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Íntegra da entrevista com Jurema, participante da Wikipédia em português

Esta é a íntegra da entrevista com a Jurema Oliveira, participante da comunidade lusófona da Wikipédia. Volte ao artigo principal com o resumo dos assuntos debatidos nesta conversa.

Queria começar sabendo a que voce se dedica profissionalmente hoje.

Atualmente trabalho como promotora de vendas para uma agência contratada por grandes empresas para atuar em redes de supermercados. Sou aposentada e complemento minha renda com esse serviço.

Na primeira semana de trabalho, pensei que fosse morrer. Tomava Dorflex todos os dias para aliviar a dor dos braços e das pernas, mas como nosso corpo acostuma com tudo, na segunda semana não precisei mais, e descobri que era exatamente o que eu estava precisando.

Levanto às 5:30, tomo um banho, café da manhã e saio para pegar o primeiro ônibus, depois o segundo. Quando desço, ando um quilômetro à pé até chegar no primeiro supermercado onde fico até às 10:00. Pego dois ônibus e vou para o outro supermercado, trabalho um pouco, tenho uma hora de almoço e termino meu turno às 15:00 horas.

Já estou nesse emprego há 9 meses, experiência inédita pra mim. Estou fazendo coisas que nunca pensei em fazer na vida, estou aprendendo muita coisa nova e conhecendo pessoas que tempos atrás eu nem notava que existiam. Detalhe, não preciso pagar academia de ginástica, nem psicólogo, estou me fortalecendo física e mentalmente com esse trabalho.

O que voce fazia antes de se aposentar?

Já fiz de tudo um pouco. Comecei a trabalhar aos 13 anos na cartonagem de uma fábrica de perfumes. Depois em uma fábrica de camisas, balconista de loja, com 18 anos entrei na Prefeitura de São Paulo onde trabalhei na contabilidade das finanças 20 anos, paralelamente trabalhei na Servimec como operadora de computadores Ecodata.

Recebi uma proposta indecente para ganhar 10 vezes o que ganhava na prefeitura.Pedi exoneração do cargo e aceitei, fui ser gerente administrativa de uma rede de postos de gasolina e uma construtora. Depois de 4 anos e meio, pedi para ser mandada embora para resolver problemas pessoais.

Depois de resolver meus problemas pessoais, tentei de várias formas voltar ao mercado de trabalho mas não consegui, primeiro por causa da idade, já tinha passado dos quarenta, e segundo por que não terminei a faculdade. Nos últimos anos tenho encontrado empregos para ganhar bem pouco, mas dá para sobreviver.

Como foi a sua descoberta da wikipedia?

Já estou na internet desde o início. Fazia sites sobre candomblé. Muitos nem existem mais. Além das páginas, sempre participei de grupos de discussão sobre candomblé, por fazer parte da religião desde 1975. Conheci a Wikipédia fazendo buscas pelo Google. Resolvi consultar a palavra "candomblé" e não tinha nenhum artigo na Wikipédia. Isso foi em 2004. Resolvi escrever algumas linhas e criar o artigo. No começo, tive alguma dificuldade porque achava que usava-se a linguagem html para editar as páginas, mas aos poucos fui aprendendo.

Você sempre gostou de ler e escrever? Em que medida a sua participação voluntária como editora aumentou o seu domínio da língua escrita?

Sempre gostei de ler e escrever, mas não é qualquer livro ou texto que prende minha atenção. Aprendi muita coisa na Wikipédia e acho que melhorei minha forma de escrever. Estava acostumada com o "internetês", mas, aos poucos, fui me forçando a usar a escrita mais formal, para poder editar os artigos. Nas discussões sobre os artigos, relaxo um pouco e às vezes rodo a baiana. Sou conhecida como briguenta.

Como era a comunidade de editores wikipedistas falantes do português quando você começou em relaçao a como ela é hoje?

Quando comecei, encontrei uma comunidade acolhedora e amigável com novatos. Tive orientação de quase todos os veteranos. Cada artigo que eu editava logo em seguida recebia mensagem de alguém me parabenizando pelo trabalho e avisando a correção que tinha feito e o motivo. A minha primeira página de discussão pode confirmar isso.

