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acervo | Não Zero

acervo

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Você já pensou em ficar sócio de uma biblioteca pública?

Bibliotecas, parte 1

Frequentei com uma certa assiduidade a biblioteca "infanto-juvenil" do nosso bairro, aqui em São Paulo, quando eu era meninote e cursava o fundamental 1.

Dava-se o nome de fazer "pesquisa" ao ato de reproduzir palavra a palavra determinados verbetes enciclopédicos, geralmente os mais longos.

A ida à biblioteca condenava à morte uma tarde perfeita assistindo desenhos na TV. No entorno, bibliotecárias de avental parecidas com as professoras da minha escola e um pouco também com guardas carcerários.

Não chegava a ser uma experiência traumática, mas a lembrança física que ficou é parecida com a experiência de ir ao dentista: um aborrecimento que não podia ser evitado.

Bibliotecas, parte 2

O fato é que no ano passado tive a oportunidade (na verdade, um presente do Céu) de parar de trabalhar para, durante um ano, "apenas" estudar.

Ficamos em Londres, mas, na prática, vivi entre as salas de aula e bibliotecas, a da própria universidade e a British Library.

Biblioteca, neste caso, é mais do que um arquivo público de livros. É o ambiente propício ao estudo: cadeiras, mesas e iluminação específicas para acomodar o corpo em certas posições durante horas e - luxo para quem é distraído - bastante silêncio.

Comecei a sentir saudades da Inglaterra antecipadamente, no dia frio de janeiro em que me inscrevi para usar a British Library: salas intermináveis, silêncio, acomodações confortáveis, internet grátis e 150 milhões de itens disponíveis para pesquisa.

Da biblioteca à livraria

Alguns anos depois de "ter alta" das idas compulsórias à biblioteca da minha infância, passei a frequentar voluntariamente a livraria do meu bairro. Mas diferente daquela, esta tinha pessoas simpáticas e livros que me interessavam.

Troquei a biblioteca pela livraria. A ponto de ter transformado a ida a livrarias em passeio. Difícil não levar alguma coisa para casa, mas, reconheço, a maior parte eu deixei para depois. Comprei por impulso e muitos acabaram entrando para uma fila grande e desordenada de coisas para ler "em algum momento".

Tenho muito mais livros do que eu posso ler e, pasme, continuo tendo o desejo de comprar. Mas voltei a São Paulo disposto a buscar um equilíbrio novo entre ganhar dinheiro e ter tempo e, nesse novo contrato, me ocorreu que poderia ficar sócio de uma biblioteca pública.

Por que eu não tinha pensado nisso antes? Será que eu não tinha tempo por estar no escritório nas horas que as bibliotecas abrem? Será que eu pensava que não encontraria livros que me interessariam? Suspeito que, no fundo, haja um certo orgulho de ter poder de compra.

Alceu Amoroso Lima

É um prédio meio arrojado, de concreto mas elegante, na esquina da Cardeal Arco Verde com Henrique Schaumann. Vi pela internet que precisava de comprovante de residência e RG para ficar sócio.

A especialidade deles é literatura, mas com a mesma inscrição eu posso retirar livros em qualquer outra biblioteca municipal. O acervo pode ser consultado por computador. Quem não puder ir no horário de funcionamento, pode ligar e o livro será reservado para ser retirado até as 19h.

Encontrei livros usados mas em bom estado. Livros da Cosac, da Cia das Letras, de outras boas editoras. Publicações recentes e também outros que, tendo perdido o valor comercial, geralmente as livrarias não têm.

Comprar para que?

A experiência de ser bem atendido e de encontrar livros atuais e em boas condições na biblioteca pública do bairro me fez repensar o sentido de ter criado e manter a minha modesta coleção privada.

Veja: o livro (enquanto livro) tem vida útil de, em média, um mês ou menos. Depois disso, a imensa maioria se converte em itens de decoração que ocupam espaço e são difíceis de transportar em quantidade.

Neste cenário, a gente parece optar pelo gasto e pelo compromisso de armazenamento futuro (apesar de sua provável inutilidade) à perspectiva de não ter o produto ou para evitar a inconveniência de procurá-lo por outros meios.

Mas, por estranho que isso possa soar, acho que, como eu, muitas pessoas nem consideram a possibilidade de frequentar a biblioteca. Mesmo sabendo que ela abre aos sábados e sem investigar a qualidade do acervo.

Necessidade induzida

Estou considerando a hipótese de que o consumo de livros nas condições que descrevi seja uma necessidade induzida e em grande parte dispensável.

Se no seu bairro a biblioteca tem um acervo interessante, se ela abre nos finais de semana, se você pode escolher o que quiser e levar para casa sem pagar e sem ter que armazenar eternamente, você está gastando à toa.

