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agressão | Não Zero

agressão

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O covarde linchamento online de Maria Bethania

Estou chegando com mais de um mês de atraso neste debate sobre o blog da Bethania, mas talvez a relexão ainda seja válida.

Acho que o colega Julio Dario Borges errou a mão no texto publicado recentemente em seu Digestivo Cultural e intitulado O escandaloso blog de poesia de Maria Bethânia. Ele poderia ter feito a crítica necessária e sóbria, mas escolheu aderir à turba para participar do linchamento midiático do nome da Bethânia. (O tratamento mais simpático e condescendente que ela recebe no texto é de "laranja".)

Quanto vale a música?

O cálculo que causou o alvoroço é simples: um blog custa 5 minutos para ser criado logo pedir R$ 1,8 milhão por esse serviço é um descalabro, certo? É o que vamos ver.

O texto se refere ironicamente ao montante aprovado para a captação: "apenas" R$ 1,35 milhão, e é igualmente amargo ao dizer que o cachê da cantora seria de "apenas" R$ 600 mil. Mas quem concedeu ao Julio a autoridade para julgar moralmente o valor de um cachê artístico? Quando uma pessoa procura um trabalho, ela quer ser remunerada a partir de um valor correspondente ao que o mercado paga a outros que tenham as mesmas credenciais profissionais. Se a cifra de R$ 600 mil impressiona a maioria de nós, assalariados, há que se considerar que poucos têm um legado artístico e uma voz como os da Bethânia. Da perspectiva do mercado, ela é remunerada como um profissional que há 40 anos enche casas de espetáculo e vende álbuns.

Outro ponto importante da crítica diz respeito ao valor total do projeto: R$ 1,8 milhão. Sim, qualquer um com conexão e curso primário cria um blog gratuitamente, mas - repito - este não é um blog qualquer.

Se a Bethânia pretendia recitar poemas em vídeo, haverá uma equipe para planejar, produzir, gravar, editar e pós-produzir esse material. Isso tem custo. Quantos vídeos serão produzidos? Quantos minutos terá cada vídeo? Isso faz muita diferença. Haverá trabalho de pesquisa para a coleta desse material? Haverá curadoria para que a seleção de poemas seja original? Isso também custa.

Trincheiras contra a profissionalização

Agora, há um aspecto irônico nessa história: a grande maioria das pessoas que chiou por causa da aprovação da captação é da indústria online e muitos estão pelejando para serem reconhecidos e valorizados. No momento em que aparece um projeto que representa essa maturidade, que entende que a internet pode ter outras mídias, que a Web é uma plataforma que funde as anteriores, que uma produtora de internet não serve só pra “fazer site” e que existem outros profissionais envolvidos nessa produção além de “webmaster”, quando isso acontece e o projeto recebe a autorização para captar, em vez de festejarem, essas pessoas levantam trincheiras e fazem protestos.

Se a Bethânia quisesse ir para a Praça da Sé em São Paulo, sentar-se em um banquinho, tocar pandeiro, cantar e passar o chapéu, o custo de produção tambem seria baratinho. Mas se não há problema em usar leis de incentivo para produzir um show pago, qual é o problema de haver uma mega produção para a internet?

Conteúdo livre vs. conteúdo grátis

Tenho a impressão que a noção do "open" muitas vezes dá margem a esse tipo de mau uso. Parece que só é bom o que é “open”, mas “open” pode ser "livre" como também "grátis". O programador que desenvolve código para o Linux sobrevive porque o código que ele desenvolve e compartilha o credencia para vender seu trabalho, e quando melhor ele for, mais ele poderá pedir em remuneração.)

O caso é ainda mais irônico porque ninguém reclamaria - pelo menos dessa forma - se o valor fosse aprovado para a realização de um DVD, por exemplo, em que o conteúdo ficaria legalmente fechado. Mas neste caso, o conteúdo estava sendo feito para ser open (livre), poderia ser legalmente visto e distribuído mundo a fora e a dentro promovendo o Brasil, a cultura luso-brasileira e um gênero literário que poucos - a Bethânia eh exceção - promovem: a poesia.

O Júlio diz que a redação do projeto foi feita de forma quase infantil. Não vi e não posso confirmar, mas acho esse um ponto importante do ataque que ele publicou. Se o projeto não foi corretamente documentado e justificado, deveria ter sido, ou dá margem para que exista esse tipo de desconfiança. Mas esse ponto desaparece em meio à ferocidade do ataque. E ao atiçar o fogo, contribuímos para descredenciar a indústria de comunicação digital para projetos legais de grande porte. E assim nos resta aceitar remunerações medíocres para fazer coisas bacanas ou ter que encarar trampos chatos e burocráticos para ganhar um dinheirinho melhor.

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