A quantidade de editores era menor que hoje, mas na época o objetivo de todos era o mesmo: o crescimento da Wikipédia em quantidade de artigos. Os menos experientes criavam [artigos] "mínimos" http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:M%C3%ADnimo e esboços e os veteranos verificavam e faziam os artigos maiores. Existia os mesmos problemas de hoje, mas em número bem menor.

Com o tempo o número de editores aumentou bastante; o número de IPs acessando as páginas, de vândalos e de discussões sobre normas ortográficas também cresceram. Muitos dos veteranos da época saíram de cena por vários motivos.

Com a entrada de novos editores, houve uma modificação nas prioridades: novas ideias, novas filosofias. O antigo se tornou obsoleto, conflitos de ideias conservadoras com as inovadoras, disputas por títulos de artigos entre portugueses e brasileiros foram motivo para discussões de várias páginas. Os eventos do Acordo Ortográfico mobilizaram muitas páginas de discussão e diversos debates entre inclusionistas e delecionistas http://pt.wikipedia.org/wiki/Delecionismo_e_inclusionismo_na_Wikip%C3%A9dia para manter ou eliminar artigos.

Não dá para fazer uma comparação entre a comunidade do passado e a do presente. A Wikipédia é a mesma, mas são outras pessoas e quanto mais pessoas, maior é o número de ideias a serem discutidas, e mais trabalho a ser feito.

Como é a sua rotina de trabalho hoje na Wikipédia?

O tempo que dedico à Wikipédia é bem variado. Atualmente edito bem menos que antes, cerca de três à cinco horas por dia, dependendo dos meus compromissos. Às vezes passo dias sem editar nada. Quando fui administradora http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Administradores de 2004 à 2008, tinha outras tarefas e uma participação maior. Desempregada, eu tinha todo o tempo só para a Wikipédia.

Comecei editando sobre candomblé, depois passei a editar todo e qualquer artigo sobre coisas conhecidas. Faço correções, traduzo, faço predefinições, categorização, participo das discussões que envolvem mudanças ou páginas para eliminar, acompanho as discussões da Esplanada http://wikimedia.pt/Esplanada , mas participo pouco.

Os temas que mais edito são geografia, história, ciências, religião. Não gosto de editar biografias, mas adoro quebrar a cabeça com tabelas feitas com predefinição como esta http://pt.wikipedia.org/wiki/Predefini%C3%A7%C3%A3o:Artigos_sobre_divis%... . Quanto mais complicadas, melhor. No início, fiz muitos esboços sobre lugares, prédios e faculdades de São Paulo. Carreguei imagens no Commons http://commons.wikimedia.org/wiki/Main_Page . Muitas foram apagadas por não estarem de acordo com as regras de lá, mas ainda ficaram muitas.

Você acha que existe um momento desfavorável aos delecionistas?

Sim, o momento está um pouco desfavorável para o delecionistas em virtude de discussões anteriores. Eles andaram colocando para exclusão em massa artigos inclusive com referências de bairros, shoppings, times de futebol, bandas de rock, biografias. Um colocava a tag "ESR" (Eliminação Semi-Rápida) http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:ESR e eliminadores apagavam. Outras foram para "PE", que é a indicação para que os editores votem se o artigo deve ser apagado. Deu muita confusão. Veja as discussões que ainda estão em aberto http://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Eventos_atuais .

Você entende que delecionistas e inclusionistas têm argumentos válidos para defender suas posições?

Concordo, mas o que está acontecendo é um exagero delecionista, beirando ao vandalismo. Tenho a seguinte opinião: os artigos pequenos são insignificantes para os doutores, mas podem ser um grande orgulho para quem os fez. A pessoa que tiver um artigo eliminado tende a desistir, perde o interesse e vai para o Facebook, ao passo que, se for incentivado a continuar editando e sendo orientado, permanecerá.

