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polícia | Não Zero

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If a Tree Falls: fiquei com um documentário entelado na garganta

Ontem à noite assisti um documentário que mexeu comigo por vários motivos. Veja o trailer abaixo e, se quiser, leia esse registro que eu precisei fazer - como um desabafo, mesmo - mas que saiu na forma de impressões soltas.

A constatação de como o Estado aprendeu a lidar com protestos não-violentos. Em vez de tiros e cassetetes, spray de pimenta espalhado pelo corpo – não só no rosto – de quem protesta.

Noventa e cinco por cento da floresta nativa dos Estados Unidos já foi cortada. O grupo defende a preservação do que sobrou.

As indústrias atuam na política, ganham direitos à exploração. A polícia chega para fazer valer a vontade do Estado. A defesa da produtividade a qualquer custo.

O pano de fundo do 11 de setembro. Os veículos de comunicação apelidam de “eco-terrorismo” ataques sem vítimas. Uma oportunidade de perceber: o heroísmo para uns é o terrorismo para outros.

O testemunho do agente da polícia. Sua felicidade ao “quebrar” o grupo de ativistas fazendo uns se virarem contra os outros. Orgulho sereno de ser cão de guarda.

A beleza discreta de quem escolheu preservar a própria consciência contra o terrorismo de Estado. O veneno na alma de quem escolheu colaborar com o inimigo. Calçar as sandálias de Judas.

Resultado: amanhã tudo voltará ao normal. Mas do olho do furacão veio a notícia: o documentário foi indicado ao Oscar.

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Por que os grevistas da polícia não têm voz nos notíciários? Uma nova Revolta da Chibata?

Em 1910, marinheiros que eram tratados como escravos pelos oficiais se rebelaram, tomaram conta de navios de guerra e apontaram as armas para o Rio de Janeiro, então capital do país. Encurralado, o governo aceitou assinar um acordo de rendição, mas, tão logo os insurgentes se entregaram, foram traídos e receberam punições crueis. "Para mostrar quem manda nesta porra!" O evento ficou conhecido como a Revolta da Chibata porque queria-se o fim da punição usando esse tipo de chicote.

Hoje esses insurgentes, especialmente seu lider, são cantados em verso e prosa, aparecem como herois lutando por uma causa justa nos livros de história. Ironicamente, essa revolta vira-e-mexe vira tema de desfile de escola de samba. Digo "ironicamente" porque estamos acompanhando o que parece ser uma nova revolta da chibata: governo e conglometados de mídia calando a voz de grevistas que, como recurso de negociação, estão ameaçando cancelar o carnaval no Rio e na Bahia.

Os líderes são presos em presídios de segurança máxima e a sociedade é manipulada para se indispor contra o movimento. A posição dos grevistas não aparece diretamente. Na reportagem de hoje do Jornal Hoje só quem fala são os políticos e aqueles contrários à greve. A mensagem é: o movimento acabou, a polícia está nas ruas, a greve é ilegal, os líderes são vândalos e o Exército está ponto para agir. Só quem fala é o governo, não há outro lado.

Mas o outro lado resiste. Se a notícia oficial é de desmobilização, o movimento revive no Rio. Qual jornal noticiou que isso estava para acontecer? E qual é o ânimo das corporações nos outros estados do país? Há um grande silêncio, todos com medo de que a greve se alastre mais.A notícia de ontem era: câmara carioca vota aumento parcelado em regime de urgência, mas - a minha dúvida - por que a pressa? Silêncio. De manhã, jornais noticiam a mobilização pública da categoria à noite decidindo em favor da greve.

O outro lado aparece apenas em escutas telefônicas editadas para conter apenas partes específicas de conversas. (O audio chega para quem? Para o Jornal Nacional...) O outro lado aparece também dentro de pequenas notas técnicas e desinteressantes: os grevistas querem isso, querem aquilo. PEC 300 para cá, reajuste parcelado para lá. Quantos espectadores entendem isso? O que quer dizer? Qual é a diferença entre o que eles pedem e o que é oferecido? E onde está o calor do grevista e da família do grevista tocando a sociedade com a força de sua raiva, de sua indignação?

Dá a impressão clara de ser uma operação abafa que tem por objetivo salvar o carnaval. Não o espírito carnavalesco, mas os contratos de anúncios relacionados aos desfiles. Se não houver público, se os turistas cancelarem suas viagens, vão mostrar as arquibancadas das passarelas vazias? Se as escolas não desfilarem ou desfilarem incompletas, vão ter que devolver o dinheiro dos anunciantes? Qual é o prejuízo para a imagem do país que está para sediar Copa e Olimpíada nos próximos seis anos?

É interessante ainda que não apareça nas reportagens a opinião pública. E eu suspeito que seja porque a sociedade está, apesar do silenciamento dos grevistas, resistindo a comprar a ideia de que os políciais estejam errados. Onde está o instituto de pesquisa colhendo o ponto de vista da sociedade? Onde está essa informação nos noticiários? Apesar de acharem errada a estratégia dos grevistas, tenho a impressão de que a maioria dos brasileiros simpatiza pela causa dos policiais e bombeiros.

Um taxista resumiu assim a sua percepção dessa história: "os deputados não fazem greve porque eles mesmos se dão aumentos..." O policial não pode se dar aumento nem pressionar o poder público quando a via da negociação não funciona.

Fiquei me lembrando da música dos Titãs. O refrão pergunta: polícia, para que precisa? Aparentemente precisamos muito, mas, se precisamos, por que não dar melhores condições. Agora os papéis se inverteram: são eles que estão em posição de fragilidade frente a esses interesses de poderosos e é a vez de a sociedade se manifestar para proteger os manifestantes e defender o direito de se ter mais paz e segurança no país.

P.S. Os jornais ficam anunciando o número de mortes e crimes na Bahia desde o início da greve. É para, subliminarmente, colocar a sociedade contra os grevistas?

P.S.2 Eu tenho família morando na Bahia e eles estão surpresos com o peso das tintas usadas para pintar a situação no estado. Parece que na TV o problema é muito maior do que nas ruas. É o espetáculo da notícia ou outro indício de manipulação da opinião pública.

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