Sim, a livraria tem livros atuais, mas acho importante mencionar o esforço das editoras para alimentar essa imagem da atualidade. Eu já comprei muitos livros impulsivamente, seduzido por capas e recomendações.

Outros apareceram, perdi o prazo de devolução e eles entraram na lista do "um dia quem sabe".

"Emprestar" da rede

Não sei se as bibliotecas públicas do passado eram muito ruins ou se a gente cultiva a noção de que emprestar livros é coisa de quem não tem dinheiro para comprar.

O fato é que encontrei um acervo atualizado e bem-cuidado na biblioteca do meu bairro. É grátis ficar sócio e não tenho ansiedade de pegar ou não pegar um livro. Se não tiver na hora, tem outros. Se eu não gostar, devolvo.

Isso me faz pensar em fazer uma boa "rapa" no meu acervo pessoal e doar para a Amoroso Lima. Eles cuidam bem e meus livros servirão a outros.

E finalmente, isso me faz pensar também no livro digital. Se eu posso emprestar da biblioteca, por que não "emprestar" da rede?

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Arqueologia digital: como salvar 8 mil histórias do esquecimento?

Este é um caso de arqueologia digital. O Viva São Paulo é um projeto colaborativo lançado em 2003 pela Rádio Eldorado para os paulistanos contarem coletivamente as suas histórias. Note bem: ele não é uma coleção de histórias soltas, mas uma longa conversa da cidade com ela mesma.

Um dos meus prazeres favoritos quando eu administrava esse projeto era acompanhar a "fermentação" das discussões pelos comentários. Alguém contava uma história e aquilo ativava a memória dos outros participantes que se encontravam e discutiam o assunto na área de comentários.

Veja, por exemplo, o que aconteceu quando uma participante escreveu sobre sua experiência nos anos 1950 ferindo os costumes vigentes ao usar calças compridas para andar na rua. (Sim, meu caro padawan, há meio século isso representava uma grande ousadia.)

Como qualquer coisa "viva", o Viva também envelheceu. Ele, que funciona com um gestor de conteúdo feito sob encomenda, se tornou uma espécie de calhambeque comparado aos modelos saídos de fábrica usados hoje como Tumblr, WordPress e Drupal.

Envelhecer, neste caso, trouxe novas ameaças para o corpo mais frágil do VivaSP. O pior problema para ele foi a falta de um mecanismo para filtrar comentários que é útil em um mundo com muito mais pessoas acessando a Internet. Nos últimos anos, temos sofrido uma infestação de "haters" (são poucos, mas com muito ódio para queimar) que entram no site para provocar e chamar atenção e isso foi gradativamente sufocando o projeto.

Ele, que sobreviveu à falta de dinheiro se tornando uma espécie de comuna administrada pelos próprios usuários, agora está virando ruina. Os mais ferrenhos "moradores" estão se despedindo dele. Como falou a Wilma, a nossa querida Miss Barata e uma das "mães" do projeto hoje, "se é para que os loucos se divirtam às custas do que foi tão belo, penso que o melhor é parar de pagar [a hospedagem]".

O problema se resume ao seguinte: se eu desligar o site, o conjunto das histórias vai se perder. Os autores têm suas cópias, alguns textos estão publicados em outros lugares, mas a conversa que aconteceu nos comentários e que fomentou a redação das histórias vai desaparecer.

Este texto é para lançar um S.O.S. para a sociedade, para ver se encontramos soluções para esse dilema. Este texto também registra uma reflexão sobre a fragilidade do digital. A mesma facilidade que o arquivo tem para ser copiado e disseminado ele também tem para ser apagado e esquecido.

O site tem 8 mil histórias publicadas espontaneamente desde 2003 e uma quantidade muito maior de comentários.

Quem puder ajudar, estará tratando bem um grupo muito fiel e animado de contadores de história. Também estará juntando a própria história à de um projeto que seviu e serve para pessoas comuns discutirem e pensarem a cidade de São Paulo. (São pessoas comuns que também são excepcionais porque acumulam uma vivência de décadas acompanhando e participando de suas transformações e uma disposição para se manifestar a respeito.)

Para os apoios institucionais, temos espaços publicitários para expor a nossa gratidão.

O que pode nos ajudar:

1) Um serviço de migração que transporte histórias e comentários do site atual para um "motor" novo como o WordPress ou semelhante; assim poderemos incorporar a moderação de comentários para desincentivar as abutragens dos haters.

2) O patrocínio da hospedagem que consome em torno de R$ 40 por mês no plano atual que temos;

3) Para conter o avanço do problema, já seria muito útil que uma pessoa que entenda PHP possa tirar do ar o mecanismo de publicação de novos comentários;

Outras ideias também serão muito bem-vindas.

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