Este é um exemplo do que combato. Acabei de fazer o artigo sobre uma sacerdotiza do candomblé chamada Maria Emiliana Piedade dos Reis http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Emiliana_Piedade_dos_Reis ontem a noite, incluindo no artigo fontes impressas de livros acadêmicos e poucas horas depois ela já está na lista para Eliminação Sime-Rápida. Por que? Por se tratar de pessoa do candomblé? Por ser negra a biografada? É relevante, é notória e é verificável conforme as fontes, então, qual é o problema? O artigo acabou sendo mantido, mas precisei começar mais uma briga http://pt.wikipedia.org/wiki/Discuss%C3%A3o:Maria_Emiliana_Piedade_dos_Reis . O usuário ocasional ou inexperiente provavelmente não vai ter a mesma disposição para fazer isso. Com uma "recepção" dessas, quem não vai desistir?

Será que esses artigos pequenos não seriam apenas um dano colateral da atividade essencial (e muito desgastante e cansativa de ser feita) de policiar a Wikipédia contra ataques de vândalos e tentativas de manipulação de informação? Metaforicamente falando: a deleção rápida seria o antibiótico necessário para curar a doença, mesmo provocando outros problemas no organismo?

Não! Acho que poderia existir uma outra forma de lidar com o problema. Por exemplo: só deveriam aparecer nas pesquisas do Google artigos verificados e aceitos. Outros artigos seriam visíveis apenas pelos editores; quem está logado, vê todos os artigos e pode editá-los, corrigi-los até que chegue a ser pelo menos um mínimo ou esboço verificado, sem erros, com referências. Enquanto isso, poderiam ser analisados, se for caso de vaidade [a pessoa escrever sobre ela mesma], conversar com o editor e explicar o que está fazendo não é aceito, etc. Restariam só os casos de palavrões, brincadeiras, vandalismo que já são eliminados de imediato.

Você pode comentar sobre as tensões entre a comunidade lusitana e a brasileira? Quais são os principais pontos de atrito?

Muitos foram os casos que estive envolvida nessas tensões. Eles escrevem no português europeu e os brasileiros como a nossa versão da língua, os angolanos no português africano. Houve muitas discussões sobre isso. Tentou-se fazer normas para decidir, mas até para discutir as normas tinha briga. Uma delas foi sobre o nome dos países como, por exemplo: Irã e Irão. Toda palavra que termina em "an ou ã" os portugueses mudam para "ão". Chegamos a fazer acordos de se colocar na primeira linha do artigo as duas formas de escrita. Isso resolveu uma parte do problema. Mas o problema maior são os títulos do artigo: quem cria o artigo, escreve como é de seu costume e é proibida a mudança de uma versão para outra. Você sabe o que é "Naquichevão"? é a cidade "Nakhichevan" do Azerbaijão. Como uma criança brasileira vai encontrar essa cidade e outras no mapa? O mesmo ocorre com palavras brasileiríssimas que vão trazer problemas nas escolas de Portugal. Os africanos adoram nosso brasileirismo e até adotam algumas palavras. A tensão é mesmo entre lusitanos e brasileiros. Uma das discussões foi esta e eu perdi feio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Discussão:Mascate

O termo "delecionismo" é uma forma de tratamento que pode ser considerada ofensiva pelos que defendem a prática?

Acho que ofensiva não, mesmo por que os delecionistas escolheram essa posição na comunidade e entre eles se orgulham disso. São tribos opostas e, logicamente, cada um é a favor do seu partido. (Usei a referência a partidos políticos figurativamente, assim como poderia ter usado times de futebol. O que acontece com quem entra de camisa verde no meio da torcida do Corinthians!?) O outro lado carrega a bandeira de delecionista com orgulho e os que tiveram artigos eliminados querem fritá-los, claro!

Existem pessoas moderadas, que tentam manter o equilíbrio, outras não conseguem e extrapolam. Além disso, o delecionismo pode ser perigoso no momento em que é movido por paixões, bairrismo, preconceito, religião de mais ou de menos, fanatismo, patriotismo exagerado, perfeccionismo exagerado. Isso tudo não da tempo de ser analisado por quem usa ferramentas rápidas como Huggle e Wab http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikip%C3%A9dia:Huggle. Existe a função de eliminador e de administrador que precisam analisar caso por caso e não simplesmente ir apagando sem sequer ler uma linha do artigo.

Você acha que neste momento, pelos exemplos que você apresentou, que o delecionismo está cambaleante e que a comunidade está tomando partido do inclusionismo?

