, pois assim foram anteriormente e entendeu-se haver boas razões para serem como são. A Wikipédia é um espaço comum, o que significa que ninguém tem o direito de alterar um procedimento sem discutir e obter o amplo consenso da comunidade.

Ter curso superior, publicar livro e artigo em jornal não garante, pela documentação da própria Wikipédia, ter um artigo próprio.

Há motivos bons para isso, motivos cuja importância muitos consideram que vem apenas se confirmando nos agora 10 anos de existência do projeto.

Por exemplo, exclusivamente pelo critério "ter mais de um curso superior, mais de um livro publicado e mais de um artigo publicado em jornal", - e já estou dispensando restrições como "circulação estadual ou nacional" para incluir seu conterrâneo - teríamos de aceitar vários milhares de biografias na enciclopédia que não teriam sentido algum. Só para começar, praticamente todo professor universitário brasileiro teria um artigo na Wikipédia, mais boa parte dos jornalistas, e boa parte dos brasileiros que fizeram mestrado ou doutorado, o que, pelo menos ao meu ver, não tem o menor cabimento.

Por outro lado, pode até ser que seu escritor seja passível de inclusão no projeto atualmente, mas não pelas razões que você apresenta aqui. E, num espaço público, contam apenas os argumentos cabíveis ao processo, que creio foram sugeridos para você nas respostas dos editores, mesmo que talvez não tão gentilmente quanto você gostaria - o que não sei pois não vi. É um aprendizado, decerto.

Por último, os administradores não mandam em nada, quem sugere o artigo para eliminação não precisa ser administrador e para votar para o artigo ser eliminado ou não, também não requer ser administrador. As pessoas tem essa ideia equivocada de que os administradores tem qualquer autoridade excepcional. Eles apenas tem mais experiência e estão mais presentes nas discussões por em geral serem mais dedicados ao projeto, mas qualquer um pode sugerir uma eliminação e qualquer um com um nível de participação mínimo (300 edições em artigos) pode votar contra ou a favor - e cada voto conta igual. E todos são livres para argumentar e tentar convencer os demais, mesmo os que não votam e os anônimos.

Agora, que há na comunidade pessoas de pouca educação e até brutamontes é inegável.

Mas não misture problemas de indivíduos com os procedimentos que fazem a enciclopédia manter-se útil.

Se não, não conseguiremos corrigir uns e nem aprimorar os outros.

Abraço,

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Wikipedia para os wikipedianos, mas quanto custa manter um wikipediando?

Eu não tinha a intenção de dar continuidade a essa discussão sobre a Wikipedia (aqui e aqui), mas, a partir do momento que a discussão pega, é quase injusto pensar em interromper o processo de aprendizado. A seguir, estou reproduzindo duas mensagens particularmente instrutivas.

Minha principal crítica em relação ao procedimento dos editores e administradores da Wikipedia é que eles não deveriam avaliar a relevância de artigo contanto que ele esteja correto. O Fabrício inteligentemente anula o meu argumento dizendo que essa decisão só deve ser tomada por quem participa da comunidade.

O outro comentário (é o número 12) é do representante de uma agência que oferece, entre seus serviços, o de criar e editar verbetes na Wikipedia, e ele mostra quais os procedimentos devem ser tomados para que um verbete não seja apagado.

Isso é curioso porque mostra que existem forças de mercado influenciando o conteúdo da Wikipedia, gaming the system. Ou seja, em último caso, se você tiver dinheiro, pode "comprar" sua presença na Wikipedia, seja agindo segundo as regras de publicação, seja estabelecendo e cultivando um relacionamento com editores e administradores, seja se tornando editor ou administrador.

Se a exposição vale a pena (e vale), compensa ter uma equipe de parcial ou integralmente dedicada a se estabelecer dentro da Wikipedia para atender aos interesses de seus clientes.

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Será que vale a pena lutar pela Wikipedia?

na semana passada eu publiquei um post depois que quatro verbetes que eu criei na wikipedia foram apagados. fiquei positivamente surpreso com o debate que esse post gerou, tanto em termos de qualidade como de quantidade da troca de opiniões. a maioria dos mais de cem comentários publicados trazem vivências dessas pessoas na wikipedia.

o texto a seguir resume o que eu aprendi em função da troca de idéias proporcionada pelo texto anterior. é, na verdade, uma tentativa de organizar o meu pensamento para responder à pergunta: vale a pena lutar pela Wikipedia?

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Wikipedia brasileira desestimula a participação esporádica e tem mentalidade colonialista

Esses dias procurei na Wikipedia sobre a WebCo e o Manoel Lemos e vi que os verbetes não existem. Considero a WebCo a empresa mais importante da Web brasileira hoje, ou uma das mais importantes, pela complexidade da operação, pela aposta na internet participativa, feita colaborativamente, e pela visão de oferecer produtos online com a cara do usuário brasileiro. É deles o Blogblogs, versão nacional do Technorati, e o Brasigo, produto correspondente ao Yahoo Respostas.

Segue uma reflexão sobre o motivo da Wikipedia brasileira ter verbetes sobre os concorrentes internacionais da WebCo, mas não sobre a WebCo e outras empresas daqui.

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