Acho que "cambaleante" não é o termo certo. Eles sempre vão existir, porém, agindo com mais cautela, por que agora tem muita gente de olho neles. A comunidade está insatisfeita, sim. Os participantes estão tomando partido do inclusionismo, e usuários com histórico de intransigência nesse aspecto, que apagam tudo aquilo que não gostam, estão sendo mais observados.

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Parte 4: o problema da relevância

Volte ao artigo principal ou leia a íntegra da entrevista

Jurema é uma defensora da causa do "inclusionismo", a parte que defende maior tolerância dos editores. Sua militância nesse sentido está vinculada à sua atuação criando artigos relacionados à temática do candomblé. Apesar de seguir as regras editoriais que determinam, entre outras coisas, que o conteúdo do artigo seja sustentado usando fontes confiáveis, é comum ela precisar "rodar a baiana" para evitar que eles sejam apagados.

Pelas regras, para um artigo ser aceito, o tema deve ser notório, verificável e relevante. O problema é que não existe uma noção única de relevância e o conteúdo aprovado acaba sendo aquele que é entendido como relevante pela maior parte dos voluntários. Um caso exemplar foi o do artigo sobre a expressão "mekmande" - um fenômeno da interet no Quênia parecido com o nosso "Menos Luiza que está no Canadá". Mesmo o caso tendo virado notícia no Wall Street Journal, editores quenianos tiveram problemas para criar e manter o artigo na Wikipédia em inglês.

O mesmo vale para quem acusa Jurema de ter uma noção pessoal de relevância ao querer publicar perfis de sacerdotes e sacerdotizas de religiões afro-brasileiras. Para a maioria na Wikipédia que não se interessa pelo assunto, essas são figuras obscuras e sem relevância para a história do país. Mas para Jurema, essa postura algumas vezes é uma maneira velada de racismo e discriminação social.

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Wikipédia: um mundo dentro do mundo e as tensões para que ele exista

A Wikipédia é um mundo à parte, dada a complexidade da operação e o fato de esse projeto acontecer prioritariamente pela participação de voluntários. Só quem chega perto percebe isso de verdade.

Quantas pessoas refletem, ao acessar um artigo dessa enciclopédia, sobre a teia de negociações e de esforços que está por trás de sua existência? E quantos se dão ao trabalho de imaginar quem são os protagonistas desse projeto? Como a gente imagina que eles sejam e como eles são de verdade?

Pedi para entrevistar a Jurema por ela não se encaixar na imagem desse internauta típico e estereotipado a quem creditamos muito do que acontece nos bastidores da internet. Mas o assunto principal da nossa conversa foi a polarização dos wikipedistas entre aqueles que defendem filtros rigorosos para a entrada de conteúdo e os opositores a essa visão que denunciam uma postura anti-democrática e até racista na lógica usada para aprovar ou apagar contribuições.

A entrevista aconteceu ao longo de um mês e consumiu mais de cinquenta emails trocados. Você pode escolher ir direto à íntegra da entrevista ou ler a síntese dos assuntos principais indicados pelos links neste texto.

Aproveito a ocasião para mencionar o nome de Pietro Roveri, um wikipedista engajado e com atuação intensa como participante da comunidade e estudioso do tema Wikipédia, que faleceu enquanto esta entrevista estava sendo produzida.

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Tudo o que você precisa saber sobre Twitter, em português e grátis

capa do livro: Tudo o que você precisa saber sobre Twitter

“Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” será lançado na rede esta semana pela Talk Interactive e ficará disponível gratuitamente na Web - faça o download aqui.

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” será lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro (http://www.twitter.com/lets_talk). O conteúdo ficará disponível na internet com uma licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas. “O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”, afirma.

A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço. “É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:
- O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson
- O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando "sozinho", eventualmente alguém responde. @saintbr
- Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte
- O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
- Criação: Talk Interactive
- Páginas: 110
- Licença: Creative Commons
- Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

Sobre a Talk

A Talk (www.talkinteractive.com.br) é uma agência especializada na formulação de estratégias de marketing digital, mídias sociais e tecnologias 2.0 para clientes de vários segmentos, especialmente da área institucional.

O texto acima é o release oficial. Agora, algumas considerações

Eu queria tanto escrever um guia sobre o Twitter - tanto, tanto, tanto - que estimei que conseguiria fazer isso em uma semana: 5 dias úteis! Agora que ele finalmente está pronto, penso na corrida de montanha-russa que foram os últimos 40 dias e me pergunto como eu cheguei a esse prazo tão otimista / sem noção.

Um livro em 5 dias

Em parte, estimei que conseguiria produzi-lo em uma semana pelo desejo de fazer o que eu gosto: pesquisar e escrever sobre um assunto que vem sendo a minha vida há 12 anos, e também pela noção de que uma semana é o que dá para garantir na rotina acelerada das agências de publicidade.

Também fiz essa estimativa partindo da premissa de que o livro demandaria relativamente pouco esforço criativo já que toda a informação sobre o Twitter está disponível na Rede. O esforço se resumiria a encontrar, escolher e organizar o conteúdo.

É claro que seria possível fazer um guia do Twitter em uma semana, até em um dia, mas ele não teria 110 páginas, nem cobriria a mesma extensão de temas, teria uma diagramação mais básica, uma capa simples e, consequentemente, menos utilidade e chamaria menos a atenção de eventuais interessados.

De volta da montanha-russa

Foi uma pauleira - sábado, domingo, madrugada, fim de semana, férias -, mas consegui fazer o livro que eu queria. Se eu tivesse mais tempo, acredito que o resultado não seria muito diferente disso, principalmente porque o Twitter continua evoluindo e se reformulando. Um livro maior ou mais reflexivo correria o risco de ficar desatualizado (mais) rápido e não compensaria o esforço.

O conteúdo está há duas semanas sendo revisado e corrigido e durante esse tempo me preocupei em inserir informações relevantes que foram aparecendo. A última modificação foi feita hoje para incluir uma menção ao ataque que paralisou o Twitter por algumas horas ontem - e espero que não aconteça nada até segunda =)

Tudo o que você precisa no mesmo documento

É um livro prático onde todo usuário deverá encontrar alguma novidade para aperfeiçoar a maneira como usa a ferramenta. Você pode gastar horas procurando e filtrando informações sobre o Twitter na Rede ou pode baixar o livro e encontrar quase tudo de relevante publicado sobre o serviço, voltado para pessoas e também para organizações.

Concordo com o Steven Johnson quando ele escreve que daqui a dois anos é possível que tenhamos trocado o Twitter por alguma outra novidade, mas mais importante que o Twitter - e daí a motivação para produzir este guia - são as novidades que ele traz para o usuário comum da Web e a maneira como o serviço acompanha a tendência de usarmos o celular como computador portátil.

Nesse contexto, o objetivo do livro é trazer mais gente para o Twitter, apostando que mais pessoas experimentando e registrando suas descobertas ajudará a amadurecer o mercado da internet aqui e em lugares culturalmente próximos como o restante da América Latina e os países lusófonos.

Talk, thanks ;-)

Finalmente, é importante ressaltar que esse livro não existiria hoje do tamanho e com a qualidade que está sem o apoio integral da Talk a este projeto. Em uma indústria muito frequentemente movida por resultados financeiros, não deixa de me surpreender a demonstração de interesse em fazer um guia "pra valer", com função exclusivamente educativa. É o que faz a diferença.

Depois devo escrever mais sobre isso, mas este manual foi mais uma experiência em relação à produção de livros digitais. Ele foi ainda mais artesanal que o Para Entender a Internet, no sentido que, além de escrever, eu fiz a pesquisa de imagens, a diagramação do texto e das imagens, além de coordenar a correção e também a negociação para contratar o mestre Marcelo Tas para produzir o prefácio.

Uma das consequências curiosas desse processo intenso é que eu praticamente parei de tuitar depois que concluí a fase de pesquisa. Fiz isso para evitar ver coisas interessantes e me dispersar das metas e também para não me confrontar com as dezenas de notícias relacionadas ao Twitter que são tuitadas diariamente.

Agora e acabou e espero voltar à correria normal de trocas de links, conversas e debates.

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